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Billy Donovan terá missão de tirar o Chicago Bulls da completa irrelevância

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O Chicago Bulls teve uma era miserável depois que Michael Jordan e toda a sua turma saíram vazados da franquia. Mas tudo bem, a torcida tinha seis títulos para lembrar antes de ir dormir sem precisar chorar até apagar. O duro é ter uma fase nojenta depois de só ter conseguido chegar nas finais do Leste. O Chicago Bulls das últimas três temporadas é o maior exemplo de irrelevância, porque esteve longe de ser uma equipe boa, mas não foi tão ruim a ponto de poder escolher Zion Williamson ou Luka Doncic. É o pior cenário possível na NBA.

Billy Donovan chega nesse contexto depois de ter disputado os playoffs nas suas cinco temporadas à frente do Oklahoma City Thunder. O começo dele não foi nada fácil: na sua primeira temporada o Thunder foi bem, chegou na final do Oeste, abriu 3 a 1 contra os Warriors e levou a virada. Kevin Durant saiu, justamente para Golden State, e em uma de suas atitudes estranhas, usando um fake no Twitter disse que não queria ser mais treinado por Donovan.

As temporadas seguintes foram de turbulências. Ele curvou seu time para Russell Westbrook, que ganhou o MVP mas isso não se traduziu em sucesso coletivo. Com Paul George a química também não rendeu um bom basquete. Mas em 2019 tudo se encaixou com uma equipe aguerrida, com Chris Paul envolvido e um belo trabalho do técnico.

A saída de Donovan foi surpreendente porque aconteceu justamente depois de ter sido eleito co-melhor treinador da temporada. O argumento “oficial” é que o Thunder irá reformular a equipe para abraçar a juventude que virá com as 500 escolhas de Draft das trocas de Paul George e Russell Westbrook.

Por isso a escolha dele pelos Bulls é estranha. A franquia venceu 33,8% dos jogos na temporada regular passada e todos os talentos que a equipe conseguiu no Draft nos últimos anos tiveram desenvolvimentos “pela metade”: Lauri Markannen, Wendell Carter Jr., Coby White e Denzel Valentine até são um núcleo jovem, mas nenhum deles explodiu. Zach LaVine, com 25,5 pontos de média em 2019/20, claramente era o franchise player e isso diz tudo sobre o estado da franquia. A NBA nem precisou se preocupar em mandar um convite para Chicago para participar da bolha em Orlando.

Se o elenco fosse isso – jovens, escolhas de Draft e espaço na folha – seria uma boa escolha de Billy Donovan, mas os Bulls tem US$ 106 milhões comprometidos para 2020-21 com esse elenco de 33 vitórias, com contratos enormes de LaVine, Otto Porter Jr – player option de 28 milhões que pode ter certeza que ele vai exercer – 13,5 milhões de Thaddeus Young, que eu nem sabia onde jogava depois que ele saiu dos Pacers e mais 10 milhões de Thomas Satoransky e 7,5 milhões de Cristiano Felicio. Somos patriotas, mas até um certo ponto.

Ou seja, é uma aula de péssima montagem de elenco. E aqui está a razão para a irrelevância dos Bulls, aliás a mesma do fim dos anos 90 e começo dos 2000. O orgulho de Jerry Krause destruiu a dinastia com Jordan, Pippen e Phil Jackson. John Paxson e Gar Forman acabaram com a era Tom Thibodeau e fizeram uma boa safra, com Derrick Rose, Jimmy Butler, Joakim Noah e escolhas inteligentes na free agency render 0 finais da NBA e todo mundo saindo puto.

Agora o botão de reset foi propriamente apertado. A família Reinsdorf, que deixa os loucos tomarem conta do asilo e só se importa em coletar o cheque da torcida, finalmente encerrou a era GarPax e trouxe Arturas Karnisovas, ex-Nuggets, para comandar a virada. Billy Donovan é sua primeira escolha.

Os dois vão ter muito, muito trabalho. Inacreditável que uma franquia no terceiro maior mercado americano e uma marca global chegue ao ponto que chegou.

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