Coluna Bullpen

Bullpen: nova regra, perseguição, sem punição e violência doméstica

Em minha segunda publicação da coluna de quarta-feira – antes era de sextas-feiras – vou tentar um estilo diferente, nunca feito pela minha pessoa. Vou comentar alguns temas marcantes recentes em alguns parágrafos em vez de abordar apenas um tema e me debruçar apenas nesse assunto.

Então, não farei aquela tradicional introdução do tema nesse parágrafo, apenas irei revelar os assuntos que serão tratados nas próximas linhas que você irá ler. Abordaremos a reversão da suspensão de Chase Utley, a nova regra de carrinho na segunda base, as primeiras punições sob a nova regra contra violência doméstica e o que podemos pensar sobre as acusações de Jenrry Mejia em relação a uma suposta perseguição da MLB.

Livre para jogar

A MLB anulou a suspensão de Chase Utley, segunda base do Los Angeles Dodgers. O gancho havia sido emitido após uma entrada criminosa (vídeo abaixo) em Ruben Tejada – shortstop do New York Mets – nos playoffs.

No momento da suspensão, a nova regra – próxima item a ser discutido – não estava em vigor e Joe Torre, executivo da MLB, alegou que Utley não violou a regra e que o mais importante era que “eliminamos a cena de jogadores saindo de campo carregados”.

De cara indico que discordo com a decisão da liga. Mesmo a jogada sendo aceita na época, a entrada foi CRIMINOSA. Não foi o carrinho tradicional com o corpo deslizando na terra até acertar o corpo do adversário com aquela mão migué, indicando o falso desejo de querer chegar na base. Na jogada o atleta dos Dodgers voa diretamente no pé de Tejada, fazendo um movimento de tesoura. E, na minha opinião, o que piora a situação é que o jogador estava “atrás” da base e não ao lado – isso na visão do corredor.

Carrinho com regras

A nova regra de carrinhos para impedir a jogada similares a falada acima é apenas uma forma deixar claro o que se pode fazer e o que não se pode. Caso alguma regra seja descumprida, os dois jogadores – quem deu carrinho e o rebatedor – são eliminados.

Não precisa nem falar que já estava na hora de uma decisão dessas ser tomadas. Inclusive, a decisão poderia já ter sido tomada quando mudaram as regras de bloqueio do home plate por parte dos receptores. Entre as principais mudanças eu cito:

– Tem que começar o movimento antes de atingir a base – algo que Utley não fez;

– O corredor tem que ter condições de permanecer em base, ou seja, não é dar o carrinho e terminar 4 metros de distância da base – outra coisa longe de acontecer no lance do atleta da franquia de Los Angeles; e

– Não poder fazer o movimento com a perna alta, o que aumenta o risco de lesões.

Punições por violência doméstica

Ouso dizer que Rob Manfred, comissário da MLB, em pouco tempo vem fazendo um ótimo mandato com mudanças em políticas e regras de jogo. Uma das mais acertadas foi punir jogadores por atitudes extracampo, algo já tradicional da NFL (National Football League), maior liga de futebol americano dos Estados Unidos.

Os casos mais recentes foram de Aroldis Chapman, que foi suspenso por 30 jogos por uma suposta agressão a sua namorada e por disparar oito balas em sua garagem, e Jose Reyes, que foi colocado em licença administrativa e deverá ser suspenso após a conclusão de seu julgamento por agredir sua esposa.

Em primeiro lugar, apoio as decisões porque o jogador representa a liga e o esporte. Qualquer coisa que ele faz será mencionado o fato dele ser um atleta de beisebol e a organização que o contrata será citada. Em segundo lugar, mas especificamente em relação a punição para violências domésticas, porque não podemos permitir que esse tipo de coisa aconteça, então se criminalmente nada acontece, cabe a liga proteger sua reputação e ter pulso firme. Vou além, as franquias, mesmo que sejam “prejudicadas” em campo, não podem aceitar esse tipo de situação. O esporte não pode ser um cumplice de atitudes inaceitáveis.

Espero agora que o rigor continue sendo mantido e não seja apenas para mostrar serviço no início do vigor das novas regras. Além disso, um julgamento justo, com chances de defesa e apelação, deve acontecer, pois o comissário não pode ser um ditador.

Banimento armado?

Jenrry Mejia, ex-reliever que foi banido de forma vitalícia por ser pego três vezes no doping em menos de um ano – este é o primeiro caso de banimento sob o vigor da nova política de substâncias proibidas -, acusou a MLB de ter perseguido ele, o ameaçado e ter sido vítima de uma verdadeira caça às bruxas.

Em primeiro lugar, digo que não tomarei um partido dizendo que um lado está certo, pois não tenho provas, mas tentarei colocar fatos e questionar as situações.

Para começar, Mejia é da Republica Dominicana e sempre que dá declarações está com um interprete, o que dificulta a comunicação e reduz as chances do jogador se defender de situações constrangedoras. Nesse ponto de vista faço referência principalmente às alegações de que ameaçaram ele de acharem um terceiro teste falho caso ele recorresse da suspensão.

O arremessador de bullpen foi pego em três exames em menos de um ano, sendo que competiu apenas sete vezes. Minhas dúvidas: por que a liga, que só soltou um comunicado negando, não disponibiliza os resultados para provar as falhas? É normal fazer tantos testes com um jogador fora de competição? Outros jogadores foram submetidos a, pelo menos, três testes em um espaço de um ano?

Não estou dizendo que o jogador está certo, no entanto acho que a liga, quando acusada de algo tão grave, precisa se defender. Caso seja mentira, processe Mejia por difamação, até porque o nome da liga é manchado quando declarações desse tipo surgem.

Infelizmente nos resta esperar para saber o que acontecerá no futuro e quem está certo, contudo o atleta de 26 anos contratou um advogado especialista em litígio laboratorial, o que pode resultar em um possível processo.

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