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8 coisas que aprendemos nos playoffs da NBA (até agora)

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Não crio este texto para ser polêmico, apesar que com minha ausência neste site após dizer polemicamente que Russell Westbrook foi humilhado por Damian Lillard, não posso deixar de ser meio Mauro Cezar Pereira. André Rizek é demais porque quem quer dizer um “ai” do VAR só pode ser doente da cabeça.

Alguns destes itens podem causar discussão e o que eu mais gosto é ver que há um comentário, nem que seja para me xingar. Pode mandar bala no campo abaixo. Vamos às 8 coisas que aprendi/estou no processo de aprendizado nestes playoffs da NBA.

1) Jamal Murray é um legítimo número 2. Antes dos playoffs começarem, pensei que o Denver Nuggets era meio peso pena, apesar do pivô ser um peso-pesado em todos os sentidos possíveis. Mas junto com o meu gordo favorito, Nikola Jokic, Jamal Murray também sabe decidir jogos.

Sim, ele não faz isso em todas as partidas. Sim, ele precisa de muitos arremessos para contribuir com o jogo – o playmaker do time é Jokic, ele não pega rebotes, nem abre tantos espaços – mas seus 34 pontos nos jogos 3 (derrota em 4 OTs) e 4 (vitória) contra os Blazers foram imponentes. E ele foi bem nos jogos 4, 5 e 7 contra os Spurs.

Eu acho que essa dupla é suficiente para fazer os Nuggets pensarem em título e formar um time ao redor deles? Não. Aliás acho a mesma coisa com seus rivais nesta fase. Mas com Jokic, Murray e um bom All-Star que aceite um desconto (muito difícil), eu mudaria de ideia. Assim Murray pode ser um número 2 de qualidade e quando seu arremesso não cair, deixar esse All-Star assumir a parada.

Não tem como torcer contra um time que se forma pelo Draft e sabe como fazer trocas. Murray, para usar os Blazers como comparação, pode ser um C.J. McCollum 10% melhor.

2) Ben Simmons hoje é um All-Star inútil. Desde que Jimmy Butler chegou em Philly tive receio que ele pegasse a bola no momento da decisão e começasse a produção de tijolos em massa enquanto Joel Embiid e Ben Simmons olhavam. Pois bem, Butler está colocando a bola embaixo do braço e hoje eu torço para ele fazer isso. Simmons cada vez mais só fica no canto.

O ala/armador/algo indefinido não tem um papel em toda essa brincadeira por sua falta absurda de arremesso. Sem um tiro sequer minimamente vagabundo, ele não pode ser uma estrela na NBA, já que nos playoffs ele se torna um detalhe nos 5 minutos finais de um jogo. A menos que circunstâncias muito específicas apareçam.

Com Embiid ainda batalhando contra dores em todo o corpo e até uma gripe/virose, os Sixers precisavam de Simmons mais do que nunca. E ele me entrega um jogo de 10 pontos, 5 rebotes e 4 assistências depois de um jogo de 10 pontos que seguiu uma partida de 6 pontos em 44 minutos de quadra.

3) Mesmo que Kawhi Leonard vá embora nesta offseason, o Toronto Raptors fez certo em negociar por ele. Após mais uma vergonha contra LeBron James, algo precisava ser feito. E mesmo quase um ano depois da negociação, nós vemos como o núcleo DeMar DeRozan e Kyle Lowry não chegaria mais longe. DeRozan não arremessa de três. Lowry sente (e muito) o momento dos playoffs. Temos provas suficientes.

Enquanto isso Kawhi é o melhor jogador que o Toronto Raptors já teve. Hakeem Olajuwon quando chegou em Toronto já podia sentar em um banco preferencial, por isso não vou considerar ele. Vince Carter era incrível. Tracy McGrady foi sensacional. Os próprios Lowry e DeRozan tiveram temporadas muito boas.

Mas nenhum deles chegou perto de ter esse impacto que Kawhi tem nestes playoffs. São 32,3 pontos por jogo (nove até o momento), 7,7 rebotes, 3,4 assistências e tudo isso ainda pode ser secundário se pegarmos sua defesa e o fato que ele pode marcar qualquer um não chamado Joel Embiid nesse Leste.

Se Kawhi for embora, os Raptors pelo menos podem dizer que tentaram o título, Paskal Siakam aprendeu um ano a como não se expressar e destruir em quadra e o time pode ter uma reconstrução rápida. Precisava tentar. Kawhi dá uma chance para os canadenses.

4) Vamos para a polêmica. Hoje está muito claro quem é o Top 5 da NBA e graças a Deus todos estão correspondendo nos playoffs. Esperei James Harden ter esse jogo 4 contra os Warriors de 38 pontos, admito, para colocar ele nessa lista de 5, que tem também Durant, Giannis Antetokounmpo, LeBron James (ainda) e Kawhi Leonard.

