Lance Livre

Lance Livre: Clippers e Spurs, Rajon Rondo nos Mavs e playoffs em geral

Como você pode ter percebido, os playoffs da NBA chegaram. E como você não deve ter percebido, não teve Lance Livre na semana passada. Minha intenção era fazer uma apenas quando as séries acabassem, mas os assuntos empilharam e enquanto uma série em específico vai demorar ainda mais um pouco, outros times já fizeram um cruzeiro nas Ilhas Gregas e voltaram. Então vamos aos (assuntos da semana)²

Spurs x Clippers

Quase coloquei no relato, mas decidi ser mais formal e deixar para este antro de piadas desconexas e ocasionais comentários de basquete. Então falo agora: a vitória dos Clippers no jogo 4 foi a segunda mais importante da franquia, logo à frente do veto de David Stern à troca de Chris Paul para os Lakers e sua ida posterior para o primo pobre de L.A. e um pouco atrás da gravação de Donald Sterling sendo Donald Sterling e por isso perdendo seu brinquedo favorito: sua franquia da NBA.

Como disse no relato, é preocupante para as duas equipes o fato que todos os classificados, seja no Leste ou no Oeste, estão descansando por terem resolvido rapidamente suas séries enquanto Clippers ou Spurs só vão passar depois de seis ou sete jogos esgotantes.

O jogo 5 foi mais uma partida cruel para o corpo dos jogadores. E sinceramente, cruel para o basquete, que no terceiro quarto não foi jogado porque Popovich e seus comandados só quiseram fazer falta em DeAndre Jordan. O “Hack-a-pivôquenãosabecobrarlancelivre” já foi discutido mil vezes, então vou ser rápido: não é ilegal, não é sujo e nem desleal. “Só” é chato, pentelho, um antijogo completo que me faz torcer loucamente para que Jordan, ou Shaq, ou qualquer outro, pare de atirar cocos para cima de uma forma horrorosa. A estratégia mais uma vez deu certo, mas no fim os Clippers não souberam finalizar, com DeAndre Jordan fazendo a burrada de jogar para dentro e cometer interferência em uma bola que ia render pontos já, a defesa falhando na marcação quando não podia, dando tiros abertos para uma equipe letal em tiros abertos e Blake Griffin também errando lances livres.

Deve acabar em seis mesmo. Mas isso pesará sobre os Spurs. O que não quer dizer que eles não vão superar mais isso, assim como eles superam gravidade, a passagem do tempo e a falta de expressão facial de Tim Duncan.

Blazers caindo

É uma pena que os Blazers tenham chegado tão capengas para os playoffs. Wesley Matthews ficou de fora por causa de lesão no tendão de Aquiles, LaMarcus Aldridge tem um problema na mão e Damian Lillard viu seu jogo ofensivo cair e com isso sua participação defensiva, que sempre foi abaixo da média, ficou ainda mais exposta.

O pior para os Blazers não é nem cair agora na primeira fase depois de ter avançado até a segunda na temporada passada. O pior é saber que Aldridge e Matthews são free agents no momento que as finais acabarem.

Já os Grizzlies continuam sendo o time chato de sempre. Mas com Mike Conley fora para entrar Nick Calathes e/ou Beno Udrih, essa equipe perde em todos os quesitos possíveis: marcação, assistências, pontuação. Só seria pior se Marc Gasol estivesse fora. E o próximo rival é o Golden State Warriors, que tem uma dupla de armadores infernal.

Cavaliers soberanos

Era esperado, mas mesmo assim tem seu mérito. Os Cavs varreram os Celtics sem precisar se matar. O problema é que Kevin Love está fora das semifinais do Leste e possivelmente não volta mais nesta pós-temporada. Tudo bem que Love não era aquela máquina dos T-Wolves, mas em uma série contra os Bulls e seus quatro homens de garrafão acima da média (Noah, Gibson, Gasol e Mirotic) e possivelmente contra os Warriors, quando um ala-pivô que “abre” a quadra e arremessa de três oferece uma infinidade de possibilidades para Irving e LeBron, o amor fará falta. Tudo isso por uma jogada completamente estúpida com o glorioso Kelly Olynyk. Cruel é pouco.

Bulls e Bucks interessantes

O Milwaukee Bucks tem tudo para ser o time mais divertido da NBA em 2015/16, junto com o Utah Jazz de Gordon “LeBron nerd” Hawyard e Rudy “Dikembe” Goubert. É um time composto de caras com IMC somali, com longos braços que chegam até os pés. Prova:

2

No jogo 5, que eles simplesmente roubaram dos Bulls em Chicago, os Bucks jogaram sem um pivô por mais de dez minutos e se sairam bem. Carter-Williams não sabe arremessar. Giannis “The Greak Freak” Antetokounmpo é um ala que acertou 15,9% de seus arremessos de três – não é sacanagem, juro – na temporada regular e Khris Middleton tem como descrição no site Basketball Reference que sua posição é ala-armador, ala e ala-pivô. E você vê um jogo e confirma que é isso mesmo.

Não tem como não amar essa equipe.

Warriors sofrendo mas ganhando

Um triplo twist carpado seguido de cesta de três de ponta cabeça?

