Quinta Descida

Quinta Descida: o porquê de Celtics, Hawks e Bucks estarem nos playoffs

(Crédito: Instagram/Reprodução)

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A temporada regular da NBA finalmente terminou. Nesses seis meses de basquete, algumas equipes foram uma decepção profunda (Phoenix Suns para mim foi a maior), outras caíram pelas tabelas por culpa do acaso (Thunder e lesões, Pacers e lesões e Heat sem LeBron) e, do outro lado, franquias surgiram ou ressurgiram e continuarão jogando mais um pouquinho nesta temporada.

Três equipes chamaram minha atenção neste período por exibir um basquete de qualidade, o que não esperava ou não achava que chegaria ao nível que chegou. Não coloco os Warriors nesta lista porque todo o mundo sabia que a equipe era ótima, só não sabíamos que seria tão histórico. O mesmo não se pode dizer do Milwaukee Bucks, do Boston Celtics e até do Atlanta Hawks, líder do Leste e dono de um campanha de 60 vitórias.

Há várias razões para o sucesso dessas três franquias. Trabalho dos treinadores é o comum.

Boston Celtics 

Uma reconstrução na NBA pode demorar anos e anos. O Philadelphia 76ers que o diga. Mas em Boston, menos de dois anos depois das trocas de Kevin Garnett e Paul Pierce e meses depois de terminar a limpa com Rajon Rondo e Jeff Green despachados, a equipe volta aos playoffs.

Palmas para Brad Stevens, que recebeu bagre atrás de bagre e alguns jogadores ok e tirou o máximo deles. Só para exemplificar, Luigi Datome, moeda de troca na ida de Tayshaun Prince para Detroit, que já tinha sido moeda de troca para a ida de Green para Memphis, fez 22 pontos ontem.

Isiah Thomas não é bagre. Na verdade é um achado de Danny Ainge. Ele assinou um contrato ótimo, relativamente baixo, para ir para os Suns na última offseason e não deu certo lá porque a equipe já tinha Goran Dragic e Eric Bledsoe. No fim esse contrato bom veio para os celtas e mesmo continuando saindo do banco, ele tem média de 19 pontos por jogo em apenas 26 minutos por partida. Depois de sua chegada e principalmente com sua afirmação como ameaça na pontuação o jogo da equipe melhorou e a corrida para os playoffs foi bem-sucedida.

No jogo abaixo você pode ver alguns lances dele destruindo seu ex-time em Phoenix, com uma raiva normal de quem foi trocado no meio da temporada. Thomas na pós-temporada sairá do banco já que os titulares na armação são Marcus Smart e Avery Bradley. Mas espere um sexto homem pontuador para encher a paciência da defesa dos Cavaliers.

Milwaukee Bucks

Já estou na inglória missão de comprar uma camisa de jogo dos Bucks, porque este é o time do futuro. Com a lesão de Jabari Parker, escolha número 2 do Draft de 2014, outros jogadores ganharam um pouco mais o holofote. O exemplo máximo é “THE GREEK FREAK” (apelido absurdamente sensacional). Giannis Antetokounmpo sabe jogar perto da cesta (64,9% quando está de 0 a 3 pés da cesta), tem braços absurdamente longos, é um ala de 2,11 m e nasceu EM 1994. EM DEZEMBRO AINDA. Sabe a Copa de 1994? A mãe de Giannis tava no terceiro mês de gestação quando Baggio errou o pênalti. Se ele trabalhar o arremesso de três, que hoje é inexistente, será All-Star por uma década.

Jason Kidd tem que receber o que merece pelo seu trabalho este ano, pegando a pior equipe da NBA em 2013/14 e levando para uma campanha 50%. Giannis não é o único tutelado que foi bem. Brandon Knight antes da troca para Phoenix estava jogando muito bem, Khris Middleton (23 anos) terminou em alta e Michael Carter-Williams, apesar de ter um arremesso péssimo em aproveitamento, tem tudo para evoluir. Afinal, Kidd sabe algumas coisinhas sobre a posição de armador.

Atlanta Hawks

Eu poderia estar aqui matando, roubando, destacando Jeff Teague, Kyle Korver, Al Horford ou Paul Millsap.
Veja esse vídeo abaixo e entenda o que são os Hawks hoje e entenda o porquê dos epítetos “Spurs do Leste”, “Mini-Spurs” ou “qualqueroutracoisaSpursporqueelespassamabolaquenemdoidoseotreinadorfoiassistentedoPoppor15anos”.

Esse time de Atlanta é bastante engraçado de se ver. Eles tem Jeff Teague, que é o “tradicional armador moderno”. Sim, tradicional moderno, não o tradicional tradicional como John Stockton, que é uma espécie em extinção, mas aquele armador incisivo, habilidoso, que busca a cesta e não a assistência. Não dá para dizer que eles são um fato novo porque Tony Parker já faz isso há anos e não foi o primeiro.

Mas eles tem Al Horford, que é uma ameaça perto da cesta e também longe dela. E é um dos melhores pivôs assistentes. Millsap é outro que apesar da altura próxima de 2,10, também arremessa de longe. E isso adiciona pra caixa de ferramentas que já tem o melhor chutador de 3 da liga em aproveitamento, Kyle Korver e coadjuvantes bons, como DeMarre Carroll.

Ou seja, a força dos Hawks são os snipers no elenco. Mas se precisar, tem as penetrações de Teague e o jogo de garrafão mais tradicional. E é por isso que a equipe terminou com 60 vitórias.

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