NBA

Quem merece o troféu de Coach of the Year na temporada 2018/19?

doc rivers coach of the year

Eu prometi este texto no fim de semana, então acho que faço jus às Mercedes que vocês nos permitem comprar a cada vez que abrem o site do Quinto Quarto e leem tudo até o fim. Obrigado!

Assim como com o troféu de MVP, cuja decisão minha abrirei na próxima semana, junto com a resolução do Scalabrinão de Ouro, a premiação de Coach of the Year (o famoso COY, treinador do ano) terá uma linda disputa nesta temporada.

São muitos os candidatos que serão colocados de lado porque Mike Budenholzer irá ganhar (não há nem duvida disso).

Nem adianta se iludir. Vou explicar abaixo porque o Coach Bud já tem esse troféu lacrado. Mas vou destacar neste texto também os trabalhos de alguns treinadores que superaram expectativas e tem claro impacto no número mais elevado que o esperado de vitórias de suas equipes.

Em uma temporada que Steve Kerr (vencedor em 2015/16) não foi tão bem, Tom Thibodeau foi demitido no meio (vencedor em 2010/11) e um candidato forte em todos os últimos anos, Brad Stevens, teve seu pior desempenho nos Celtics, é incrível ver que pelo menos sete treinadores têm argumentos na disputa para Coach of the Year.

São eles:

  • Mike Budenholzer
  • Mike Malone
  • Dwane Casey
  • Doc Rivers
  • Gregg Popovich (sempre ele)
  • Nate McMillan
  • Kenny Atkinson

Mike Budenholzer

Mike Budenholzer Hawks

(Foto: Reprodução/Facebook)

Vamos tirar ele logo de cara. As escolhas dos eleitores para melhor treinador do ano normalmente não são tão simples como “quem é o melhor treinador da NBA”, porque se fosse assim Gregg Popovich teria 15 troféus.

Da mesma forma que Ronaldo Fenômeno amava as loiras nos anos 90, os eleitores amam treinadores que chegam em um time que foi abaixo do esperado na temporada anterior e levantam o nível da equipe.

O outro tipo de treinador que os eleitores amam é o que faz uma estrela brilhar como nunca antes. Mike D’Antoni ganhou seu primeiro troféu assim, com Steve Nash. Scott Brooks ganhou com Kevin Durant. LeBron James já brilhava, mas com Mike Brown em 2008/09… ok, não vou conseguir defender essa.

Portanto Mike Budenholzer é simplesmente a pessoa perfeita para ganhar o troféu de Coach of the Year. Ele pegou um time que deveria ter ido muito melhor em 2017/18 e o transformou na melhor campanha da temporada regular de 2018/19. E fez Giannis ter o caminho livre para ser o monstro, a fera, o destruidor de lares que é hoje.

Não tem como ele não ganhar o bi. O primeiro veio com o Atlanta Hawks, quando ele elevou o nível da equipe em seu primeiro ano e ganhou 60 jogos na temporada regular.

Mike Malone

mike malone nuggets

Crédito: Twitter/ Reprodução

Malone já tinha feito um bom trabalho em Sacramento antes de ser demitido, porque os Kings não gostam de bons trabalhos. No Norte da Califórnia ele teve seu maior feito na carreira aliás: fazer DeMarcus Cousins gostar de um treinador.

Em Denver ele já está em sua quarta temporada, completando toda a remodelação do elenco, inclusive transformando um pivô sérvio gordinho no armador de fato do time.

Eu já falei 10 mil vezes sobre como a NBA atual só tem três posições: playmaker (que pode ser o armador tradicional, mas também um jogador como James Harden), os jogadores de perímetro, normalmente com braços longos, bons defensores e arremessadores de 3 e os bigs.

Malone fez Nikola Jokic ser o seu playmaker. Não importa quem leva a bola até o ataque, porque perto da cesta rival ela vai encontrar Jokic e ai sim a movimentação começa de verdade.

