NBA

Kings demitem Joerger e Suns confirmam Jones; franquias não irão pra frente

Nesta quinta-feira, logo após o fim da temporada regular, duas das piores franquias da NBA nos últimos anos continuaram tropeçando nas próprias pernas. O Sacramento Kings, depois de uma temporada acima das expectativas, demitiu o treinador Dave Joerger, respeitado pelo mundo da NBA e que fez bom trabalho em 2018/19.

Já o Phoenix Suns, que há anos só faz bobagem e tem um dos piores donos em Robert Sarver, confirmou a efetivação de James Jones como general manager da franquia, depois de quase um ano de interinidade.

Vamos começar pelos Kings. Mas já adiantamos que são duas movimentações que não fazem sentido para os atuais estados das franquias. E no meu post de franquias disfuncionais, já sinto vergonha por não ter incluído ambas.

Os Kings deviam continuar sem Vlade

Não dá para explicar o amor que Vivek Ranadive – um cara de história maravilhosa e que fez fortuna antes de comprar o Sacramento Kings – tem com Vlade Divac, alguém que nunca teve o mínimo preparo para ocupar o seu cargo atual.

Ser o manda-chuva de uma franquia da NBA exige uma série de ferramentas. Não adianta só ter jogado basquete em alto nível. A prova máxima disso é Magic Johnson.

Você precisa ter excelente contato com agentes, saber lidar com jogadores, contratar um head coach de qualidade, pensar na estrutura, nos contratos e ainda superar outros manda-chuvas para draftar melhor e contratar melhor na free agency.

Não é à toa que os melhores nessa posição ocupam os cargos há anos. Daryl Morey cresceu dentro do Boston Celtics antes de assumir o Houston Rockets e lá está há uma década. Sam Presti ficou anos e anos no San Antonio Spurs antes de assumir o Seattle SuperSonics e ir para Oklahoma City junto com o time. Danny Ainge tem uma década e meia nos Celtics.

É um trabalho que se aprende, sofre, erra e cresce. Vlade Divac caiu de para-quedas e foi ganhando cada vez mais poder. Por que? Ninguém sabe, já que ele demitiu treinadores, não soube estabelecer boa relação com jogadores – especialmente DeMarcus Cousins – e agora, por todos os relatos dessa demissão, quis provar seu poder logo depois de ganhar uma extensão.

Eu vou fazer um breve parênteses porque lembrei de uma coisa. Vlade Divac é o cara que disse ter recebido uma oferta melhor por DeMarcus Cousins dois dias antes de trocá-lo, mas esperou e aceitou algo pior.  PQP!!

Dave Joerger não parece ser um cara fácil e sua saída após um ano em Memphis prova isso. Mas ele é o treinador que fez um time jovem ser uma injeção de ânimo para a cidade. As 39 vitórias representam o maior número desde 2005/06. Buddy Hield começava a ser um caso perdido até este ano. De’Aaron Fox teve uma evolução clara. Marvin Bagley também foi crescendo e Joerger fez o time jogar em um ritmo alucinante e ter um ataque no Top 10 da NBA.

Não se demite treinadores assim, mesmo que você não goste dele. Porque o time gostava do treinador e não há muitos técnicos no mercado que estão esperando pela oportunidade de serem comandados por Vlade Divac.

Divac é quem menos tem que ganhar crédito por esse momento bom dos Kings. Ele já tinha batido cabeça e criado abalos sísmicos com Joerger no meio da temporada. Os Kings passaram a oportunidade de contar com Luka Doncic neste Draft – mesmo que Bagley seja bom, Doncic podia ter sido All-Star já em 2019 – e nos últimos anos dá para empilhar os contratos péssimos e trocas idiotas que o ex-pivô fez. Alguém me explica Zach Randolph por dois anos e US$ 24 milhões em 2017?

Mesmo assim o time tem um trio sólido para o futuro próximo. O problema é que com Vlade Divac, o prazo de validade é curto e a chance dessa janela de oportunidade se fechar por alguma atitude imbecil é bastante grande.

James Jones não é o GM para os Suns

Por mais que ele tenha esse título agora, James Jones não é o homem para o cargo. Depois dos anos de Ryan McDonough, que até dá para tirar Devin Booker de lucro, mas que foram recheados de poucas vitórias e muitas escolhas ruins, a equipe precisava de um profissional experiente.

Jones não tem experiência alguma. Ele era o amigo de LeBron e por isso foi para o Miami Heat e Cleveland Cavaliers e tirou anéis de campeão nessa brincadeira. Sua carreira terminou em Phoenix, ele passou para o front office e foi catapultado a GM na bagunça que são os Suns de Robert Sarver.

Acima dele, como presidente de operações, estará Jeff Bower, que foi o braço-direito de Stan Van Gundy no Detroit Pistons. Ou seja, o conselheiro de um dos piores dirigentes dos últimos anos da NBA.

Qual que é o futuro dessas escolhas? É para empolgar o torcedor dos Suns? Porque mesmo empilhando seleções altas no Draft nos últimos anos, o time não sai do porão da Conferência Oeste. Deandre Ayton jogou bem, mas ele e Booker são suficientes em um Oeste sanguinário?

Legal, o time participará da loteria para o Draft, mas de 2015 para cá o time seguidamente esteve nesse estágio e pegou Dragan Bender, Marquese Chriss e Josh Jackson.

Não é culpa dos jogadores. É culpa da infra-estrutura péssima que existe na franquia, começando pelo seu dono tresloucado.

James Jones como GM sem ter currículo algum para um time que precisa desesperadamente de um plano, contratações cirúrgicas na free agency e uma boa equipe de olheiros para melhorar suas seleções no Draft é mais uma decisão péssima. Só mais uma para a pilha delas.

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