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Kobe Bryant falece aos 41 anos: jogador e personalidade perfeitos para sua era

Kobe Bryant Los Angeles Lakers

Crédito: Instagram/reprodução

Kobe Bryant, sua filha Gianna, de 13 anos, e mais sete pessoas morreram em um acidente de helicóptero na cidade de Calabasas, na Califórnia. Kobe tinha 41 anos de idade. A informação inicial falava em cinco vítimas. Os nomes estão sendo confirmados aos poucos. O casal John e Keri Altobelli e sua filha Alyssa, companheira de Gianna na equipe de basquete, também estavam no voo.

Quando postamos este texto, escrevemos que não tínhamos muito o que falar. Passado o choque, o que resta é relembrar a carreira de uma das maiores lendas da NBA, sem dúvida nenhuma.

Foram 20 temporadas na NBA, cinco títulos, dois MVPs de finais, um MVP de temporada regular, duas medalhas de ouro olímpicas e dois números aposentados pelo Los Angeles Lakers, o número 8 e 24. Justamente ontem ele foi ultrapassado por LeBron James na relação de maiores pontuadores da história da NBA. Só três outras pessoas pontuaram mais que ele: LeBron, Karl Malone e Kareem Abdul-Jabbar.

Depois de se aposentar, ele ganhou um Oscar de Melhor Curta de Animação por Dear Basketball.

Eu (Miguel Amado) e Bruno de Abreu Bataglin começamos o Quinto Quarto em 2012, criando o site em 2013. Desde lá junto com nossos grandes colegas que passaram pelo projeto escrevemos e falamos muito nos podcasts sobre o jogador dos Lakers. Kobe era uma lenda em atividade, com cinco anéis e na busca pelo sexto, que o igualaria ao cara que ele emulou, Michael Jordan. Sergio Arenillas ainda teve a chance de ser o que chegou mais perto do ídolo.


Quando sua carreira terminou, criamos conteúdo à beça sobre sua trajetória incrível. Fizemos uma retrospectiva temporada a temporada de sua carreira. Falamos sobre como o jogo mudou enquanto ele continuava relevante e que seguiria como exemplo. LeBron James, ao bater sua marca de pontos neste sábado, não poupou palavras para falar sobre o peso e influência do ex-jogador. Ele é unânime.

Kobe foi o jogador e personalidade perfeita para o que a NBA precisava. Depois de duas décadas de Bird x Magic e a era Jordan, não se sabia o que viria a seguir. Claro que existiam estrelas, mas Kobe Bryant foi mais do que isso. Tendo Jordan como influência completa, ele basicamente fez sua melhor imitação do camisa 23 até achar sua identidade própria.

Pular do ensino médio para a NBA exige coragem. Querer o Los Angeles Lakers, com toda a pressão, fama e distrações e após uma era com Magic Johnson e abundância de títulos, não é algo para fracos.

Tentar quatro arremessos no jogo decisivo das semifinais do Leste, como calouro, contra o histórico Utah Jazz, e não acertar nem o aro é algo negativo, mas mostra sua persistência. Voltar desse baque para ganhar três títulos seguidos, algo que não se repetiu mais, exige força.

Kobe Bryant foi perfeito porque sua entrega cativou os torcedores dos Lakers logo de cara. E torcer contra ele não era difícil também: ele errou arremessos em doses cavalares, era um companheiro de equipe difícil e Phil Jackson, seu treinador em cinco títulos, o chamou de “intreinável”. Kobe não escondia sua insatisfação e cobranças, mas não fugia da responsabilidade.

Pergunta para um torcedor do San Antonio Spurs ou do Boston Celtics o que eles sentiam quando viam Kobe Bryant em quadra: ódio, nervosismo, medo. Ele foi um vilão para 29 franquias rivais por 20 anos. Terminado o jogo, o respeito era o que imperava. 

Vencer Kobe Bryant era um distintivo de honra. Perder para Kobe era sempre justificável: como bater um jogador que parece treinar mais, se preparar mais, pensar mais e amar mais o basquete que qualquer outro ser humano?

Uma notícia dessas é uma tragédia por diversas razões. As nove vidas perdidas. Sermos privados de conhecer e acompanhar os próximos passos de Kobe, sendo que ele já era um dono de Oscar. O mais triste é ele ter passado seu amor (e obsessão) pelo basquete para sua filha Gianna e uma viagem para um jogo da equipe dela acabar por vitimar os dois.

Ainda é difícil encontrar as palavras.

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