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Lance Livre: perigo dos Bulls, Pelicans subindo e performances da semana

Com um pouco de atraso – normalmente esta coluna entra na quarta – a Lance Livre está no ar com muitos assuntos e o fim da temporada regular se aproximando. Já temos equipes classificadas para a pós-temporada e times eliminados por causa de campanhas horrorosas.

Se pegarmos uma pessoa na rua com um pouco, mas não muito, conhecimento sobre a NBA e perguntarmos para chutar qual que está classificado e qual eliminado e apresentarmos os nomes de Los Angeles Lakers e Atlanta Hawks, aposto que 99% erra.

Mas essa é a NBA de 2014/15. Ninguém entende muito bem o que está rolando. Mas o que está rolando é legal.

O perigo dos Bulls e a teimosia de Thibodeau

É duro eu vir aqui, do alto do meu teclado e dizer que Tom Thibodeau está errado. Entre os treinadores sem primeiro nome Gregg, Thibs é discutivelmente o melhor. O Chicago Bulls desde que o semicalvo assumiu passou de 11º, 7º e 8º no Leste para 1º (2010/11), 1º (2011/12), 5º (2012/13) e 4º (2013/14).

Mas o estilo suicida do treinador, reconhecidamente um tirano dos treinamentos, causa há anos os mesmos problemas em seus jogadores. Thibodeau força muito, deixa suas estrelas tempo demais em quadra, e para citar mais uma vez Gregg Popovich, não sabe poupar como o guru de San Antonio.

Muitos até hoje culpam o treinador pela primeira lesão de Derrick Rose, quando depois de uma temporada desgastante e com algumas lesões, Rose estava no seu 37º minuto em quadra em uma partida de playoff já decidida (99 a 87 no placar) com um minuto restante.  Claro que não é culpa do técnico que Rose tenha estourado o joelho aí e mais outras 500 vezes, mas é bastante significativo do quão Thibodeau puxa o limite e corre riscos com isso.

Nesta temporada, Taj Gibson ficou fora de vários jogos por causa do tornozelo. Joakim Noah perdeu 10 jogos, Mike Dunleavy quase 20 (tornozelo também), Derrick Rose mais uma vez está fora por causa do joelho e Jimmy Butler, atualmente se recuperando de uma lesão no cotovelo, estava sendo sobreusado, algo claro na média de 38,9 minutos por jogo, a maior da liga por quase dois minutos.

E não há razão para isso. O que conta são os playoffs e cada ano que passa e os Bulls não chegam tão longe quanto poderiam, a hipótese que os jogadores chegam podres na fase importante cresce. Na era Thibodeau, Chicago perdeu em cinco jogos para o Heat na final da conferência, em seis jogos para os 76ers na primeira fase, em cinco jogos novamente para o Heat na semifinal do leste e em cinco jogos para os Wizards na primeira fase.

Neste ano, de forma bizarra, é capaz dos jogadores chegarem mais descansados no mata-mata, mas porque só porque ficaram de fora de vários jogos da temporada regular por lesão. Mas até chegar as decisões, a equipe vai sofrer com o elenco reduzido. Nos últimos dez jogos foram cinco derrotas, com uma vitória apenas nos últimos quatro jogos. E ela foi contra o Philadelphia Tanksixers. Na prorrogação.

Resumo da ópera: com uma temporada de 82 jogos, quatro por semana e viagens atrás de viagens, você tem que poupar seus atletas para a hora da verdade. Com 16 jogos faltando, a classificação praticamente garantida e com Toronto (1-9 nos últimos dez jogos) e Washington (4-6), que estão logo abaixo na classificação, sendo ridículos, está na hora de botar o fraldinha em quadra por alguns minutos.

Pelicans subindo

Parecia que a última vaga do Oeste seria uma batalha de foice entre o Oklahoma City Thunder e o Phoenix Suns. Mas eis que uma bomba de New Orleans com uma tira de pelo uniforme e reta na cara resolveu aparecer e agora quem ocupa a oitava posição são os Pelicans.

Você vai ver abaixo, nas performances da semana a razão principal para o time ter subido. Nos últimos 10 jogos são oito vitórias, contra seis do Oklahoma City Westbrook e quatro do Phoenix Suns, que simplesmente acabou suas chances de playoff quando trouxe Isaiah Thomas, renovou com Eric Bledsoe e irritou Goran Dragic porque tinha muito pajé (armadores no caso) para pouco índio (no caso, bola).

