Coluna Bullpen

O fim de uma era no Bronx

 Por Renan do Couto

Crédito: Divulgação / Facebook

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1º de abril de 1996: se alguém dissesse que quatro novatos do New York Yankees liderariam o time rumo a uma de suas fases mais vitoriosas, certamente pareceria uma brincadeira de dia da mentira. Mas, naquele Opening Day, a mágica começou a acontecer com o jovem shortstop da camisa 2, Derek Jeter, batendo um HR.

Nas quase duas décadas que vivemos desde então, Jeter, Mariano Rivera, Andy Pettitte e Jorge Posada se tornaram símbolos de uma franquia. Pettitte chegou a deixar o Bronx para defender o Houston Astros, mas voltou para casa. E, em 2014, esse ciclo chegará ao fim.

Jeter anunciou na última quarta-feira que vai se aposentar dos gramados no fim de 2014, aos 40 anos. Encerrará uma carreira extremamente vitoriosa, digníssima, que o colocará no Hall da Fama na primeira oportunidade, em 2020.

Num período em que os rebatedores ditaram o ritmo do jogo, os números de Jeter nunca foram tão expressivos neste sentido. Mas a determinação, a garra e a constância do jogador fizeram com que ele se tornasse tão respeitado e admirado — não só por fãs dos Yankees. 2602 jogos, 3316 rebatidas, 256 home runs, 1261 corridas impulsionadas, 348 bases roubadas, 31,2% de aproveitamento no bastão e 38,2% de on-base percentage.

Nunca correu sem vontade para a primeira base: a vontade de ver o árbitro abrir os braços sempre o fez dar o máximo de si.

Essa foi uma das razões que levou os Yankees a nomearem Jeter o 14º capitão de sua história. Isso foi em 2003, oito anos após a aposentadoria do capitão anterior, Don Mattingly. E, ano após ano, Jeter se tornou um símbolo.

É bem verdade que os bombers enfrentaram uma fase de vacas magras entre 2000 e 2009, ano do 27ª título na World Series. Mas, nessas últimas temporadas, o capitão protagonizou duas caças a números que ficaram marcadas: tornou-se o maior rebatedor dos Yankees, superando Lou Gehrig e chegou a 3000 rebatidas na carreira.

A 3000ª rebatida, aliás, veio em grande estilo, ressaltando o sangue frio de Jeter: na primeira oportunidade que teve, numa tarde ensolarada no novo Yankee Stadium, bateu um HR. Fez a alegria do torcedor que pegou a bola nos bleachers e ganhou ingressos para assistir aos jogos atrás do dugout pelo resto da temporada.

Mas, por mais que os números ofensivos de Jeter tenham sua importância, é impossível definir por isso o capitão. Foi na defesa que ele deu sua maior contribuição para os Yankees e para os fãs de beisebol.

A posição de shortstop é a posição mais difícil do esporte, exige muito raciocínio rápido e, principalmente, habilidade atlética. Nisso, ele sempre foi impecável. A marca registrada, o arremesso no ar enquanto se distancia da primeira base, cansou de eliminar rebatedores. E há duas jogadas inesquecíveis: o mergulho nas arquibancadas, que rendeu hematomas, e um cutoff num jogo contra os A’s nos playoffs de 2001, certa vez definida como “a jogada mais espetacular que você vai ver um shortstop fazer”.

Como retratado na Bullpen da semana passada, Jeter tem mostrado uma imensa vontade de voltar a atuar em alto nível após as lesões que o atrapalharam em 2013 — foram só 17 jogos. Independente disso, 2014 será um ano de muitas emoções para ele, para os torcedores dos Yankees e, por que não, para os fanáticos por outros times. Assim como ocorreu com Mariano Rivera no fim do ano passado, Jeter merece todas as homenagens do mundo nessa despedida do beisebol.

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