Coluna Bullpen

A conturbada relação entre Yasiel Puig e o baseball profissional

A temporada de 2013 entrou para a história como o ano em que o Boston Red Sox ganhou seu oitavo título de World Series, certo? Errado. A última temporada vai ficar marcada pelo surgimento de um astro, de um gênio indomável, de Yasiel Puig.

O cubano tomou de assalto o mundo do baseball, que ainda tenta, em vão, compreender sua ferocidade e paixão pelo esporte. Puig fugiu de Cuba para jogar na MLB, a liga mais respeitada, que mais paga e a que mais provoca decepção e sonhos no universo das luvas e tacos.

Sua estreia foi espetacular. Puig conseguiu uma eliminação dupla do distante outfield, encerrando o jogo e decretanto a vitória dos Dodgers. Na sequência dos jogos, o jogador acertou um grand slam e foi atingindo – de propósito? – no rosto por uma bola rápida. Seu primeiro mês na liga foi um furacão de números: .440 de aproveitamento no bastão, oito home runs. Mais do que números, Puig foi a faísca que inciou o renascimento dos Dodgers na temporada, levando a franquia aos playoffs e salvando o emprego do seu manager. Yasiel Puig jogou com todas suas forças, de forma agressiva, com total comprometimento e com uma alta dose de rebeldia.

Todavia, a incontrolável vontade de Puig também causou problemas. Don Mattingly, manager da equipe, não consegue enquadar o atleta. E a disciplina dentro de campo é fundamental no baseball. O jogo é coletivo e o time é formado por especialistas, cada um com a sua função, com pouco espaço para a ousadia e o improviso. Puig passou a dar dor de cabeça na comissão técnica e a frustar seu própios companheiros.

Não por isso, os Dodgers foram eliminados nos playoffs e Puig ganhou o direito de curtir sua off season à sua maneira. Abusos, prisões e muita especulação. Veio a pré-temporada e tudo parecia calmo e tranquilo, um cenário que não combina quando o cubano está por perto. E realmente a calmaria não durou muito.

Puig chegou atrasado nos treinos e ficou de fora de algumas partidas em 2014. Seu rendimento não é mais espetacular e a paciência dos seus chefes está indo por água abaixo. Puig está domado, enjaulado e isso prejudica seu potencial. Para brilhar sua ferocidade precisa ser lapidada, mas jamais cortada. Assim como um anti-herói. Seus defeitos são suas qualidades.

Em resumo, a história do herói Puig começou arrasadora, mas no meio do caminho tinha um vilão mortal e superpoderoso: O Profissionalismo. Pelo menos o fim dessa história ainda está longe de terminar e os fãs do baseball não perdem por esperar.

 

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