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De volta para minha terra: o retorno de LeBron James e o orgulho da apaixonada Cleveland

(Crédito: reprodução/site oficial)

(Crédito: reprodução/site oficial)

Aquele velho e conhecido ditado diz que ‘o bom filho a casa torna’. Talvez essa frase sirva para descrever a volta de LeBron James a Cleveland. Talvez não. Afinal, ele ainda precisará provar se é mesmo esse bom filho que os torcedores dos Cavaliers estão querendo.

Como disse ao site da Sports Illustrated, responsável por noticiar antes de todos a volta do astro dos Cavs, LeBron retornou por muito mais do que o esporte. Em carta escrita em primeira pessoa, o ex-atleta do Miami Heat disse: “minha relação com o nordeste de Ohio é maior do que basquete. Eu não me toquei disso há quatro anos. Agora eu sei”.

Maior estrela da NBA na atualidade, sem sombra de dúvidas, LeBron James é natural de Akron, Ohio, cidade localizada a menos de 50 quilômetros de Cleveland. Só isso já é suficiente para contar boa parte dessa “relação” a que o jogador de 29 anos de idade se referiu. Porém, isso também seria contar somente uma parte da história.

(Crédito: Instagram/reprodução)

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LeBron começou a jogar basquete por volta dos nove anos de idade e, desde então, passou a ser lapidado para posteriormente tornar-se uma rara joia. Não poderia ser diferente. No colegial, onde atuou em St. Vincent-St. Mary High School, localizado em Akron, teve médias excelentes. LeBron James chegou até a ser wide receiver no time de futebol americano da escola, mas acabou não dando sequência posteriormente à sua trajetória no esporte da bola oval. Sorte dos fãs de basquete e azar para muitos, que poderiam estar vendo ‘The King’ atuando na NFL, quem sabe.

Entrou na NBA em 2003, quando foi escolhido pelo Cleveland Cavaliers com a primeira escolha do draft. E deixou uma boa impressão logo em seu primeiro jogo como professional. No dia 29 de outubro de 2003, quando a franquia de Ohio enfrentou o Sacramento Kings fora de casa, LeBron James foi o responsável por 25 pontos, estabelecendo um novo recorde para um jogador novato saído diretamente do colegial em sua estreia, além de seis rebotes, nove assistências e quatro roubos de bola. Apesar do desempenho, o camisa 23 não evitou a derrota dos Cavs para os Kings por 106 a 92.

Mais tarde na mesma temporada, precisamente no dia 27 de março de 2004, LeBron James arrasou na vitória em casa do Cleveland Cavaliers sobre o New Jersey Nets por 107 a 104 e, na ocasião, o calouro saiu de quadra com double-double de 41 pontos e 13 assistências, além de seis rebotes apanhados e três roubos de bola. Neste jogo, LeBron James tinha exatamente 19 anos e 87 dias de idade e ele tornou-se o jogador mais jovem a chegar à marca de mais de 40 pontos em uma partida. Esse recorde antes pertencia a Clifford Robinson.

Outro show do garoto. E seria somente o começo de uma trajetória que não tinha como não ser bem sucedida. LeBron James era atlético, jogava basquete como poucos. Um esportista especial, para dizer o mínimo.

Ele passou suas primeiras sete temporadas na NBA no Cleveland Cavaliers e, neste período, teve médias de 27,8 pontos, 7,2 rebotes e 6.9 assistências por jogo, tendo liderado a franquia à final da liga em 2007, quando a equipe de Ohio acabou perdendo para o San Antonio Spurs por 4 jogos a 0.

O Cleveland Cavaliers bateu na trave e não conseguiu faturar o troféu mais cobiçado do basquete mundial. No tempo em que LeBron James vestiu a camisa da equipe de seu estado natal, os Cavs ainda chegaram à pós-temporada em 2006, um ano antes de chegar à final, e em 2008, 2009 e 2010, mas sempre a caminhada nos playoffs não foi muito longa.

Em 44 temporadas na história do Cleveland Cavaliers, a equipe se classificou para a fase decisiva em somente 18 oportunidades. Em 37 temporadas nas quais a franquia não teve LeBron James, o aproveitamento total foi de 42,5%. Já em sete temporadas com a estrela da camisa 23, os Cavs triunfaram quase 61%.

