Coluna Bullpen

MLB: Tempo para arremessar e tempo para pensar

O arremesso é principal movimento do beisebol, sem ele não existem strikes, home runs e toda a movimentação dentro de campo. É um lance de muita estratégia, coordenação e explosão, leva-se muito tempo para atingir uma perfeita harmonia de movimentos que gerem um lançamento preciso e perigoso.

No jogo não é diferente, o arremessador precisa de concentração, precisa de tempo e precisa da paciência de quem assiste. É exatamente nesse ponto que a MLB quer interferir. A liga norte-americana acredita que os jovens, principalmente, não possuem tanta paciência assim para ficar esperando o arremessador chegar ao seu tempo e pretende instituir um tempo máximo para que o arremesso seja feito.

As ligas menores foram escolhidas para o teste por serem um grande celeiro de jovens e por não possuírem capacidade de rejeitar a iniciativa, coisa que nas grandes ligas é enorme.

De acordo com a MLB, o tempo máximo entre arremessos ainda não foi estipulado e deve ser divulgado nos próximos dias. Com essa medida, a liga que tornar o jogo mais ágil e mais interessante para quem assiste.

Contudo, a iniciativa não para aí, visto que outras manobras dentro do jogo consomem muito tempo e também desviam a atenção. Por isso mesmo, o tempo entre as entradas, o tempo para troca de arremessadores e a quantidade de visitas ao montinho devem ser estipuladas, tudo para o bem da audiência, não necessariamente para o bem do esporte.

E é nesse ponto que a proposta recebe uma rejeição enorme por parte dos jogadores, técnicos e dos donos das franquias da Major League Baseball. Muitos acham que a duração dos jogos não interfere no telespectador, que já espera cinco meses para ver as bolinhas serem arremessadas e rebatidas.

Além disso, a cadência do arremessador é parte fundamental do jogo. Se o torcedor fica alheio a toda essa espera, o mesmo não se aplica ao rebatedor, que fica incomodado, irritado, intimidado e tem de reagir a tudo isso com uma rebatida.

O que realmente incomoda os “atores” do espetáculo são as paradas para os comerciais e anúncios, mas nisso a liga não irá mexer, ela prefere alterar a mecânica do jogo ao invés de mexer no bolso.

Nada contra a política financeira da liga, mas o esporte não pode ficar a mercê do capital, ou ao menos não deveria se rebaixar tanto.

Mudanças pautadas nas necessidades dos jogadores, sem deixar de lado o conforto do público, devem ser a prioridade e a MLB precisa transitar entre ambos, de forma a tornar o jogo mais dinâmico e interessante.

O cronômetro será testado e só o tempo dirá se a iniciativa vingará nas grandes ligas. O certo é que o tempo do beisebol está para ser mudado e é chegada a hora de separar um tempo para se pensar na questão.

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