Coluna Bullpen

A reconquista de Seattle

 

Crédito: USATSI

Crédito: USATSI

Cidade dos nerds, Seattle não vinha obtendo muito sucesso nos esportes americanos neste milênio. Na NBA, perdeu o Supersonics. Na NFL, o Seahawks passou algum tempo fora dos playoffs. Na MLB, o Mariners é um dos times mais zoados. Mas, de repente, esse cenário parece mudar.

A escolha por Russell Wilson no draft já rendeu seus frutos: o quarterback conduziu a franquia ao tão sonhado título do Superbowl, levando à loucura a torcida, que se orgulha de atuar como o 12º jogador do time. E o Mariners tenta fazer o mesmo, não com um novato, mas apostando uma fortuna de US$ 240 milhões em um jogador que está no auge da carreira e que precisa de um grande desafio para provar de vez seu valor: Robinson Cano.

Cano defendeu os Yankees por nove temporadas e foi se tornando cada vez mais importante para o time. Com as recentes lesões de Alex Rodrigues, Mark Teixeira e Derek Jeter — suspensões, também, no caso de A-Rod –, tornou-se, em muitos momentos, protagonista. Até porque é de ferro: ficou de fora de somente 14 jogos nas últimas sete temporadas.

Os números ofensivos foram representativos. Em sete de suas nove temporadas nas grandes ligas, rebateu pelo menos 30% das passagens pelo bastão. Já são 204 HR, 822 RBIs e 1649 rebatidas em 1374 jogos.

O dominicano já se apresentou em Seattle e começou a preparação para a primeira temporada sem o uniforme branco e azul-marinho. A primeira mudança aparente em sua postura está no visual: a barba. Para quem não sabe, o Yankees, com sua tradição militar, obriga todos os jogadores a entrarem em campo barbeados. Na costa Oeste, Cano já ostenta uma pelugem de gosto duvidoso na face.

Crédito: Reprodução / Twitter Seattle Mariners

Crédito: Reprodução / Twitter Seattle Mariners

Outra coisa que ele precisará mostrar é uma mudança em sua postura no campo. Claro, no bastão, ele é inquestionável. O problema é na hora de correr.

Nesta semana, Kevin Long, técnico de rebatedores dos Yankees, criticou Cano por não dar 100% de si para chegar à primeira base ou para catar uma bola rasteira rebatida em sua direção. Disse que Derek Jeter conversou várias vezes com ele, mas não houve a resposta esperada.

Lloyd McClendon, que estreia no cargo de manager dos Mariners neste ano, sabe que vai precisar construir em torno de Cano o time. A ideia é colocá-lo em terceiro na ordem de rebatedores, seguido por Corey Hart — excelente rebatedor que chega do Milwaukee Brewers.

Uma dupla boa para tranquilizar a rotação titular encabeçada por Felix Hernandes e Hisashi Iwakuma.

Esse é o objetivo que a direção de Seattle para obter retorno dentro de campo com Cano. Fora de campo, há outra meta, que precisará ser alcançada para haver o retorno financeiro da contratação: encher o estádio. O Safeco Field teve um público total de 3,5 milhões em 2001 e 2002, suas melhores temporadas. Nas duas últimas, só 1,8 milhão compareceu ao campo para ver os jogos. Em 2001, o time venceu a divisão com 116 vitórias na temporada regular e Ichiro Suzuki, rookie daquele ano, brilhando na chegada à MLB.

É um plano ambicioso e, sem dúvida, muito legal ver uma cidade passando a respirar o esporte. A NFL mostrou como o povo de lá pode abraçar a causa e empurrar o time. No beisebol, esse suporte essencial para levantar um time que perdeu mais jogos do que venceu em 26 de suas 37 temporadas na MLB e só foi aos playoffs em quatro oportunidades. É só, dentro de campo, os jogadores indicarem nos primeiros meses da temporada que vão mudar essa história.

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