Lance Livre

Lance Livre: Nash aposentado, Raptors e Wizards decadentes e vai e vem dos Spurs

A temporada regular está chegando ao fim e os playoffs se aproximam. Ainda bem. Só não defendo um corte nas 82 partidas por pura cosmética e análise nerd: ficará mais chato não poder comparar os números dos astros de hoje com os astros de antigamente diretamente, sem precisar fazer alguma conta. Mas é inegável que depois do jogo das estrelas, todo mundo só espera os playoffs, os melhores jogadores começam a se poupar e só algumas equipes disputam verdadeiramente alguma coisa.

Falando em jogadores de antigamente.

Steve Nash aposentado

Todo mundo sabia que Nash nunca mais pisaria em uma quadra da NBA para jogar. Depois de ter sido anunciado que ele não jogaria nesta temporada antes mesmo de ela começar, sendo este o último ano de seu contrato, e o fato dele ter 41 primaveras vividas, estranhei a aposentadoria não ter sido anunciada.

Não foi anunciada porque os Lakers esperavam trocar Nash e seu contrato prestes a expirar para uma equipe que precisasse completar a folha salarial. Como isso não rolou o canadense foi liberado para falar pro mundo que não dava mais.

Uma coisa curiosa lendo notícias, perfis, vendo vídeos e pescando alguma coisa interessante nas seções de comentários é como Nash, apesar de ser um tremendo boa-praça, é um cara que inspira amor e ódio e tem defensores e detratores.

Por exemplo, no programa “Open Court” da NBA TV, Shaquille O'Neal, Isiah Thomas, Charles Barkley, Reggie Miller, Chris Webber, Kenny Smith e Chauncey Billups (sim, olha esse painel), estavam discutindo sobre que 10 jogadores eles adicionariam na lista de 1997 dos 50 melhores da história da NBA. Quando o nome de Nash foi jogado na discussão, ninguém pediu sua inclusão. O'Neal disse que os dois MVPs de Nash deveriam ser dele. Tudo bem, esse é Shaq. Mas ai Reggie Miller foi mais fundo: “se você é um general manager e tem Jason Kidd, Gary Payton e Steve Nash para escolher, Nash sempre será o último.” Nem uma viva alma naquele estúdio discordou.

Nem dá para dizer que essa fala do lendário ala-armador dos Pacers foi por causa de títulos, porque Kidd e Payton ganharam um no final de suas carreiras sendo completos coadjuvantes. Além disso, o canadense ganhou dois MVPs e é o terceiro maior “garçom” da história da liga.  Ou seja, ele não é qualquer um.

Se você for para Phoenix, Nash é um semi-Deus. Mas se você for para Los Angeles, o armador não será dos mais queridos. Além de ser um marco do “supertime” decepcionante que os Lakers montaram antes da temporada 2012/13, ele pouco entrou em quadra mas descontou todos os cheques. Erro da direção da franquia que deu um contrato de três anos e quase US$ 30 milhões para um cara com 39 anos. Mas não ter aparecido para a foto da equipe nesta temporada e ter postado uma foto no Instagram jogando golfe, logo depois de ser confirmado que estaria fora da temporada da NBA por lesão, não pegaram nada bem.

Veja bem, minha intenção aqui não é destruir Nash. Ele é um dos jogadores mais divertidos e fantásticos que vi jogar. Mas por alguma razão ele se tornou contraditório. Aliás seu próprio jogo era uma contradição: se defesa é metade do jogo e ataque é a outra metade, Nash completava bem a segunda e era terrível na primeira. Para ser mais claro: James Harden perto do canadense é um Scottie Pippen com pelos faciais.

Para terminar: ao mesmo tempo que ele demorou muito para se aposentar, ele deixará saudades. E com mais essa contradição eu finalizo.

Raptors e Wizards decadentes

Para variar esta coluna entra com um pouco de atraso. Ontem eu fechei o que iria falar e torci bastante para nenhum assunto cair. Com o apagão dos Raptors no último quarto contra os Bulls, consegui manter todos os assuntos. É impressionante como a equipe de Toronto e a da capital dos Estados Unidos, que pareciam ser protagonistas no rearranjo de forças que rolou no Leste nesta temporada, decepcionam na segunda metade do torneio.

A franquia do Canadá chegou a ter 24 vitórias em 31 jogos e liderava o Leste. Desde o fim de fevereiro a equipe já teve uma sequência de cinco derrotas seguidas, outra de quatro e desde o jogo das estrelas tem seis vitórias e 13 derrotas. A equipe só não caiu mais além da quarta posição porque o quinto também está em uma draga danada.