Stephen Curry está um nível abaixo. Damian Lillard também, mas ele pode derrubar alguém caso consiga achar os espaços contra um Nuggets que está marcando muito bem ele. Nos arremessos de quadra ele acertou 5 de 17, 10 de 24 e 9 de 22 nos três últimos jogos.

Vamos falar de Steph.

5) Toda dinastia termina do mesmo jeito. Não necessariamente em derrota, mas com uma dependência cada vez maior de sua estrela, enquanto outros começam a apagar e rusgas começam a aparecer. O Real Madrid precisou de cada gota de Cristiano Ronaldo em 2018 para ter a Champions. O Barcelona hoje é totalmente Messi-dependente, algo que não era no auge com Guardiola, Xavi e Iniesta. No último ano do Miami Heat super-time, LeBron James carregava o piano enquanto Dwyane Wade começava sua decadência.

Hoje os Warriors precisam de Kevin Durant 110% porque Curry não está bem. E quando Curry não está bem, os corneteiros do Facebook ficam felizes da vida. Como eu sou uma Curryzete, digo… ele está mal para cacete mesmo.

Mas não vamos deixar de olhar para Klay Thompson, que teve um jogo 4 pavoroso, com um 5 de 15 nos arremessos que pareceu 1 de 28. E na defesa também não foi bem, não conseguindo nem de perto conter James Harden. Aliás, Durant foi o que fez melhor trabalho nesse quesito.

Os Warriors estão completamente expostos aqui, o que não quer dizer que vão ser eliminados. Ainda acho que eles são grandes favoritos, aliás. Mas tudo passa por Durant em um time que sempre soube dividir espaços e criar arremessos pela movimentação e o sistema. Hoje o time se assemelha ao Oklahoma City Thunder de 2016. Muito também porque até Andre Iguodala e Shaun Livingston não são os mesmos de dois anos atrás.

6) Kyrie Irving não pode ser o craque de uma equipe. Nós vimos toda a disfunção dos Celtics ao longo do ano. Kyrie não soube ser um líder, isso para ser simpático. Falando do jogo mesmo, nos Cavaliers, por maior posição de destaque que ele tivesse, o time era de LeBron e ele podia ser o sniper, assumindo o ataque por uma sequência de minutos enquanto o camisa 23 fazia de tudo em quadra.

Caso ele realmente vá para o New York Knicks com Durant, ele terá a mesma situação. Com os Celtics tendo três alas que são bons, mas mais complementares que estrelas por si só neste momento (Tatum, Brown e Hayward, que parecia ter voltado a ficar 70%, mas está péssimo nesta série), Kyrie é um sniper com munição limitada, já que a bola para quando chega em suas mãos e a atenção da defesa será focada nele.

Nos Cavs, LeBron puxava olhares. Kyrie sabe arremessar de três, mas ele não é Curry ou Lillard: ele precisa sempre da ameaça da infiltração, onde ele é genial e até melhor que os dois citados. Sem caminhos abertos como em Cleveland, sua vida fica muito mais difícil.

Hoje todos sabem que o arremesso será de Kyrie. Os Celtics são previsíveis no ataque e quando o barco começa a afundar, ele logo vai com tudo para o fundo do oceano. O Titanic que é a temporada de 2018/19 de Boston está prestes a ser irrecuperável

7) Um bom treinador faz o mediano ser muito útil. Rodney Hood apareceu bem para os Blazers nestes playoffs. George Hill está jogando demais na ausência de Malcolm Brogdon nesta série dos Bucks contra os Celtics. Ano passado, com o uniforme dos Cavaliers, ambos não jogaram nem 20% do que produzem hoje.

Esses dois casos mais o de Oladipo e Sabonis no Thunder – e pode botar Enes Kanter também – são representativos de como jogadores podem ser completamente apagados se chegam em um time com um treinador limitado, sem um sistema definido. Nos playoffs, um jogador desses pode decidir uma partida e até Seth Curry e seu arremesso de três pode ter grande valor.

Por alguma razão, os Lakers chamaram Tyronn Lue para ser treinador (ainda não foi fechado, mas pelo visto só falta a assinatura). Billy Donovan continua empregado no Thunder.

8) Nikola Jokic é o humano mais legal de se ver jogar basquete hoje. Seu tiro de três faz o arco atingir o teto do ginásio. Ele tem mais visão de jogo que muitos armadores. Ele finaliza com ambas as mãos. Ele pega rebotes. Ele corre e dá para ver claramente a presença de um peitinho. Jokic merece todas as honras e com certeza hoje é uma super-estrela. Ele é o Arvydas Sabonis que a NBA não teve a chance de ver no auge (será que aparece um Oscar 2.0?)

Giannis não é humano. Que fique claro isso antes que alguém diga que o grego é o mais legal de se ver. Prova concreta:

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