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Redzone: algumas coisas estranhas da semana 3 da NFL

Blake Bortles Jaguars

Crédito: Instagram/reprodução

Pensei no título desta Redzone no domingo a noite só para notar que era óbvio que não seria original logo depois. Everaldo Marques e Paulo Antunes falaram do dia nada convencional de NFL que foi o 24 de setembro de 2017. Peter King, do ‘TheMMQB.com’, usou a palavra “weird” 384 vezes em sua coluna tradicional de segunda.

Eu resolvi então fazer um ranking das coisas estranhas que aconteceram na semana 3 da NFL. Venha comigo e me xingue no fim porque você não concorda com o posicionamento.

8º – Panthers x Saints e Jets x Dolphins

Primeiro vou colocar dois jogos. Foram dois resultados bizarros e por isso eles entram na lista. Mas surpresas acontecem em qualquer esporte, especialmente em uma liga que tem teto salarial e por isso esses dois confrontos não estão mais acima no ranking.

Primeiro, os Jets fazendo os Dolphins quase zerarem na partida. Um TD de 69 jardas, boa defesa e os Jets estão melhores que os Giants depois de três jogos disputados, algo que nem Josh McCown esperava. Os Dolphins mais uma vez são decepcionantes, mas isso deixamos para outro dia.

Já os Panthers tiveram duas vitórias nos dois primeiros jogos, mas não convenceram nem a mãe de Cam Newton. E a partida de domingo contra o rival de divisão foi uma vergonha. Quando você faz 13 pontos em casa contra a defesa do New Orleans Saints, todo mundo deveria ser demitido. E é bem capaz que o coordenador ofensivo Mike Shula logo seja.

7º – Oakland Raiders ter uma noite ofensiva horrorosa

O Oakland Raiders está em uma campanha de uma temporada e dois jogos para mostrar que pode ser considerado um candidato ao Super Bowl. O jogo de domingo, no horário nobre da TV aberta, com certeza foi algo para se esquecer. A linha ofensiva, que é uma das melhores da liga, foi engolida pelo subestimadíssimo Ryan Kerrigan e companhia. Derek Carr foi abaixo da crítica logo no primeiro drive. Michael Crabtree não apareceu, Amari Cooper continua com seu sério problema com drops e a defesa mais uma vez não inspirou um pingo de confiança.

O que dizer de tudo isso? O time volta semana que vem para mostrar que é um dos melhores da liga.

6º – Los Angeles Rams e San Francisco 49ers fizerem um jogo bom no dia dos jogos ruins

Os jogos de quinta normalmente são horrorosos. Os times não podem nem descansar direito e nem treinar direito após jogar no domingo. Rams e 49ers era esperado que fosse um jogo horroroso. 80 pontos depois, emoção até não poder mais, os Niners mostraram mais uma vez que são um time ruim competitivo e os Rams podem até pegar playoffs, por que não? O Arizona Cardinals pode morrer junto com o braço de Carson Palmer e a lesão de David Johnson e dá até para roubar um joguinho dos Seahawks, cuja linha ofensiva é uma piada do Ary Toledo.

He gone. @rishardmatthews #TitanUp ⚔️

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5º- O Seattle Seahawks levar 33 pontos do Tennessee Titans

Para o Seattle Seahawks ganhar jogos, a defesa precisa ser sensacional. Contra os Titans, o time mais uma vez acabou vítima de um running back: depois de abrir para Carlos Hyde, DeMarco Murray teve 115 jardas e um TD de 75. E o ataque dos Titans não tinha mostrado esse poder de fogo nas duas semanas anteriores, mesmo quando fez 37 pontos nos Jaguars: esse jogo não foi tão díspar quanto o placar (37 a 16) indica.

Há que respeitar os Titans. Mas as quatro horas de reunião que os Seahawks tiveram para discutir o que fariam em protesto a Donald Trump e suas declarações parece ter feito o time se esquecer de defender.

4º – O ataque do Pittsburgh Steelers não conseguir colocar a terceira marcha

Se fosse torcedor do Pittsburgh Steelers, não estaria preocupado com Le’Veon Bell, que ainda não explodiu na temporada. Eu estaria muito preocupado com Ben Roethlisberger, que parece mesmo um jogador que está no último ano de carreira. Ele próprio disse que errou vários passes que normalmente não erraria.  Martavis Bryant, Antonio Brown, Bell correndo e recebendo passes, uma boa linha ofensiva, esse time tem que produzir muito mais.

A sorte é que a AFC North está aberta para o time de Pittsburgh.

