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Opinião: o Cleveland Browns já é o queridinho da temporada 2018

Cleveland Browns

Nas últimas duas temporadas eu confidenciei quais eram os times pelos quais eu torceria/ficaria curioso de ver quando a bola oval começasse a voar nos campos da NFL. Para a temporada 2018, um time ocupará essa posição de forma isolada: o Cleveland Browns.

Agora que citei o Cleveland Browns no primeiro parágrafo – e também no segundo – e tirei essa boa prática de SEO da frente, começo o texto de verdade. Caso você seja um engenheiro e odeie gorduras, encheções, palavras e enrolações, pule para o intertítulo, em negrito, abaixo.

Em 2016 eu queria que o Buffalo Bills, por causa dos irmãos Ryan, voltasse aos playoffs (errei por um ano), o Oakland Raiders decolasse (decolou, até a fíbula de Derek Carr descolar de seu lugar) e o Jacksonville Jaguars fosse relevante (de novo, errei por um ano).

Em 2017, atirei para todo lado. Queria ver os Texans porque era o time que tinha escolhido para jogar no Madden, ideia que mudei logo. Estava curioso para ver uma defesa com Watt + Clowney + Mercilus mais um quarterback competente em Deshaun Watson. E amei o que vi, até a defesa ser decepada e Watson ter seu ligamento rompido.

Em 2017 mesmo já tinha colocado algumas fichas nos Browns, que reforçaram a linha ofensiva, escolheram em primeiro no Draft e poderiam ser interessantes. HAHAHAHAHAHAH…

Ainda tinha Raiders e Falcons, ambos decepções imensas para mim durante a temporada. Os Raiders porque não jogaram nada e os Falcons porque podiam jogar muito, tendo um dos elencos mais talentosos da NFL e quatro chances, dentro da linha de 10, de bater os futuros campeões do Super Bowl, na rodada de wild card dos playoffs.

Para deixar claro, esta seleção não tem a ver com quem será campeão, se não todo ano teria os Patriots. Mas sim que time me desperta a curiosidade de ver eles em campo de forma mais aguda.

Como disse, os Browns para 2018 são primeiro, segundo e terceiro na lista. E juro que o podcast com Leo Andrade não foi o principal fator.

O principal fator para considerar o Cleveland Browns

Qualquer pessoa que acompanha minimamente a NFL sabia que os Browns chegariam nesta offseason com mais de US$ 100 milhões de espaço na folha salarial e as escolhas # 1 e #4 da primeira rodada do Draft, além de zilhões delas nas rodadas seguintes. Sabe o que John Dorsey pensa disso?

NÃO SABEMOS, PORQUE ELE NÃO USOU NADA ATÉ AGORA BASICAMENTE.

Os Browns foram correr atrás da vida antes mesmo da free agency chegar e com os jogadores universitários participando da versão NFLélica de um mercado de pessoas, o querido combine.

Fazendo uma recapitulação rápida:

E ainda recuperou algumas das picks negociando Danny Shelton para o New England Patriots. Mas se tem alguma coisa que Dorsey tem na vida é um óculos de avó e muitas escolhas no Draft NFL 2018, com ainda mais 10 na gaveta, inclusive 5 no top 65. Você vai ouvir muito o nome do Cleveland Browns entre os dias 26 e 28 de abril.

Vamos analisar cada uma dessas negociações

O Buffalo Bills não parecia querer ficar com Tyrod Taylor. Ele é como aquele (a) namorado (a) que você até gosta em alguns momentos e poderia até casar, mas a relação terminaria com um dos pombinhos dividido em cinco malas diferentes boiando no rio Tietê.

Ou seja, o preço que o Minnesota Vikings pagou por Sam Bradford (uma escolha de 1ª rodada e outra de 4ª) ou até o que o Washington Redskins pagou por Alex Smith (escolha de 3ª também, porém, o bom CB Kendall Fuller junto) estava fora de cogitação.

