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Lance Livre: a grandeza dos Spurs e ninguém está falando de Tim Duncan

Crédito: Instagram/reprodução

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Esta coluna foi pensada logo após o jogo contra o Golden State Warriors no sábado. Na segunda a equipe perdeu para o Charlotte Hornets, mas eu não mudo nada.  NEM PEÇA.

Por muito anos se repetiu o chavão que “não existe reconstrução em Nova York e Los Angeles”. A razão seria que tempos de vacas magras oficiais faria o público dessas cidades abandonar o time e adotar outros times, outros espetáculos, outras formas de passar o tempo. Não falta isso em L.A. ou N.Y.

É claro que isso é uma grande bobagem. O New York Mets se reconstruiu e chegou até a World Series em 2015. E os Lakers agora parecem ver uma microluz no fim do túnel de uma reconstrução que se não foi oficial, foi imposta pela vida.

Mas Gregg Popovich e R.C. Buford de uma forma ou outra adotaram o lema para San Antonio. Pelo menos desde o quarto título da era Duncan em 2006/07 já se fala de possíveis vacas magras no pós-Duncan e Ginobili e Parker velho. Quando os Spurs perderam para o oitavo Memphis Grizzlies na primeira fase dos playoffs em 2011, ai as dúvidas só aumentaram. Afinal, como substituir esses monstros?

Agora, com nós todos lendo isto em 2016, sabemos que a franquia ainda chegaria a duas finais de NBA e ganharia uma e meia (que Ray Allen nunca pise no Texas). E sabemos também que não há reconstrução em San Antonio.

Tony Parker tem 33 anos e é o mais novinho do Big Three. Se ele jogar uma partida mal, tudo bem. Manu Ginobili tem 38 anos. Se ele não sair do banco está beleza. Tim Duncan tem 39, jogou oito míseros minutos contra os Warriors e a equipe ganhou dos atuais campeões e possível recordista de vitórias na história se impondo.

Kawhi Leonard, o cara que destronou LeBron no quesito melhor jogador two way (considerando defesa e ataque) da liga e LaMarcus Aldridge, um dos melhores ala-pivôs do jogo, são os donos da equipe.

Para colocar em números, Kawhi evoluiu absurdamente seu jogo ofensivo. Hoje ele tem média de pontos superior a 20 (20,9) e está no top 20 da liga nesse quesito. Só que dos que estão acima dele, quem tem melhor aproveitamento de arremessos? Um grandíssimo zero. Nem em arremessos de quadra e nem em arremessos de três. E preciso lembrar que ele foi o último vencedor do prêmio de melhor defensor da temporada? Não? Ok.

Já Aldridge, ele tem sólidos 17,9 pontos e 8,5 rebotes em 2015/16, mas a temporada claramente foi um aprendizado e agora ele está começando a fazer o mestrado. Nos últimos dez jogos ele melhorou e muito os números, alcançando anthonydavidianos  24 pontos e 9 rebotes de média, sem jogar tanto e sem um time claramente jogando para ele como seu similar em posição de Nova Orleans.

E essa equipe está com 59 vitórias e 11 derrotas, o melhor desempenho da era Popovich disparado. Para constar, a melhor temporada regular desse período de quase 20 anos é de 2005/06, com 63 vitórias e 19 derrotas. Ou seja, nos 12 jogos que falta, a equipe só precisa vencer 5 para confirmar essa melhor marca.

Agora pense bem nisso. Quando você viu um time que uma geração vencedora entrega o trono calmamente logo depois de vencer – dois anos depois apenas – para uma nova geração que mantêm o nível e até eleva ele? O San Francisco 49ers saiu da Era Joe Montana para a Era Steve Young, mas além de Montana ter vazado, demorou um pouco para vencer com Young. O Barcelona saiu da era Ronaldinho para a era Messi, só que Ronaldinho foi despachado para o Milan.

Os próprios Spurs tiveram a fusão David Robinson saindo e Tim Duncan entrando, mas além de serem dois nomes apenas, os texanos com Robinson solo não tinham sido vitoriosos, graças a um Oeste desgraçado que tinha os Suns de Barkley, os Rockets de Olajuwon, os Supersonics de Payton, o fim dos Lakers de Magic, o Jazz de Malone e Stockton, os Clippers (ok, não é para tanto)…

Nós estamos tendo a sorte de ver o revival dos Spurs com Duncan e Ginobili coabitando com os Spurs do futuro com Leonard e Aldridge. Quem não quer que a NBA reveja AGORA a impossibilidade de ter dois times do Oeste na final da NBA não gosta de basquete.

Por que não falamos de Duncan?

A cada sorriso de Kobe Bryant na sua turnê de despedida que está no fim, nós fazemos uma nota. Quando vamos atentar para o fato que Tim Duncan, cinco vezes campeão da NBA, 3 vezes MVP das finais, 2x MVP da temporada e provavelmente o melhor ala-pivô da história está jogando seus últimos minutos na liga?

Porque além dos 39 anos de idade, está muito claro que se formos falar de gasolina no tanque, Duncan está na reserva e andando na banguela para poupar enquanto conta as moedas na mão. É legal pensar que Popovich está poupando ele para os playoffs e ele está fazendo o mesmo, mas vendo ele correr em quadra e as jogadas do ataque só passando por ele enquanto antes eram direcionadas para ele, mostram que o jogo realmente está ficando rápido para o senhor de idade. É uma questão de olho até. Faça o exercício de ver os Spurs e ver Duncan em quadra e note que a vida não está fácil para ele.

Analisando as médias ajustadas para cada 36 minutos e não por jogo – seria injusto comparar por jogo sendo que ele está jogando muito menos – Duncan tem 7 pontos a menos a cada 36 minutos que sua temporada de calouro e 5 a menos que na temporada passada. Ele ainda pega 0,8 rebotes a menos que em 2014/15.

Já era uma grande dúvida se ele retornava para esta temporada, mas a empolgação com a chegada de Aldridge parece ter feito Timmy voltar por uma barganha (dois anos e US$ 10,4 milhões) e eu honestamente aposto minha casa que ele não volta para mais um ano, independente de onde os Spurs vão parar nos playoffs. E eu me nego a aceitar que ele, só porque é tímido e reservado, não seja homenageado como Kobe e tenha despedidas nas arenas que joga.

SE LIGA NBA.

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