O quinteto inicial dos Wizards é acima da média: John Wall, Bradley Beal, Paul Pierce, Nenê e Marcin Gortat. Mas a equipe pode estar sofrendo com o “efeito Mark Jackson”. Randy Wittman pegou uma franquia que estava dormente, sofreu no começo mas conseguiu tirar basquete de jogadores importantes como Wall. Na temporada passada chegou a ganhar do Chicago Bulls na primeira fase dos playoffs. Mas talvez Wittman tenha chegado no ápice e parte da torcida pede a cabela do treinador. Ontem, inclusive, ele foi pego saindo de quadra quando ainda falta jogo e isso claro cauisou repercussão. Talvez um Steve Kerr 2.0 em Washington seria positivo. Hoje a equipe está abaixo do que pode e é muito irregular: depois de perder seis seguidas, emendou cinco vitórias consecutivas mas agora está no meio de uma sequência de quatro derrotas. Curiosamente, se terminar hoje a temporada regular, Raptors e Wizards se enfrentam.

Vai e vem dos Spurs

Não sou do clube que acha que os Spurs ligam e desligam um interruptor quando querem jogar ou não. Até porque a equipe está atualmente em sexto e terá uma tabela muito mais difícil na pós-temporada que se estivesse no topo, como na temporada passada. E vale lembrar que com essa posição dificilmente Duncan, Parker e Leonard decidirão as séries dos playoffs em casa. Os torcedores da franquia texana sabem como isso é importante ao lembrar das finais da NBA em 2013. San Antonio nesta temporada tem 50% de aproveitamento fora de casa, pior que nove franquias da NBA hoje.

Ou seja, é preocupante sim o fato do time não ter feito uma boa temporada regular, por inúmeros fatores, como lesões (Kawhi Leonard perdeu jogos, Tony Parker idem) e queda de rendimento de alguns atletas.

Mas é claro que é positivo que chegando perto da pós-temporada lá estão os velhinhos de novo. São 11 vitórias nos últimos 14 jogos, com bons jogos contra o Atlanta Hawks fora e o Chicago Bulls e o Thunder (vitória ontem por 39 pontos) no AT&T Center. Mas mesmo assim há umas escorregadas como a derrota para os Mavericks levando 38 pontos de Monta Ellis e uma vergonhosa derrota para o New York Knicks com 22 pontos do nobre Langston Galloway.

Nos playoffs com Leonard defendendo com maestria e Parker voltando a se infiltrar no garrafão e desafiar a física com suas bandejas todo retorcido faz os Spurs serem carne de pescoço. Mas não é só ligar ou desligar o interruptor. Hoje Golden State Warriors, por exemplo, é claramente superior. E o fato do jogo sete ser na Oracle Arena, onde Curry e cia tem 34 vitórias em 36 jogos, faz a analogia do interruptor cair por terra e a campanha do Warriors até agora ser valorizada.

Melhores performances da semana

5º Danilo Gallinari (40 pontos e sete rebotes) @ Orlando Magic na segunda-feira

Venho comentando há algumas semanas sobre o “miraculoso” renascimento do basquete de alguns jogadores dos Nuggets, coincidentemente depois da demissão de Brian Shaw. O italiano Gallinari despejou 40 pontos no Magic em Orlando na segunda e entrou nesta lista.

4º Monta Ellis (38 pontos e cinco assistências) x San Antonio Spurs na terça-feira

Ellis aqui entra por causa do rival. Os Spurs estavam completos, vindo em boa fase e com Kawhi Leonard, o homem que marca Kevin Durant e LeBron James e se sai bem. E o mais impressionante: em três partidas contra os texanos Ellis tem 34 pontos de média. “Só” isso.

3º James Harden (44 pontos e sete assistências) @ Indiana Pacers na segunda-feira

Harden estava com inveja das pontuações de Russell Westbrook nas últimas semanas e temendo pelo seu prêmio de MVP ser disputado por mais um nome além de Stephen Curry. Nesta semana ele decidiu mostrar que não ficará impassível.

2º Russell Westbrook (36 pontos, 10 rebotes e 14 assistências) x Hawks na sexta

Mais uma vez ele aparece nesta lista de performances da semana. O triplo-duplo é ainda mais impressionante por ter sido contra os Hawks, a segunda melhor equipe da liga em aproveitamento. Russell está imparável e mesmo sem Kevin Durant faz o Thunder vencer jogos.

1º James Harden (50 pontos, 10 rebotes e quatro assistências) x Nuggets na quinta

Os 50 pontos contra os Nuggets foram a melhor marca da carreira do ala-armador. Olhando os números você percebe porque Harden não é amado pelo mundo inteiro. Harden no ataque é como Neymar quando ele está bem marcado: sempre vai procurar contato para ganhar a falta. O camisa 13 foi para a linha do lance livre 25 VEZES e acertou 22. Incrível.

Sobraram:

Brook Lopez (34 pontos e 10 rebotes) @ Charlotte Hornets na quarta

DeMarcus Cousins (33 pontos e 17 rebotes) x Philadelphia 76ers na terça

Brook Lopez (32 pontos e 18 rebotes) x Milwaukee Bucks na sexta – tripla prorrogação

Chris Paul (30 pontos, 15 assistências e seis rebotes) x Wizards na sexta

Russell Westbrook (36 pontos, 10 assistências e cinco rebotes) x Celtics na quinta

 

Popular

Copyright © 2015-2021 - https://www.quintoquartobr.com/

+18 Jogue com responsabilidade


Copyright QuintoQuartoBR

To Top