Fácil.

[/Stephen Curry]

Wizards na série mais chata

Na série das duas franquias que começaram bem e foram péssimas na segunda metade da temporada, os Wizards varreram. E é fácil de explicar: John Wall é um excelente armador nas duas pontas da quadra, top 7 na melhor safra da posição na história, Paul Pierce pode falar que não tem medo de ninguém porque ele não tem mesmo e Kyle Lowry junto com DeMar DeRozan não são tudo isso. Os Wizards, ainda vendo a ascensão do ala Otto Porter, podem ainda complicar para os Hawks. E os Raptors foram enganados pela mediocridade da Divisão Atlântico e também do Leste. Esse time precisa de mais peças caso queira ser uma verdadeira ameaça nos próximos anos.

Nets e Hawks

Essa série passou de “blergh” para “blergh, mas vou ficar de olho porque algo pode acontecer”. É isso que dá quando o claro favorito e primeiro colocado na temporada regular não está arremessando bem sendo que arremessar é tudo que essa equipe faz e do outro lado um cara que tem a mesma motivação que um suicida fazendo a coisa que mais odeia derruba 35 pontos na sua face.

Eu não sei o que são esses Nets. Sinceramente, não dá para entender. É um time odioso, liderado por um cara nojento (Deron Williams) e um bom jogador com um contrato ridiculamente alto e muitos anos afastado de seu auge (Joe Johnson). De Brook Lopez eu não vou falar nada já que ele é bom e para mim, indiscutivelmente o segundo melhor pivô ofensivo da Liga, atrás de DeMarcão Cousinsão.

Se esse for um dos times que conseguirá a façanha de ser um oitavo colocado que elimina o primeiro, eu parei.

Implosão dos Mavericks por causa de Rondo

Os Mavericks prometiam. Dirkão nos últimos suspiros, Monta Ellis e sua loucura criativa, Chandler Parsons é um bom jogador, Tyson Chandler é um bom pivô defensivo, o banco é ok, o técnico é bem-credenciado, enfim, os Mavericks poderiam ser mais do que são agora, um trem descarrilhado que por pouco não levaram uma varrida dos Rockets.

Tudo mudou com a chegada de Rajon Rondo. Não pensei direito quando apoiei a ida dele ao Texas e admito que minha visão foi borrada por causa do apreço que tenho por Rondo. Mas a verdade é que ele é o Paulo Henrique Ganso da NBA. Um ótimo jogador com talento mas que chegou 20 anos atrasado para sua profissão.

Hoje a NBA é 90% “esticar” a quadra, passar, passar, passar e achar o melhor arremesso possível. E de preferência de três. Os Warriors esticam para Curry. Os Hawks esticam para todos, principalmente Kyle Korver. Os Spurs passam, passam, passam até achar alguém livre. Raros times fazem mais um isolation para deixar a estrela resolver. Os Cavs com LeBron de vez em quando podem confiar 100% no atleticismo dele. Mas mesmo com uma fera como essa, a jogada tem grande chance de não dar certo. Diferentemente de rodar a bola e achar um sniper endiabrado praticamente sozinho.

ps: o que Kobe faz dá um faniquito nos novos teóricos do basquete: bolas longas de 2 e 30 disparos por noite são demodé.

Ai entra Rondo. Um armador que demanda a bola e puxa ela desde o fundo de sua quadra até perto da linha de três, para parar e ai fazer sua jogada. Um cara que arremessa mal de dois (44% na temporada) e pessimamente mal de três (35% na temporada) e sempre busca a assistência. O problema é que ele saiu de médias de 11 e 10 assistências por jogo para 6,5 em 2014/15.

E o pior, e aqui não tem desculpa nem dele ser um jogador da NBA dos 1980 perdido como um alien fora do seu planeta na década de 10:  ele arremessou 45% da linha de lance livre. Sabe o que é isso? Da 21 temporadas de Shaquille O'Neal na liga, o rei do lance livre pífio, que certa vez até esqueceu que tinha dois de direito, ele só teve aproveitamento pior que Rondo em uma. SHAQUILLE O'NEAL. UM PIVÔ. Que se quisesse enterrava na cara de qualquer um no mundo e ainda fazia rindo.

Além dessa queda, todo o mundo sabe que Rondo é um pé no saco que treinador nenhum aguenta, com atritos com Doc Rivers e agora Rick Carlisle óbvios publicamente.

Pois bem, o Mavericks estão fora, mas o pior para o camisa 9 é sua carreira. Ele provavelmente esperava um contrato máximo – 5 anos e US$ 120 milhões nos Celtics ou 4 anos e quase US$ 90 milhões em outro lugar – nesta offseason. Com esse desempenho, ele tem que se dar por feliz se conseguir metade disso. Mais que isso só se James Dolan drogar Phil Jackson e der mais um contrato ridículo para sua lista como dono dos Knicks ou Jim Buss, o cara que pisa no sobrenome Buss nos Lakers, ouvir Kobe Bryant, o maior fã de Rondo no mundo, e assinar mais um cheque desproporcional. E tem Sacramento também, que sempre gostou do armador.

Triste fim de Rondo. E desta coluna.

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