Lance Livre

Lance Livre: estão tratando como um roubo, mas troca pode não ser ruim para os Kings

Crédito: Instagram/reprodução

Antes de começar esta Lance Livre, eu preciso destacar dois pontos, com bastante força.

Ponto 1: dono dos Kings, demita Vlade Divac. Não pela troca de DeMarcus Cousins, mas por incompetência a longo prazo mesmo.

Ponto 2: trocar um carro (estrela) por partes de um carro (jogadores medianos, reservas, picks baixas) nunca deu certo. Pelo menos não que me lembre.

Exemplo: James Harden por alguns meses de Kevin Martin, Jeremy Lamb e duas escolhas de Draft, uma delas se tornou Steven Adams (bom) e a outra Mitch McGary (péssimo)

Exemplo envolvendo New Orleans: Chris Paul por Eric Gordon, Chris Kaman, Al-Farouq Aminu e uma escolha de Draft que se tornou Austin Rivers, que hoje é um jogador dos Clippers e trabalha para o pai Doc. Sim, explosivo.

Dito isto, digo mais o seguinte: Buddy Hield, Langston Galloway e Tyreke Evans, que já jogou nos Kings, não vão mudar a franquia de Sacramento. Mas podem ser úteis para compor elenco e formar um banco bom.

Ok, então os Pelicans ganharam a troca por muito, como o mundo da NBA inteiro está dizendo, certo?

NÃO ACHO.

Não é vontade de ser do contra. Ambos os times hoje estão em uma zona do Oeste que não significa que eles sejam péssimos, mas estão longe de serem bons. Com Anthony Davis e DeMarcus Cousins, os Pelicans agora devem chegar aos playoffs – o time está apenas duas vitórias atrás do Denver Nuggets, oitavo no Oeste – só que estão muito atrás de Golden State Warriors, San Antonio Spurs e Houston Rockets de qualquer jeito.

Davis e Cousins serão uma boa combinação porque qualquer vontade que se tenha de colocar o apelido “torres gêmeas” neles é uma estupidez: ambos têm jogos de meia e longa distância, com o ex-Kings arremessando 4,9 bolas de três por jogo nesta temporada. Os dois conseguem se complementar: o monocelha é um monstro defensivo (e ainda tem um excelente arsenal no ataque), Boogie é o melhor pivô ofensivo.

Só que eles vão jogar com quem? O terceiro melhor jogador do time é Jrue Holiday, bom mas não espetacular. E o banco?

Além de tudo isso, DeMarcus Cousins é uma pilha de nervos. Vilão de árbitros, treinadores e jornalistas. E com um contrato que vai até o fim da temporada 2017/18 apenas.

E aqui chego ao ponto que explico porque não acho que é ruim para os Kings. O casamento com Cousins não deu certo. Sim, a culpa é muito de treinadores, diretoria e donos, mas têm jogadores que conseguem levar uma franquia que não funciona nos bastidores aos playoffs e até longe neles. Cousins nem cheirou pós-temporada e foi parte do problema sendo uma completa dor de cabeça para todo mundo.

Que free agent bom quer ir para Sacramento? Nenhum. Chris Webber, maior ídolo da franquia, diz para qualquer um que quiser ouvir que quando foi trocado do Washington Bullets para os Kings, ficou puto da vida. A chance é o Draft e agora o time californiano pode tankar sua vida nesta temporada, conseguir uma escolha boa em um Draft que é projetado como um dos melhores dos últimos anos e ainda ter a escolha dos Pelicans, que deve cair na metade da 1ª rodada.

Para salientar quão fácil é para os Kings conseguir uma escolha alta no próximo Draft, o time tem apenas três vitórias a mais que o Orlando Magic, quarta pior campanha da NBA. E seis a mais que o Phoenix Suns, segunda pior campanha.

E Hill, Hield, Galloway e basicamente todos que estão no elenco atual de Sacramento podem ser negociados, abrindo feudos no teto salarial.

Então, para amarrar tudo:

  • Para os Pelicans foi necessário: esse time não ia a lugar nenhum, Anthony Davis estava começando a ser vítima de um sequestro que só terminaria em 2020 e nenhum futuro a vista. Os Pelicans precisavam de um impacto agora. Mas podem se ferrar se o pivô não assinar um novo contrato com o time.
  • Para Cousins foi ótimo: novo começo, um bom companheiro e a chance de mostrar que o problema era os Kings. Mas para a carteira de Cousins nem tanto: a oportunidade de assinar um acordo de cinco anos e US$ 209 milhões foi para o espaço.
  • Mas surpreendentemente para os Kings, essa negociação não foi tão ruim como está sendo alardeado. Mas algumas coisas têm que acontecer: Divac tem que ser demitido ou então ganhar um cérebro para draftar minimamente bem e o time tem que tankar neste fim de temporada para ter uma escolha lá no alto. Se isso acontecer, pode ser um novo começo para a equipe. Mais um, é verdade, mas sem a necessidade de ter que se sujeitar a um jogador temperamental que custaria US$ 40 milhões por temporada à partir do meio de 2017
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