Normalmente quando treinadores trazem ideias legais com uma pitada de inovação, sempre aparece um chato para falar que isso não tem nada de novo. Aqui no Brasil foi Fabio Carille com Jorge Sampaoli. Nos esportes americanos é você leitor chato para falar que Bill Walton já fazia isso nos anos 70 e Arvydas Sabonis cansou de ser esse cara também.

Eu sei seu chato!! Mas um dos grandes baratos da inovação é que ela sempre é uma ode ao passado e boas ideias anteriores, com um toque pessoal e o pontapé para o futuro. Steve Jobs concordaria comigo se ele não estivesse…

Jokic é uma versão atualizada de Walton e Sabonis. Com 7,5 assistências por jogo ele é o maior unicórnio que há. Ter essa ideia de jogo e implementá-la é muito complicada, tanto que nenhum big chega perto desse número de assistências. Aliás, ele é o quarto da NBA neste momento em números totais de assistências, atrás de Westbrook, Trae Young e Ben Simmons e à frente de Harden, Lillard e Irving, por exemplo.

Os Nuggets são o segundo do Oeste mesmo tendo apenas um All-Star. E colados no Golden State Warriors que tem três All-Stars e mais Draymond Green e DeMarcus Cousins. Mike Malone faz um trabalho espetacular.

Dwane Casey

(Crédito: Instagram/reprodução)

Falei do trabalho, para mim sensacional, de Casey e a surpresa que os Pistons são. Aliás, vou soar polêmico, mas os Pistons de 2018/19 tem mais o dedo do treinador que os Raptors da temporada passada, que venceram 59 jogos e deram Casey o prêmio de treinador do ano.

Sim, nos Raptors o número de vitórias importa e ele fez o banco jogar bem demais e DeRozan arremessar de 3. Mas o agora jogador dos Spurs continuou não sendo um arremessador eficiente e jogadores como Paskal Siakam eram bons e cresceriam de forma natural. Tanto que Siakam neste ano tornou-se ainda melhor.

Veja bem, não quero desmerecer Casey. É que olhando em perspectiva, o que ele faz em Detroit é milagreiro. Blake Griffin está tendo a segunda melhor temporada da carreira. Ele descobriu como deixar Griffin e Andre Drummond em quadra em uma NBA cada vez mais anti-bigs. O resto do elenco é uma piada e mesmo assim ele está em sexto no Leste.

Não é uma posição suficiente para ser o treinador do ano. Mas Dwane Casey faz os Pistons jogarem muito mais do que o esperado.

Doc Rivers

O mesmo se aplica para Doc Rivers. Depois da implosão do Big Three que eles tinham e Doc perder o controle sobre o elenco e a posição na diretoria que tinha, parecia que seu tempo nos Clippers estava contado. Mas com Jerry West no comando e Rivers focado em treinar, tudo melhorou.

A equipe começou a temporada sem estrelas, mas com vários veteranos com fome de bola: Lou Williams, Danilo Gallinari, Tobias Harris, Montrezl Harrell, Avery Bradley, Patrick Beverley e o calouro Shai Gilgeous-Alexander.

Todos eles combinaram e o time deu liga. Harris ascendeu e com 20,9 pontos tornou-se o principal pontuador do time. Ele foi trocado para o Philadelphia 76ers. Bradley também saiu. Chegou o calouro Larry Shamet e o time ainda vai ter picks. Ivica Zubac veio de graça quase.

E o time melhorou, subindo da rabeira do Oeste para a quinta posição e uma vaga garantida nos playoffs. Os Clippers têm dois candidatos a melhor reserva do ano em Williams – 20,3 pontos por jogo – e Harrell – 16,6 pontos e 6,7 rebotes em 26 minutos por partida – e Gallinari voltou a seus tempos de Nuggets, com médias de 19,8 pontos e 6 rebotes por jogo.

