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Mesmo após uma eliminação traumática, o Brasil não fez feio no Mundial

(Foto: Reprodução/FIBA.com)

(Foto: Reprodução/FIBA.com)

“Não podíamos acabar deste jeito”, disse o técnico Rúben Magnano após a fatídica derrota da Seleção Brasileira para a Sérvia por 84 a 56. O resultado justificou bem o que foi a partida em si, mas não faz jus a campanha brasileira no Mundial.

É difícil julgar a seleção agora, depois de um resultado tão acachapante. Porém, também temos que lembrar o que foi feito de bom durante este Mundial. Vale lembrar que o Brasil chegou como convidado para a competição e caiu no grupo mais difícil.

Sim, ano passado, na Copa América, a Seleção Brasileira deu vexame, jogou mal e não conseguiu a classificação para o Mundial. Contudo, para a sorte dos jogadores e da comissão técnica, o Brasil recebeu um convite para participar do campeonato.

Querendo apagar esta grande vergonha, Magnano fez um ótimo trabalho de preparação para a Copa do Mundo.  Cerca de 40 dias antes do início da Copa do Mundo, o elenco da seleção se encontrou em São Paulo para fazer exames e iniciar os treinos. Além disso, o time fez amistosos contra equipes de alto nível mundial como Argentina, Eslovênia e Estados Unidos.

Vale lembrar que foi apenas a segunda vez que o Brasil conseguiu reunir sua força máxima entre os convocados. Assim como nas Olimpíadas de 2012, Magnano teve os melhores à disposição, o que é muito raro de acontecer.

Mesmo assim, as perspectivas para o Mundial não eram as melhores. Em um grupo com as tradicionais Espanha, França e Sérvia, além do Egito e Irã, não eram animador. Contudo, o Brasil fez uma grande primeira fase. Viveu alguns altos e baixos contra França e Sérvia, principalmente no terceiro quarto contra a Sérvia, não teve dificuldades contra Egito e Irã e só foi derrotada pela Espanha, o que já era um resultado esperado.

Classificada como segunda no grupo, o Brasil teria que enfrentar a Argentina nas oitavas de final. Sim, os “hermanos”, os grandes carrascos brasileiros no basquete nos últimos anos. Quando a seleção começou jogando mal logo de cara contra os argentinos, grande parte das pessoas já dava a partida como perdida. Foi aí que a defesa, que vinha sendo uma das melhores da competição, começou a funcionar e as bolas começaram a cair no outro lado da quadra. Resultado: Brasil eliminou o grande rival com amplo domínio no segundo tempo e ia como favorito contra a Sérvia nas quartas de final.

É importante lembrar que na primeira fase, no jogo contra os sérvios, a seleção chegou a abrir uma larga vantagem no primeiro tempo, tomou um verdadeiro baile no terceiro quarto, mas teve forças para se reabilitar e ainda vencer o duelo.

No confronto de hoje, claramente tivemos semelhanças e diferenças. Nesta tarde, a Sérvia começou ligada na partida desde o minuto inicial. O técnico Sasha Djordjevic mostrou que estou muito a Seleção Brasileira, soube marcar bem o garrafão, que é o ponto mais forte do Brasil, e ainda conseguiu não deixar o Brasil marcar pontos de contra-ataque.

Ainda sim, os brasileiros conseguiram se encontrar em quadra no segundo quarto e até viraram a partida, mas não souberam dilatar o placar e acabaram perdendo a liderança no placar outra vez e viu os adversários irem para o intervalo vencendo por 37 a 32.

Na volta do intervalo, o Brasil se perdeu completamente. Foi praticamente uma reprise do terceiro quarto da partida contra a própria Sérvia na fase de grupos. O time se descontrolou, perdeu a cabeça, cometeu duas faltas técnicas e viu vencerem o período por nada mais nada menos que 29 a 12 (66 a 44).

O último quarto foi só para cumprir a regra, o jogo já estava definido, 84 a 56 no final. Milos Teodosic saiu como o grande herói da noite. O armador sérvio foi o cestinha da partida com 23 pontos. De fato, ele estava em um dia iluminado, quase tudo que tentou deu certo. Contudo, o Brasil não fez uma grande marcação nele. O camisa 4 teve muito espaço para armar e arremessar de longe. Além disso, por diversos momentos, os pivôs brasileiros o marcaram, mostrando um claro erro de rotação no Brasil.

Com essa derrota acachapante, a Seleção Brasileira acabou com o sonho de uma medalha, que coroaria essa geração de jogadores, na qual muitos deveram se aposentar logo. Talvez, com esse insucesso, que também foi um pequeno sucesso, a CBB passe a olhar com mais carinho o esporte aqui e invista mais na nossa categoria de base, já que o time principal deverá passar por uma grande reformulação nos próximos anos.

Está mais do claro que Rubén Magnano não deve ser demitido, já que vem fazendo milagres com o que tem recebido e que a preparação para as Olimpíadas de 2016 e para o Mundial de 2018 começa agora. Não podemos perder tempo lamentando a derrota de hoje, elas acontecem. A própria Espanha, anfitriã do Mundial e com uma grande geração em quadra, acabou derrotada pela França no outro jogo das quartas de final. Então, temos olhar o que ficou de positivo desta campanha, o que não foi pouca cosia, aprender com os erros e lembrar que não podemos mais perder tempo, os Jogos Olímpicos já estão chegando.

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