Lance Livre

Lance Livre: o jogador do futuro e os problemas dos Warriors

Crédito: Instagram/reprodução

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Sim, a NBA voltou com tudo. Faz tempo que não fazia uma Lance Livre (sim, parece que sempre digo isso), então chegou a hora de jogar algumas palavras no publicador.

O jogador do futuro

Nos últimos 10 anos nós discutimos, nos maravilhamos, rejeitamos, tivemos saudade e ultimamente aceitamos plenamente como algo natural o armador que não arma tanto e pontua muito. Derrick Rose foi MVP, Stephen Curry foi bi-MVP, Chris Paul consegue ser um pouco John Stockton, mas tem 19 pontos de média nos últimos quatro anos, algo que Stockton nunca conseguiu na vida. Damian Lillard, Kyrie Irving e Russell Westbrook são mais 2 do que 1 e dominam noite após noite.

Mas o jogador do futuro não é nenhum deles. Aliás, a posição de armador está passando por outra evolução. O futuro do basquete é um quinteto que o armador tem praticamente a mesma altura do ala que tem basicamente a mesma altura do pivô. Sem posição, uma constante mudança de posse e arremessos, contra-ataques e enterradas. O jogador do futuro é Joel Embiid, que mistura Shaquille O’Neal com Hakeem Olajuwon e arremessos de 3. O jogador do futuro é Karl-Anthony Towns, que é um Kevin Garnett 2.0. Ou Kristaps Porzingis, que é um stretch 5 que os treinadores dos Knicks ainda não perceberam.

Imagina os Knicks sem Noah na posição 5 e sim Porzingis. Carmelo Anthony na 4. Um cone que arremessa na 3, Courtney Lee na 2 e Derrick Rose na 1. Carmelo teria o arremesso de meia-distância com só um marcador e poderia simplesmente empurrar com sua força física absurda qualquer defensor até a cesta. Rose poderia penetrar para bandejas fáceis. E Porzingis teria cestas em todo o ataque, incluindo de 3. Além disso, ele consegue defender a área pintada porque é um excelente marcador, fazendo a comparação com Dirk Nowitzki não ser a melhor. Ele é um unicórnio, como Kevin Durant disse: habilidoso, rápido, bom marcador, tem um excelente arremesso e tem 2,21 m.

A NBA desta temporada vai ser uma beleza de se assistir porque mais times estão se juntando a essa revolução, que ainda está no começo. O Milwaukee Bucks tem um armador de 2,11 m e os Sixers vão colocar em quadra, em algumas semanas, Ben Simmons na posição 1 com Joel Embiid na posição 5 por muitos minutos por jogo. Não só o armador Stockton deve sumir, como já basicamente sumiu (Rajon Rondo é o que mais se aproxima, e não chega perto). O armador Westbrook deve sumir também. Já tivemos indícios dessas mudanças nos últimos anos – LeBron James levando a bola para o ataque com Mario Chalmers deixado de lado, por exemplo – mas agora isso está ganhando espaço em mais times. E essas mudanças são o que fazem a NBA tão interessante.

Problemas dos Warriors

Depois da derrota gigante para o San Antonio Spurs na primeira noite da temporada eu evitei falar alguma coisa. Eu ainda acho que os Warriors vão ganhar o título e cada noite vendo esse time é fascinante, mesmo que ainda esteja abaixo no rendimento. Aliás vendo grupos no Facebook e comentários em geral eu só fico decepcionado com pessoas de olhos fechados no extremismo clubista e soltando frases absolutas como “Curry superestimado” ao invés de assistir o jogo e calar a boca.

Pois bem, o que anda errado com os Warriors? Nada que não pudesse ser previsto: é um time que perdeu dois titulares e boa parte do banco e adicionou uma estrela, que precisa ter arremessos por noite.

Essa questão dos arremessos é a mais curiosa. Durant está arremessando 17,9 vezes por jogo nessas sete partidas disputadas, quase dois a menos que na última temporada de Thunder, uma queda normal. Só que eles não saíram tanto de Draymond Green (10,1 para 8,9), Stephen Curry (10,2 para 9) e nem de Klay Thompson (17,3 para 17). Ou seja, são os coadjuvantes dos Warriors que “perderam” a maioria desses  18 arremessos, já que considerando a franquia, os números de tiros por jogo estão  quase iguais:87,3 arremessos por jogo em 2015/16 e 87,7 em 206/17.

Então Klay Thompson está certo. Durant não é o culpado por esse período de incerteza. O problema do ataque é que Klay Thompson está arremessando muito mal, especialmente de 3. E os times aprenderam a marcar Stephen Curry melhor, simplesmente abusando de seu físico mais franzino e tirando ele de seu ritmo.

Mas a principal diferença é mesmo na defesa. Andrew Bogut foi subestimado por todos nós: sua proteção do aro era muito boa e mesmo que Draymond Green seja um leão e fosse o pivô nas formações super small, os 15-20 minutos do australiano na quadra eram fundamentais para subir a defesa e impor o ritmo da boiada, já que Green não aguenta ser um 5 e marcar Marc Gasol, Pau Gasol e LaMarcus Aldridge, DeAndre Jordan, Tristan Thompson, entre outros, por 35 minutos por noite, 82 jogos e mais 20 nos playoffs. E os pivôs do elenco, seja Zaza Pachulia, que está muito mal e Anderson Varejão, que nunca encaixou nos Warriors e sempre parece um baterista ruim, sempre uma batida atrasado, não conseguem suprir a ausência do agora jogador dos Mavericks.

Além disso, Andre Iguodala teve um começo bastante lento de temporada e pode ser que anos e anos marcando os melhores alas da NBA estejam cobrando seu preço. Assim como cobraram claramente o preço em David West, que não é nem 10% do David West dos Pacers fortes no Leste.

Então o problema é a defesa. E não há uma solução muito clara porque o time está amarrado pelo teto salarial e não se acham bons pivôs marcadores por ai. O superelenco dos Warriors ainda não é um supertime e a história da temporada será ver se há como achar uma solução para esse problema na posição 5.

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