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Free agency muda e jogadores valem menos na era dos analytics

MLB free agency

Desde a free agency de 2017 para 2018 eu vinha observando uma mudança em como as equipes operavam e isso só se confirmou na última offseason. Eu queria fazer um texto sobre isso, marquei para escrevê-lo um dia após a abertura da temporada e o comissário Rob Manfred deu uma declaração que caiu como uma luva.

“Obviamente as equipes estão dizendo que Bryce Harpers, Mike Trouts, esses agentes livres, como Manny Machado, eles têm um valor tremendo. O preço é decepcionante para alguns jogadores, mas este é o mercado. Essa é uma questão geral. Isso significa que alguns vão receber muito e outros vão receber pouco. Agora as equipes têm os algoritmos e eles veem a sua performance, sua idade e lhe dizem por base em uma previsão o que você receberá”, declarou o executivo sobre a free agency.

Uma coisa está clara: após a implementação de penas mais pesadas para quem ultrapassar o limite do luxury tax, ninguém quer arcar com esses custos extras. Eles são punitivos e isso pode vir a dar mais justiça na disputa, assim como acontece na NFL. No entanto, isso trouxe um problema para os jogadores: salários menores e movimentos mais pensados.

Com um limite para gastar e a ampla base de dados sobre os atletas, os executivos ponderam cada vez mais cada decisão. Não dá mais para gastar US$ 161 milhões com Chris Davis, uma máquina de sofrer strikeouts. Ou US$ 153 milhões com Jacoby Ellsbury.

Assim, os grandes nomes vão ser os que receberão o maior montante – vide contratos de Harper, Machado e Trout – e os nomes de mercados secundários terão que aceitar acordos menos vantajosos. A época de vacas gordas acabou.

Cada vez mais os jogadores vão evitar a free agency e aceitarão o primeiro grande contrato que verem em sua frente. E as negociações se arrastarão porque todos os aspectos serão analisados e os agentes irão fazer seu máximo para conseguir cada centavo a mais.

Dado esse cenário que é inegável e que, pelo visto, ele não mudará, aqui entra um ponto chave. Seis anos de serviço na MLB para um jogador poder ir para a free agency é um crime. Muito provavelmente Kyler Murray abandonou o beisebol por causa disso. A NFL e a NBA dão dinheiro para seus astros imediatamente.

“A única grande ferramenta do nosso sistema econômico que permite mercados pequenos competirem é o período de seis anos. Com exceção da arbitragem, os custos são previsíveis. Isso permite os mercados menores competirem”, falou Rob Manfred sobre o assunto.

O ponto até chega a ser justo, entretanto, as franquias começaram a ludibriar a regra, segurando um potencial astro as ligas menores para não contar dias de serviço na MLB. O caso de Vladimir Guerrero Jr. no Toronto Blue Jays parece ser esse e tudo indica que é.

Então, reduzir esse tempo poderia ser muito benéfico para os atletas e para o esporte que pode entrar em colapso se não se entender com a Associação de Jogadores até a próxima negociação do acordo coletivo. E tanto é verdade a insatisfação de ambas as partes que elas estão conversando sobre alterações que já começaram a ocorrer.

Sobre a falta de dinheiro no mercado, também é preciso combater o tanking (perder de propósito) e isso é algo que falaremos em breve em um texto sobre draft, que tem relevância sim na MLB. Os times não podem apenas perder e deixar de investir para um dia montar uma equipe. Isso mata o esporte e deixa estádios vazios.

“Tanking é a palavra que menos gosto no inglês. Eles (os times) sabem que, do ponto de vista dos dados, assinar um acordo de um ano e US$ 15 milhões com um jogador pode dar uma ou duas vitórias a mais, mas isso não vale o investimento”, comentou Manfred sobre várias equipes estarem buscando fazer reformulações que destroem todo o elenco, como o Miami Marlins fez. Seu comissário, se isso é verdade, vamos tratar o assunto e fazer as franquias se reforçarem de verdade.

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