NFL

Razões de todo tipo para você convencer alguém a acompanhar a NFL

(Crédito: Instagram/reprodução)

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Hoje começa mais uma temporada da National Football League, com o duelo entre New England Patriots e Pittsburgh Steelers. Como já estamos cansados de falar e comprovar, a liga cresce quase em projeção geométrica no Brasil, mas ainda muitas pessoas não foram evangelizadas ou se recusam a aceitar a palavra de Tim Tebow. Então aqui segue um manual, com bastante foco ainda no público-alvo, para você atirar com um canhão em uma pomba parada. Em mais ou menos tempo ele vai estar gritando touchdown que nem um idiota na frente da TV às duas da manhã de uma segunda.

Para convencer um ganancioso, dinheirista de primeira: 

1)  Sabe aquela competição conhecida como Uefa Champions League? As melhores equipes europeias, jogando em belos estádios e com jogadores caríssimos? Ela nem toca o tanto de dinheiro que a NFL vale com suas 32 franquias. Aliás, se você somar o tanto de receita que a Premier League (4,6 bilhões de euros), Bundesliga (2,275 bilhões de euros) e ainda jogar o Campeonato Brasileiro de troco (pouco menos de um bilhão de euros) têm, não dá o que a National Football League consegue (10 bilhões de euros). E estamos falando de uma liga que ocorre por cinco meses em um só país e em um esporte que nem de longe tem a mesma penetração no mundo que o nosso futebol.

2) Na lista das 50 franquias mais valiosas do mundo, o Real Madrid está em primeiro. Claro, é futebol, é um time gigante, vitorioso e tem Cristiano Ronaldo, reconhecido em Madrid, no meio do Saara e em uma aldeia da China. O mesmo não se pode dizer de Tony Romo, que se for para o México, poderá andar em cidades grandes sem ser (muito) incomodado. Pois a franquia de Romo, o Dallas Cowboys, vale apenas 60 milhões de dólares menos que o Real e bate na lista da Forbes equipes conhecidas no mundo inteiro como o Barcelona, Manchester United e a Ferrari. Aliás, o Green Bay Packers, de uma cidade de apenas 105 mil habitantes, vale mais que o Flamengo e o Corinthians somados (2,5 bilhões de reais contra mais de 4 bilhões de reais), equipes com mais de 20 milhões de torcedores cada.

Para os que amam torcidas

1) De fato a festa das torcidas da NFL está longe de ser a festa que uma torcida de time argentino, grego ou turco produz. Mas avaliar “festa” é subjetivo. Algo que não é subjetivo é avaliar presença. Ver um estádio com menos de 50% da capacidade é extremamente raro na NFL. A liga tem de longe os estádios mais cheios (média de 68.397 pessoas por jogo para capacidade média de 69.800 nas arenas) e os maiores estádios possíveis: o menor das 32 equipes é o O.Co Stadium, do Oakland Raiders, que recebe mais de 50 mil pessoas. Três estádios são maiores que o nosso Maracanã. E enchem com regularidade.

2) Novamente, no quesito festa algumas equipes de futebol podem se orgulhar de terem os torcedores mais ativos, muitas delas na Libertadores da América. Mas curiosamente o recorde de barulho de uma torcida em um evento esportivo não é de um Galatasaray (já foi dono da marca), Olimpiakos ou torcida argentina. É dos torcedores do Kansas City Chiefs no seu Arrowhead Stadium, chegando a 142 decibéis.

Para os que adoram estádios

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Levi’s Stadium – San Francisco 49ers

Cowboys Stadium

AT&T Stadium – Dallas Cowboys

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MetLife Stadium – Casa do New York Jets e New York Giants

Para os que amam história

1) É o principal esporte de um país que ascendeu à condição de superpotência e é o mais rico e influente, para o bem e para o mal. Em mil anos poderemos visitar o AT&T Stadium como visitamos o Coliseu em Roma. A menos que derrubem. E nada como um esporte popular para tentar entender uma sociedade.