Números até servem para dar uma noção da dimensão do Rei para a equipe de basquete da cidade. Mas o retorno de LeBron a Cleveland, depois de quatro temporadas vestindo a camisa 6 do Miami Heat, significa muito mais do que algarismos. Algarismos esses que, com certeza, também serão utilizados para contar o aumento na venda de camisas e ingressos, por exemplo. Quem sabe até o número 1 dê as caras em breve na contagem de quantos títulos os Cavaliers faturaram em sua história. O tempo há de nos contar se essa possibilidade vai se confirmar.

Há quatro anos, em um programa de televisão, LeBron James, que estava sem contrato, avisou que era hora de respirar novos ares. Seu destino seria Miami, na Flórida. Ele agora era jogador do Heat e iria formar, ao lado de Dwyane Wade e Chris Bosh, o chamado ‘Big Three’.

O divórcio não foi agradável. Ainda mais da forma como ele foi anunciado, em rede nacional. Dan Gilbert, dono do Cleveland Cavaliers, não perdoou a estrela e acabou criticando duramente o astro, inclusive divulgando uma carta aberta classificando a decisão de James como uma “traição covarde” e prometendo um título aos torcedores dos Cavaliers antes de o Miami Heat ganhar um, algo que, quatro anos mais tarde, todos sabem que não ocorreu.

Apoiadores dos Cavs tiraram fotos queimando a então tão amada camisa com o nome James e o número 23 gravados nas costas. O casamento, que parecia lindo, tornou-se uma separação conflituosa, tumultuada. O gosto não poderia ser mais amargo. A joia agora seria admirada por outros olhos.

Em sete anos na agremiação de Ohio, a conquista do título não veio por muito pouco. Mas, em apenas quatro anos na franquia da Flórida, foram dois anéis. Logo na primeira temporada de James no Miami Heat, a 2010/11, a equipe foi até a decisão, mas acabou perdendo para o Dallas Mavericks por 4 a 2 nas finais. Já era um avanço, já que o time não chegava à série decisiva desde 2005/06, quando foi campeão em cima do mesmo Dallas Mavericks.

E se o caneco não veio em 2011, o futuro bem próximo reservava gratas surpresas aos torcedores do Heat. Em 2011/12, o bicampeonato veio depois que os comandados do técnico Erik Spoelstra derrotaram o Oklahoma City Thunder, de Kevin Durant, por 4 a 1 nas finais. No ano seguinte, na temporada 2012/13, era a vez do tri. O Miami Heat cruzou com o San Antonio Spurs na decisão e faturou o troféu ao vencer por 4 a 3, em uma série acirradíssima.

Nesta última temporada, o Miami Heat voltou a fazer das viagens à decisão da NBA uma rotina, mas desta vez não conquistou o que seria o quarto anel de sua história. Em nova final contra os Spurs, a equipe da Flórida não teve chances contra os inspirados texanos, que contaram com Tim Duncan, Tony Parker, Manu Ginobili e outros grandes atletas para chegarem ao mais alto escalão do basquete mundial.

Créditos: Facebook

Créditos: Facebook

Essa história de LeBron James no Heat, entretanto, o torcedor do Cleveland Cavaliers não deseja lembrar muito. Mas é nela que os fanáticos apoiadores se apoiam para reacenderem suas esperanças de um futuro glorioso. O vencedor LeBron James, agora, ainda mais do que a esperança, é o orgulho de Cleveland. Alguém que pode ser o responsável por elevar um time de uma cidade tão apaixonada pelos esportes, mas igualmente tão carente em termos de conquistas.

LeBron James não é somente um grande astro agora que ele retorna a Cleveland. O ala, desta vez, é um mentor. O líder de um time muito jovem e com tanto talento em estado bruto. Talvez seja ele a peça que falta para completar um quebra-cabeça que já tem Kyrie Irving, Andrew Wiggins, Tristan Thompson e Anderson Varejão.

Agora com 29 anos de idade, LeBron James volta à antiga casa com um currículo mais extenso e médias de 27,5 pontos, 7,2 rebotes e 6,9 assistências em 842 jogos que disputou na carreira. Estatísticas invejáveis, não?

Chegou a hora de fazer as pazes. A LeBron James, só podemos desejar boa sorte, para que ele possa continuar a nos encantar nas quadras ao redor dos Estados Unidos e até no Brasil, já que Cleveland Cavaliers e Miami Heat, por ironia do destino, vão se enfrentar no dia 11 de outubro deste ano, na HSBC Arena, no Rio de Janeiro, em partida da pré-temporada da NBA. Ao Cleveland Cavaliers e aos torcedores, só podemos desejar que curtam uma nova era na história da franquia.

É muito bom vê-lo de volta a seu eterno lar, LeBron. I’M GLAD YOU CAME!

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