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Lance Livre: Kobe Bryant ficou só, mas pode voltar como exemplo

(Crédito: Instagram/reprodução)

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Como prometi lá atrás, aqui está uma Lance Livre especial sobre Kobe Bryant. Claro que sim. Se não houvesse os fãs poderiam promover um golpe, que eu nem reclamaria, para derrubar o site.

O Draft de 1996 é um dos poucos que pode dizer que chega perto do de 1984. E se neste saiu Michael Jordan, nada mais justo que no Draft mais similar, tenha saído Kobe. O camisa 23 e o camisa 8 que depois tornou-se 24 são similares em diversas coisas, seja posição, capacidade de pontuar, estilo de jogo e principalmente uma competitividade que beira a doença.

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Não é mal nenhum imitar o melhor. E o garoto, que nasceu na Philadelphia e morou na Itália quando criança, teve seus méritos, não foi só uma cópia mal feita, o Br’oz do rolê. Jordan sofreu nos seus primeiros anos de Bulls. Kobe bateu o pé, conseguiu uma troca do Charlotte Hornets para o Los Angeles Lakers e ali fez carreira que logo foi frutífera. Claro que ter Shaquille O’Neal ajudou, mas é uma loucura achar que seus três títulos valem menos por isso, até porque suas médias de pontos, especialmente nos playoffs, foram absurdas.

Mas não quero aqui falar sobre a carreira, fazer um retrospecto ano a ano, até porque já fizemos isso aqui.

Kobe surgiu em um jogo completamente diferente do que é hoje. Arremessos de meia distância estavam na moda, assim como o Walkman. Dar a bola para o protagonista da equipe e sair da frente, isolando ele contra um marcador designado era uma estratégia viável, o que hoje parece um absurdo. E poupar minutos de jogador? Se ele estava saudável e era necessário para a roda girar, tinha que estar em quadra. Foram cinco temporadas com mais de 40 minutos em média por jogo para o astro. Isso mesmo no esquema de Phil Jackson que visava repartir e pensar o jogo.

E Kobe, assim como Allen Iverson, Tracy McGrady e muitos outros nesse momento da liga no pós-Jordan foram desenhados para fazer tudo isso. O homenageado de hoje, em uma lista de jogadores que arremessaram 36 ou mais bolas em um jogo – o que hoje parece impossível – aparece 23 vezes. Ele arremessou 47, 46, 45 e duas vezes 44 em partidas diferentes.

Hoje, com Iverson e McGrady aposentados e a mudança drástica do jogo, Kobe ficou sozinho. Poucos fazem o que ele fazia. Os que sobraram são Monta Ellis e Rudy Gay, obviamente sem 5% do brilhantismo. E não só sozinho no estilo de jogo, mas também nos Lakers. Shaq há muito se foi. Derek Fisher se aposentou em Oklahoma City. Pau Gasol continua jogando, mas em Chicago. Smush Parker deve lavar carros em algum lugar do mundo. Seu companheiro de mais idade na franquia hoje é Ron Metta World Artest Peace, que por algum motivo ainda está na NBA.

Não tem como não homenagear Kobe, o cara que conquistou cinco títulos, um troféu de MVP, dois MVPs de finais e estará no Hall da Fama. Mas os anos finais foram brutais com ele, com os Lakers caindo na pasmaceira, seu corpo desistindo dele e seu jogo muitas vezes agredindo e não ajudando. A aposentadoria, ainda bem, vem antes que ele tenha que mendigar por um contrato ou até sair de Los Angeles.

Só que o esporte é cíclico. Hoje todos querem ser Golden State Warriors, ter arremessadores iluminados, jogar com um pivô que na verdade é ala e ter um ala-pivô que dispara da meia-quadra. Defesa então, o Detroit Pistons dos Bad Boys pareciam verdadeiros genocidas se comparados com o que rola hoje. Só que se 29 times dividem a bola, arremessam de três e não tem um cara de 2,15 m ali no meio, a equipe que chegar com um fominha que explora os arremessos de meia distância e que tem um pivô para pegar todos os rebotes ofensivos do mundo pode vencer tudo.

Hoje surgir como um Kobe Bryant 2.0 pode ser démodé. Daqui 10 anos, ele pode ser o exemplo máximo de um revolucionário. E é por isso que a NBA é tão fascinante: a sucessão de ídolos máximos não para. De Wilt e Russell, para Julius Erving, para Magic e Bird, passando por Jordan, com Kobe e Shaquille O’Neal preparando terreno para LeBron James e agora Stephen Curry. Hoje é dia de dar adeus a uma dessas lendas.

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