2) E para os que não se emocionam tanto com o hino americano e preferem Fidel a George Washington, é um esporte que proporciona uma oportunidade incrível para pessoas das classes sociais mais baixas ascenderem, conseguirem emancipação financeira e ainda ajudar sua comunidade. Um exemplo é Marshawn Lynch, jogador do Seattle Seahawks. Nascido e criado na zona de Oakland, Califórnia, uma das mais perigosas do país, ele ganhou uma bolsa na faculdade por causa do futebol americano – como 99,9% dos jogadores – e hoje é um dos principais atletas da liga. Aliás a grandíssima maioria dos jogadores ajudam uma instituição de caridade ligada à equipe ou mesmo criaram uma eles próprios. E nas mais diferentes áreas: educação, saúde, apoio a veteranos de guerra..

Para os que amam superação e histórias comoventes

1) Surdo campeão do Super Bowl, quarterback que faz um dos jogos da vida um dia depois do pai morrer, jogadores com costelas quebradas, ligamentos rompidos e outras maleitas atuando e vencendo, franquia que passa de pensar de mudar de cidade para acolher cidadãos em uma das piores crises e ajudar na recuperação da comunidade… E poderia ficar aqui citando inúmeros exemplos.

2) Jogos na neve. Como bater isso?

E para os que simplesmente amam esporte

1) Por ser um esporte de estratégia e com entra e sai de jogadores a todo momento nas mais diversas posições, o nível de especialização é inacreditável. Os rápidos estão entre os mais rápidos do mundo: Chris Johnson em 2008 correu 40 jardas em 4,24 segundos. Para se ter uma noção, Usain Bolt quando bateu o recorde nos 100 metros na Olimpíada, nas primeiras 40 jardas ele foi mais lento que Johnson.

Os mais fortes estão entre os mais fortes, os kickers estão entre os que chutam mais forte e com precisão, enfim, deu para entender.

2) Nos últimos dez anos, oito equipes foram campeãs. O Campeonato Brasileiro, um dos mais equilibrados do mundo, teve seis vitoriosos diferentes. Das 32 franquias da liga, apenas quatro nunca disputaram o Super Bowl, duas delas as mais recentes criadas (Houston Texans em 2002 e Jacksonville Jaguars em 1995).  E desde 1967, quando essa grande final começou, 19 equipes diferentes foram campeãs.

3) E como são só 16 jogos na temporada regular, todos eles importam muito e são providenciais para se classificar para o mata-mata (conhecidos como playoffs ou pós-temporada), já que apenas 12 equipes das 32 vão para o mata-mata.

E o Super Bowl..

1) Os anúncios no intervalo do jogo são um evento a ser assistido e a melhor vitrine televisiva possível.

2) E o show do intervalo é realmente um show no intervalo. Michael Jackson, Paul McCartney, Rolling Stones e mais um batalhão de artistas marcaram seus nomes fazendo espetáculos de 15 minutos ou menos.

3) E claro, os jogos. O último Super Bowl, por exemplo, foi uma das melhores finais da história do esporte. Para você que gosta de futebol, pense na final Milan x Liverpool da Champions League em 2005. Foi melhor.

  • Para desmontar argumentos já usados:

“Ah, mas para muito”

Melhor, assim dá para ir pegar cerveja/coca/comida e ainda não perder nada da ação. Ou a resposta mais inteligente: é um esporte de estratégia. E estratégia requer planejamento. E muito desse planejamento é também interessante, como a movimentação dos jogadores antes da bola voar. Repare como defesas mudam todo o posicionamento ou ataques fazem o mesmo logo antes da pancadaria rolar.

“Tem um cara com uma pança maior que a do meu tio churrasqueiro jogando”

Tem jogador de 1,67 m. E tem jogador de 2,07 m. Com 72 quilos, o brasileiro Cairo Santos é o jogador com menor peso da liga. E na história da liga já teve jogadores com mais de 180 quilos. Isso é um esporte democrático. E como disse acima, como cada posição requer uma especialização: o cara de 150 quilos vai empurrar e proteger melhor que ninguém.

“Olha todas essas proteções. No rúgbi não tem tudo isso, são mais machos”

Como o espaçamento dos jogadores no futebol americano é maior e passes para a frente são permitidos, além dos “retornos”, as pancadas são a velocidades mais altas. Muito mais altas. Por isso toda a proteção é necessária e ainda insuficiente, especialmente na cabeça.

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