Desde o All-Star Break Phoenix emendou uma sequência de três derrotas seguidas e está 5-7. Já os Pelicans estão 9-3 e desde fevereiro venceram o rival direto Thunder em Oklahoma City, o Memphis Grizzlies em casa no sábado e o chato Milwaukee Bucks em Milwaukee na segunda.

Ainda aposto no Thunder para levar essa vaga, ainda mais com a volta de Kevin Durant. Mas hoje os Pelicans estão com uma vitória a mais (36-29 contra 35-29) e no confronto direto, que será o primeiro critério de desempate entre os dois, a equipe da Louisiana já venceu: 3 vitórias a 1.

Performances da semana (na verdade dos últimos nove dias)

Como a coluna atrasou, esta seção ganhou dois dias a mais. Melhor ainda. Separando no dia a dia tendo como base nossos posts diários com resultados, destaques e um relato do melhor jogo, cansei de copiar e colar o nome de Russell Westbrook e Anthony Davis para minha lista de indicados. A batalha citada acima para a vaga nos playoffs ganhará um elemento ainda mais épico com esses dois, que hoje fazem parte do top 5 da liga junto com LeBron James, James Harden e Stephen Curry – quando Durant voltar dou um jeito de chutar algum desses.

Porém, entretanto, todavia, mas, o primeiro lugar não é de uma pessoa dessa lista de cinco. E peço desculpas, porque se a coluna tivesse entrado no dia, não seria assim. Mas c'est la vie.

Top 5:

5º Andre Drummond (22 pontos e 27 rebotes) @ Warriors na quarta

O principal beneficiário da troca do tóxico para os Pistons Josh Smith. Drummond teve um duplo-duplo gordo contra ninguém mais, ninguém menos que os Warriors na Oracle Arena.

4º Anthony Davis (43 pontos, 10 rebotes e seis assistências) @ Bucks na segunda-feira

Quando estava entrando no Draft saído de Kentucky, todos sabiam que Davis seria uma máquina defensiva e daria tocos até cansar. Mas nessas duas temporadas e meia, sua evolução no ataque, especialmente criando o próprio arremesso, é impressionante. Foram 17 arremessos certos em 23 na vitória contra os Bucks.

3º Russell Westbrook (49 pontos, 16 rebotes e 10 assistências) x 76ers na quarta

Um triplo-duplo é legal até quando é de 11 pontos, 10 rebotes e 10 assistências. 49-16-10 é sacanagem. Westbrook fez cinco triplos-duplos em seis jogos. Dizer que ele está jogando sozinho é complicado em um esporte como o basquete, mas poucas vezes um jogador fez tanto para uma equipe. Porém, como foi contra os 76ers, ele cai um pouquinho na lista.

2º Anthony Davis (39 pontos, 13 rebotes e oito tocos) x Pistons na quarta

Oito tocos. E não é mais a era de Bill Russell, que ele era tão maior, mais forte e dominante que os outros que era quase uma agressão digna de processo o que a lenda dos Celtics fazia. Voltando a 2015, Davis ainda completa com 39 pontos e 13 rebotes. Davis já é uma das superestrelas da liga. Mas a equipe não ajuda tanto ainda.

1º Kyrie Irving (57 pontos, 20/32 nos arremessos, 7/7 de três) @ Spurs na quinta

Se o texto tivesse entrado ontem , Kyrie não estaria aqui. Mas entrou hoje, sexta-feira. 57 pontos contra os atuais campeões Spurs, no TEXAS, é maldade. Sempre que vejo essas pontuações absurdas já olho no número de arremessos. Chamo isso de “Reação Carmelo Bryant”. Mas Irving foi ótimo no aproveitamento e perfeito nas bolas de três. Sensacional.

Sobraram (com peso no coração):

Russell Westbrook (43 pontos, oito rebotes e sete assistências) @ Bulls na quinta

Hassan Whiteside (18 pontos e 25 rebotes) x Lakers na quarta

James Harden (38 pontos, 12 rebotes e 12 assistências) x Pistons na sexta

Damian Lillard (32 pontos, sete rebotes e oito assistências) @ Timberwolves no sábado

Russell Westbrook (30 pontos, 11 rebotes e 17 assistências) x Raptors no domingo

 

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