NFL

Redzone: O Cleveland Browns abusou do direito de errar (de novo)

DeShone Kizer Browns

Crédito: Instagram/reprodução

Depois de uma semana sem Redzone por problemas técnicos, volto aqui para este nobre espaço para falar do Cleveland Browns, depois de ter separado o Buffalo Bills para ser o meu assunto. Você deve ter reparado que o que importa não são vitórias e derrotas e nem audiência, mas sim o assunto.

Antes da temporada começar, tinha dito que um dos times que queria ver era o Cleveland Browns. A foto desse post, aliás, é J.J. Watt. Vamos falar sobre pé gélido e temperaturas sub-polares?

Entendendo a fórmula que o Cleveland Browns usou

Como fã da NBA que também sou, os Browns estavam com uma fórmula bastante “basqueteira” em plena NFL. Depois da quadragésima mudança de treinador e direção, os novos titulares, Sashi Brown e Paul DePodesta, limparam o elenco basicamente inteiro, testaram jogadores jovens e acumularam escolhas de Draft altas, porque, claro, o time perdeu muito.

Todo mundo sabia que 2016 seria jogado na lata do lixo, já que era o primeiro ano dessa nova fórmula e o primeiro ano também do treinador Hue Jackson. Muito bem, 1-15 e segunda escolha do Draft, que o time trocou.

E aqui está a primeira questão. Os Browns não têm e basicamente nunca tiveram um quarterback desde seu “renascimento” em 1999. Vinte e sete (!!!) passaram pelo cargo desde então, com o 28º, Kevin Hogan, prestes a dar o ar da graça.

Carson Wentz estava ali para os Browns selecionarem no Draft de 2016. Neste ano – 2017 -, Deshaun Watson também. Aliás, além da primeira seleção, que foi Myles Garrett, os Browns poderiam ter levado Watson, porque a 12ª escolha era deles, mas acabou trocando com Houston.

Eu tenho que admitir que quando se trata de construção de elencos, eu uso o argumento que me convém. Sempre gosto de lembrar da frase que para criar um time de futebol americano, você precisa começar pelas duas linhas – defensiva e ofensiva – e os Browns fizeram isso. Com Garrett, a defensiva. Com J.C. Tretter e Kevin Zeitler, mantendo o veterano monstro Joe Thomas e Joel Bitonio, a ofensiva.

Só que eu sempre gosto de lembrar que sem quarterback, você só consegue chegar até um certo lugar. O Jacksonville Jaguars agora, por exemplo: a defesa está jogando demais, sendo responsável pela depressão que Ben Roethlisberger passa agora. Mas com Blake Bortles, sempre haverá um teto. O Baltimore Ravens com Joe Flacco também era assim e precisou de uma pós-temporada milagrosa dele, com 11 TDs e nenhuma interceptação, para conquistar o Super Bowl. Bortles pode fazer esse milagre? Pode até acontecer. Mas eu não apostaria nisso, pode ter certeza.

Os Browns perderam inúmeras oportunidades de draftar seu QB do futuro nos últimos drafts. E não foi para escolher grandes jogadores de outras posições. O time tem uma lista de busts que é impressionante: o cornerback Justin Gilbert, oitava escolha geral em 2014, o linebacker Barkevious Mingo, sexta escolha geral em 2013 e o monstro, o mito, a lenda, o running back Trent Richardson, terceira escolha geral em 2012. Poderia gastar mais uns cinco parágrafos com exemplos assim.

DeShone Kizer e o pensamento estranho

DeShone Kizer é um bust? Óbvio que não dá para dizer isso com quatro jogos como titular. Mas depois do time escolher Garrett e abrir mão da 12ª posição por causa de uma troca, valia a pena tentar dar com uma picareta no chão e achar petróleo com uma escolha no fim da segunda rodada. O problema é que Dak Prescott não surge toda hora e Kizer não chegou na situação que o QB dos Cowboys chegou.

Em Dallas, Prescott chegou sem o peso de ser titular e quando precisou assumir a bronca, tinha a melhor linha ofensiva da liga, um running back calouro com fogo nas pernas e um corpo de recebedores muito bom. Kizer tem uma linha ofensiva boa, recebedores abaixo da média e um running back ok. E um histórico de fracassos recentes que faz inveja à Portuguesa Santista.

Os Browns precisam do talento inegável, mas mais do que isso, do jogador de personalidade. Que tal um quarterback que chegou a uma final do College, perdeu por pouco, voltou no ano seguinte e de forma decisiva e histórica, bateu o mesmo bicho-papão? Que tal se esse mesmo jogador disse que gostaria de enfrentar essa pressão histórica e vencer por Cleveland?

Pois é. Deshaun Watson seria uma aposta com muita mais chance de dar certo.

Neste ano, os Browns poderiam ter começado a mostrar resultados, mínimos que fossem, mas depois de cinco jogos, foram cinco derrotas, inclusive para Colts e Jets e mais os Bengals que estavam 0-3.

“Eu já disse para vocês, nós vamos para todos os jogos tentando vencer. Esse é o objetivo. Esse é meu trabalho. Não estou aqui só para fazer os jogadores serem melhores. É parte, mas estou aqui para vencer”, disse Hue Jackson, treinador dos Browns e que não faz absolutamente sentido nenhum com essa declaração.

Ele está lá apenas para fazer seus jogadores serem melhores, porque esse time, mesmo que tenha um excelente desempenho com as peças que tem, não tem cacife para alcançar 9 ou 10 vitórias e chegar aos playoffs.

Seu trabalho é apenas fazer Kizer, Garrett e outros jovens serem melhores. E se isso significar 4, 5, 6 ou 7 vitórias, melhor. Hoje ele não desenvolve ninguém e se, como ele disse, seu trabalho é vencer, está sendo feito de forma miserável: desde que assumiu, ele venceu uma e perdeu 20. Isso mesmo: 1-20.

Os Browns estão errando em campo, o treinador está errando em sua forma de trabalho e a direção errou ao não escolher um quarterback para o futuro, para desenvolver seus talentos e pontos fortes enquanto a pressão por vitórias ainda não está presente. Imaginemos que tudo corra bem, a linha ofensiva seja ótima em 2018, Garrett um monstro e o time seleciona um QB no próximo Draft. Ao invés de todos crescerem ao mesmo tempo, como aconteceu com o Chicago Cubs, o quarterback vai ter que correr atrás e estar um nível abaixo de seus companheiros.

Mais uma vez, tudo está errado em Cleveland. Quando parecia que havia uma luz no fim do túnel…

Comments
To Top