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Caso você odeie a NBA atual, aponte o dedo para o logo aposentado Dirk Nowitzki

dirk nowitzki nash

Crédito: Instagram/reprodução

Não é tão falado quanto o pós-Jordan, com o surgimento de vários alas-armadores fominhas, que viviam e morriam no isolation. Kobe Bryant, Vince Carter, Tracy McGrady e até Allen Iverson tinham o camisa 23 como Deus na terra. Mas o pós-Malone/Barkley foi fascinante para a NBA dos anos 2000.

A posição de ala-pivô foi dominada por esses dois nomes nos anos 90. O eterno jogador do Jazz foi a 14 All-Stars e foi duas vezes MVP. Chuck foi a 11 All-Stars e tem um MVP.

Hoje dá para dizer tranquilamente que essa posição nem existe mais. Por anos jogadores foram mal avaliados por estarem em um limbo entre não terem o tamanho para serem o 4, mas não serem rápidos/ágeis/produtivos o suficiente para ocupar a posição 3.

Chris Webber era gigante, mas móvel e habilidoso. Tim Duncan era esguio, mas nunca mais veremos um jogador tão tecnicamente perfeito, um produto acabado saindo da faculdade. Kevin Garnett também tinha de peso corporal o que Karl Malone tinha de músculos. Mas ele foi crescendo em Minnesota em todos os sentidos, até se tornar uma bailarina no jogo de pés e um marechal comandando a defesa.

Dirk Nowitzki não marcaria Malone nem ferrando. Mas Malone e muitos outros jogadores tiveram verdadeiros pesadelos vendo o camisa 41 do Dallas Mavericks longe da cesta e arremessando com o toque de um shooting guard.

Não tem como fugir da seguinte afirmação: se você odeia a NBA atual, você odeia Dirk Nowitzki. Porque ele é o jogador que foi o catalisador dessas mudanças.

Muito se fala em Steve Nash sendo o dono dessa “honra”. Mas armadores dinâmicos sempre existiram. Sim, os Suns eram rápidos, mal defendiam, se preocupavam com o espaçamento da quadra e Nash era o maestro desse “caos organizado”.

Mas a posição de armador sempre teve esses caras fora da casinha. Magic era o gigante, Muggsy Bogues era o anão, John Stockton era o maestro, Gary Payton o marcador incansável, Jason Kidd não sabia arremessar no começo, Glen Rice sabia. Sempre foi uma posição que abriu espaço para maiores individualidades.

Isso não acontecia na posição 4. Você tinha o molde de Malone, o touro, pega rebote, completa o pick ‘n roll, faz dupla com outra torre gêmea. E o molde de Barkley, que já foi bastante inovador, já que não tinha altura, mas tinha habilidade, pegava rebotes e jogava perto da cesta.

Dirk Nowitzki em 2000/01, sua terceira temporada na NBA, foi o nono em bolas de três tentadas, à frente de caras como Mike Miller, Peja Stojakovic, Paul Pierce, Steve Francis e muitos, muitos outros. Um ala-pivô!! Hoje, com esse número de 390 arremessos, ficaria em 46º. Um jogador que “ocupa” a posição 4 em 2019 precisa saber arremessar de três. Caso contrário seu time não ganhará.

No momento que Dirk saia para a linha de três ou perto, alguém grande tinha que acompanhar. Isso abria espaço para os armadores e todos os outros jogadores. Seu fadeaway levantando o joelho para ganhar o espaço está pau a pau com o gancho de Kareem Abdul-Jabbar.

Para mim essa é a maior contribuição de Dirk Nowitzki. Claro que ainda é necessário falar um monte de coisas, como ele ter sido o MVP da NBA e das finais, ter mais de 30 mil pontos, ter chegado a 20 anos com um só time e ainda alcançado 21 anos.

Mas Dirk foi o cara que realmente abriu a quadra e fez a NBA mudar para essa festa de arremessos de longa distância, pouca defesa e espaço aberto no garrafão. Outros bigs arremessavam de longe. Até o pancadeiro Bill Laimbeer, dos Bad Boys Pistons, tentava de três. Dirk fazia isso a todo momento. Fez disso seu arroz com feijão. Esse é seu legado.

A mudança foi bastante gradual e até lenta e o alemão esteve presente em toda ela. Para mim, Kevin Durant é o principal beneficiado da existência do camisa 41 no Texas. Draftado em segundo pelos Supersonics, ele jogou como ala-armador na sua temporada de calouro. Essa era a NBA engessada. Hoje, nos Warriors, ele chega a jogar na posição 5. Isso era inimaginável até cinco anos atrás.

Mesmo você não sendo resultadista, um termo que agora surge em toda mesa redonda da ‘ESPN’, foi importante para o alemão ter a coroação do título em 2011. Por uma década os Mavs eram o time do quase, o alvo de chacota por seguidas derrotas em playoffs.

Em 2006, a equipe viu um Dwyane Wade em seu terceiro ano fazer o Miami Heat virar uma série 0-2 para vencer em seis jogos. Na temporada seguinte, a de MVP de Dirk, o time venceu 67 jogos, foi o melhor do Oeste e perdeu na primeira rodada para um Warriors que tinha ficado em oitavo. Esses Warriors estavam mais distante da máquina atual que eu estou da forma física do Thor.

Dirk Nowitzki não podia ter o fim de Malone e Barkley, que sem o título sempre estarão no topo da lista de gênios sem anel. O alemão destronou Wade e LeBron em uma série incrível e isso foi o suficiente para dar o toque final em sua carreira, que ainda teria mais anos sofridos pela falta de organização dos Mavs e seguidas falhas na free agency à frente.

Mas ele aguentou. Não cobrou treinador, GM e dono publicamente. Aceitou contratos menores para o resto do time ser (mal) reforçado. E, no fim, ainda pode estar presente para o primeiro ano de Luka Doncic, que será a cara do Dallas Mavericks no futuro.

Assim como Manu Ginobili, Dirk Nowitzki é unânime: ninguém tem um “AI” para falar dele. E, assim como Manu, ele foi gigante em quadra e tem todos os títulos e premiações para ser colocado entre os maiores. Como cereja do bolo, toda vez que você ligar a TV para ver a NBA nos próximos anos, saiba que Dirk Nowitzki é o culpado pelo estilo do basquete atual. Você goste ou não.

 

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