Os calouros Shamet e Gilgeous-Alexander tem 11,2 e 10,4 pontos de média e são o futuro da franquia. Zubac, em menos de 20 minutos por partida, tem 8,9 pontos e 7,9 rebotes. Seus números per 36 são um duplo-duplo gordo de 16,1 pontos e 14,2 rebotes.

Doc Rivers já foi treinador do ano quando ainda estava no Orlando Magic. Se ele ganhasse este ano não seria um absurdo.

Não fica assim cara….

Gregg Popovich

(Crédito: Instagram/reprodução)

Pop já tem três troféus e mesmo assim parece pouco. Ele perdeu um dos cinco melhores jogadores da NBA depois de ver seu trio de ouro aposentar/sair e mesmo assim continuará indo aos playoffs.

Sua equipe é a que mais arremessa de dois em um tempo onde todos riem de um arremesso de 2 longo porque ele vale um ponto a menos que um tiro dado um ou dois passos atrás.

Se você ver Davis Bertans, Dante Cunningham, Bryn Forbes ou Derrick White na rua, você nem perceberá ou pedirá uma fotinho. Eles foram titulares de 12, 21, 74 e 48 jogos, respectivamente.

Popovich é o maior treinador da história da NBA.

Nate McMillan

Nate McMillan perdeu seu melhor jogador, disparado, no final de janeiro. Estamos no final de março e o Indiana Pacers segue à frente do Boston Celtics e apenas três jogos atrás do Philadelphia 76ers. Esses dois times são muito mais badalados e talentosos. Mas isso não parece importar para Indiana.

McMillan fez Oladipo ser um All-Star, Domantas Sabonis fazer o torcedor do Thunder chorar e criou a melhor defesa em pontos cedidos, com apenas 104 por partida.

Mesmo que o time esteja caindo recentemente (3 vitórias nos últimos 10 jogos), o trabalho de McMillan é inacreditável. Ele perdeu seu único All-Star e o time segue com vantagem no mando de quadra para a primeira fase.

Kenny Atkinson

kenny atkinson nets

Atkinson e Sean Marks comeram o pão que o diabo amassou. Eles chegaram em uma franquia que foi assaltada, espancada e aterrorizada por uma das piores trocas de todos os tempos. Sem elenco, eles ficariam na rabeira do Leste por anos. Só que sem as escolhas no Draft, todas elas dos Celtics até 2150, não dava para tirar nada disso.

Mas Atkinson fez seus times jogarem duro. E nesta temporada ele entrega um trabalho brilhante. Os cinco principais pontuadores dos Nets são:

  • Um jogador chutado pelo Los Angeles Lakers, considerado garoto-problema e que o presidente da franquia que o draftou o trocou e disse que ele não era um líder
  • Um jogador draftado na 38ª posição pelo Detroit Pistons, jogado para a G League e contratado pelos Nets nessa situação em 2016.
  • Um jogador draftado na 36ª posição pelo Cleveland Cavaliers, foi parar na G League e contratado pelos Nets nessa situação em 2016
  • Um jogador draftado na 20ª posição pelo Indiana Pacers e trocado no dia do Draft por Thaddeus Young
  • Um jogador veterano de 32 anos, draftado em 27º, passou por seis equipes e foi trocado pelos Raptors para os Nets para cortar na folha salarial

Esses jogadores são, na ordem, D’Angelo Russell, Spencer Dinwiddie, Joe Harris, Caris LeVert e DeMarre Carroll.

Aliás, Russell e Carroll foram duas negociações motivadas pelos seus times originais querendo se livrar de contratos grandes. Os Raptors do próprio Carroll e os Lakers de Timofey Mozgov. Essa era a única forma dos Nets trazerem alguém, já que ninguém iria querer seus jogadores.

A equipe está em sétimo no Leste e terá sua escolha nesta temporada. E Atkinson mais Marks merecem uma estátua na entrada da casa de Jay-Z e Beyonce.

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