3º – 4 touchdowns de Blake Bortles em Londres contra a até então temida defesa dos Ravens

Antes da temporada, na minha previsão para a página Playmaker, destaquei a defesa dos Ravens e nas duas primeiras semanas estava me sentindo o pica das galáxias por ter visto sinais muito positivos. Depois de quatro touchdowns de Sir Blake Bortles (não foi criação minha esse apelido) em Londres e uma derrota por 37 pontos para o Jacksonville Jaguars, eu me sinto um completo idiota.

2º – O lance final de Golden Tate no jogo entre Lions e Falcons

Golden Tate sabe perfeitamente como é ser beneficiado de uma chamada estranha no estourar do cronômetro e assim vencer a partida.  Caso você esteja com preguicinha de clicar no nosso hiperlink, foi ele o recebedor da Fail Mary quando ainda jogava pelo Seattle Seahawks.

Caso você não tenha visto o final de jogo entre Lions e Falcons, um breve resumo: os Falcons lideravam por quatro, mas os Lions tiveram a bola na mão com mais de dois minutos e em uma campanha de 15 jogadas, quatro faltas, uma primeira para 30 para os Lions que acabou se tornando uma primeira descida automática por falta, uma interferência na end zone questionável… Enfim, os Lions chegaram na boca da end zone com 8 segundos e tentaram um passe curto pelo meio: Tate pegou, se esticou e entrou na end zone. Os árbitros marcaram TD, a revisão viu uma mão do defesa encostando no recebedor e o joelho no chão antes da bola cruzar o plano de gol. E como os Lions não tinham tempos, os árbitros tiraram 10 segundos do relógio, já que como não foi touchdown, era para o relógio continuar andando (passe completo).

Particularmente, acho injusta essa regra dos 10 segundos, já que os Lions não pediram para os árbitros darem touchdown, eles fizeram isso e depois tiveram que retificar e ver que estavam errados. Mas caso a regra não tivesse a retirada de tempo e o relógio parasse com o review, dando chance para mais uma jogada, os punidos eram os Falcons, já que os Lions podiam perfeitamente não conseguir voltar para a linha de scrimmage a tempo, se alinhar como deve ser e ainda chamar uma jogada. E mesmo que conseguisse tudo isso, a pressão do tempo e erros podiam fazer a conversão não funcionar. Com o cronômetro parado e mais uma chance, sem pressa, os Falcons seriam prejudicados. Com a regra dos 10 segundos, os Lions foram prejudicados.

Ou seja, para mim eu vi claramente uma situação que é injusta por si só, sem remédio claro.

1º – Ver Dan Snyder, odiado por 99 de 100 pessoas que acompanham ou estão ligadas à NFL, com braços entrelaçados com seus jogadores; Robert Kraft no lado contrário a Trump e Roger Goodell não sendo o vilão da história

Isso sem dúvidas foi o mais estranho da semana 3 da NFL, algo que será lembrado por anos e anos e anos, independentemente de sua posição sobre o protesto na hora do hino.

*Aproveitando o espaço: acho que todo tipo de protesto é válido, mas não acho que seja legal fazer isso no momento do hino porque ele não é uma ode a Donald Trump. E o hino dos Estados Unidos não é uma homenagem a um estado de exceção, como era o hino da Alemanha Nazista, para citar um exemplo bastante batido. Trump é apenas um pequeno grão de areia na história de um país que tem uma trajetória bastante interessante, inclusive no que tange a garantia de liberdades, enquanto muitas nações, desenvolvidas e nem tanto, estavam perseguindo pessoas por sua religião, opinião política e por aí vai. Não acho que seja um desrespeito à bandeira ou os veteranos de guerra se ajoelhar, que fique claro, mas sendo um sommelier de protesto, eu não concordo com a forma.

Voltando: vários donos apoiaram Donald Trump, seja monetariamente (Woody Johnson dos Jets) ou com suas palavras. Por isso ver Robert Kraft e Jerry Jones ao lado de seus jogadores e contra o presidente dos Estados Unidos é marcante. Quanto a Dan Snyder é só engraçado mesmo: é até legal ver ele estar sendo aceito por grupos quando normalmente ele apanha (e com razão) por todas as coisas estúpidas que ele faz como dono dos Redskins.

E a cereja do bolo é Roger Goodell estar do lado de jogadores, treinadores e até de boa parte da opinião pública. Como é dito desde que o mundo é mundo: nada une mais as pessoas que um inimigo em comum. Ou quando o inimigo do meu inimigo é meu amigo.

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