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Crianças, não tentem em casa o que o Toronto Raptors fez

kawhi leonard raptors

Assisti grogue a vitória do Toronto Raptors contra os guerreiros Warriors (sim, trocadilho podre) porque onde estou já eram quase 5h da manhã. Por isso fui para a caminha e não pari algumas palavras mal-escritas. Agora, renovado pelo sono dos justos, vamos lá.

Crianças, não tentem repetir o que o Toronto Raptors fez.

Eu defendi a troca por Kawhi Leonard. Primeiro porque achava o camisa 2 incrível. Mas nunca imaginei que ele alcançaria esse nível. Ele teve média de 30,5 pontos, 9,1 rebotes e 3,9 assistências por jogo e a amostra não foi nada pequena: 24 jogos. Quer ver como isso foi absurdo? Ele subiu quase 4 pontos, 2 rebotes e 0,5 assistência de sua melhor temporada regular. Isso é ser clutch.

Mas quem esperava isso após 9 jogos disputados na temporada 2017/18 inteira? Depois de uma novela bizarra que envolveu seu tio, com seus colegas experientes de Spurs desafiando ele publicamente e sua saída nada bonita de uma organização onde ele foi campeão, esperança de sucessão de um monstro (Tim Duncan) e onde todo mundo sai só falando bem de Pop, a torcida, a direção, os jogadores, o clima, a água no bebedouro, a temperatura do chuv….

E o pagamento que o Toronto Raptors fez foi nada mais, nada menos que um dos, se não o principal jogador da história da franquia. Eu sei que muitos tem tesão por Vince Carter em um ataque saudosista que parece um pouco exagerado. Mas foi com DeMar DeRozan como principal jogador que o time bateu seu recorde de vitórias em temporada regular (59). O time também avançou para duas semifinais de conferência e uma final do Leste sempre batendo no muro em forma de pessoa chamado LeBron James. Eles foram consistentemente bons pela primeira vez na história da franquia. Não era o suficiente.

Ah, tem mais uma coisa: Kawhi só tinha mais um ano de contrato e parecia vidrado em jogar na Califórnia, onde nasceu e fez faculdade.

Ou seja, estamos falando de uma troca de risco imenso. E Masai Ujiri não só fez ela como ainda demitiu o treinador que foi eleito o melhor do ano, foi o técnico da melhor fase da história da franquia e era querido pelos jogadores.

Calma que tem mais: no meio da temporada, Masai Ujiri ainda despachou Jonas Valanciunas, draftado em quinto pelos Raptors em 2011, para o Memphis Grizzlies em troca por Marc Gasol. O espanhol já dava claros sinais de queda, teve lesões preocupantes e até derrubou treinador em Memphis. Além disso ele tem uma player option de US$ 26 milhões para o próximo ano, um valor muito mais alto que o de mercado.

Resumindo, Masai Ujiri tomou todos os riscos possíveis depois de mais uma decepcionante pós-temporada. E tudo deu certo, inclusive Nick Nurse, que as pessoas mal conheciam em 2017. Mesmo que Kawhi Leonard saia, Gasol opte pelos US$ 26 milhões e o próprio Ujiri saia (o Washington Wizards vai oferecer a Casa Branca para ele, segundo fontes), deu certo: o Canadá agora tem um título.

O mais divertido disso tudo são as franquias que vão fazer loucuras completas por acharem que estão a duas trocas do título e vão completamente sabotar seus times e seus futuros. O New York Knicks, coitado, mesmo sem nem ter chegado perto das finais da NBA foi o maior perdedor delas quando o tendão de Aquiles de Kevin Durant quase saiu de seu corpo. Aposte neles para trocas malucas tentando o mesmo que os Raptors conseguiram.

Vou tirar algumas linhas para falar dos Warriors: sua estratégia de empilhar craques foi a grande história dos últimos anos, gerando um grande ódio de muita gente. Deu certo. São dois títulos após a chegada de Kevin Durant, mais um antes, cinco finais seguidas e o lugar garantido na história, com uma dinastia que foi incrível de ver.

É uma pena que em seu possível último capítulo nós fomos privados de ver Durant e Klay Thompson, que ainda deve perder pelo menos metade da próxima temporada com seu rompimento de ligamento do joelho. Com quatro caras tão dominantes, era óbvio que o resto do elenco seria de jogadores medianos para baixo. E isso pesou, ainda mais com a queda de rendimento de Shaun Livingston e o envelhecimento de Andre Iguodala.

Entre as finais que vi, essa foi uma das melhores, não só pelo que aconteceu em quadra, especialmente no Jogo 5, mas por todas as narrativas que acompanharam os jogos. Kawhi fica? Durant sai? Curry pode finalmente ganhar o MVP das finais? Não sabemos, não sabemos e não são as respostas por enquanto.

No fim ganhou um Toronto Raptors de enorme coragem, defesa sensacional, um Pascal Siakam que pode pegar o trono de franchise player no Norte e ser o cara nos próximos anos. E ainda Kyle Lowry decidindo. Não temos do que reclamar.

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