Os Browns, com um caminhão de escolhas, podia pagar logo uma escolha de 3ª rodada para matar o assunto e os Bills alegremente aceitaram. A questão aqui é: o que é Tyrod Taylor? Quem é esse homem? O que ele come e como ele procria?

Ele é um quarterback titular nesta liga? Ele é 30% de Michael Vick em 2004? Ou ele é um Colin Kaepernick que não teve a chance de jogar tanto contra Dom Capers?

Se tem uma coisa que eu odeio profundamente na NFL é quando times draftam um quarterback jovem com uma escolha alta, mas trazem ou puxam do elenco um cara veterano para “ser titular”. Deve ter alguma vez que isso deu certo… espera aí, NUNCA DEU CERTO (até fiz uma micro-pesquisa voltando 10 anos).

Temporada passada tivemos uma coisa ridícula com Mike Glennon e Mitch Trubisky, além da patética história “Tom Savage está mais pronto que Deshaun Watson para ganhar jogos”. Em 2016, Jeff Fisher, não contente em querer estragar Jared Goff, ainda colocou Case Keenum como titular nas primeiras semanas no pior ataque que a humanidade já viu. Até se o Brasil declarar guerra aos Estados Unidos consegue bolar um ataque melhor, começando a ofensiva pelos outlets da Flórida.

Caso você tenha um quarterback jovem que fez o suficiente para você o escolher na primeira ou segunda rodada, deixa ele errar como titular desde a semana 1, tendo treinado com os titulares em todo o training camp. Não bota um cara que está a quatro/cinco anos na liga e todo mundo sabe que está abaixo da linha de medíocre.

Tyrod Taylor é um quarterback de bons momentos, mas não é um quarterback que vai levar o Cleveland Browns longe por seu braço incrível e sua habilidade correndo. O lance com ele é que pelo visto Dorsey não acha que o quarterback que ele escolher na primeira ou segunda rodada – Sam Darnold, Josh Rosen, Josh Allen? – virá pronto. O problema é que a cada passe errado de Taylor, a cada derrota, virá a vaia da torcida, a pergunta da imprensa e a pressão de todo mundo para botar o calouro. Ninguém trabalha tranquilo.

Odeio essa estratégia. Dá para entender. Mas odeio.

Tá, mas o que me faz querer ver os Browns então?

Eu acho que a contratação de Damarious Randall é interessante, mas também arriscada. O talento que ele mostrou nos seus primeiros momentos nos Packers foram sucedidos por muitos passes cedidos para os recebedores que ele marcava e problemas de vestiário.

E Jarvis Landry? O contrato que ele quer provavelmente é fora dos preços normais de mercado, mas os Browns têm dinheiro a rodo. Ele é um recebedor para jogar no slot segundo muitos analistas, o que normalmente requer um salário menor. A sorte dele é que Wes Welker e Julian Edelman fizeram esse recebedor ser basicamente tão importante quanto os monstruosos que abrem o campo mais na ponta.

E o time abriu mão de Kizer, que foi basicamente sabotado pelo trabalho horrendo da comissão técnica temporada passada. Mas ele também não mostrou nada que indicasse que ele será um Brett Favre chegando em Green Bay após ser trocado antes de completar um ano de Draft.

Tá, mas o que me faz querer ver os Browns então? (2)

O time apostou em talento. Randall não vai precisar ser o cara na secundária.  No Quinto Quarto Expresso #99, nosso torcedor dos Browns Leo Andrade disse que gostaria que o time escolhesse Minkah Fitzpatrick com a quarta escolha geral. Fitzpatrick pode perfeitamente ser o rosto de uma mudança que já acontece há alguns anos nas defesas da NFL: o defensive back que pode atuar como safety, como cornerback tanto cobrindo os Julio Jones’ ou os Jarvis Landry’s e ainda atuar como linebacker em situações óbvias de passe, começando a jogada colado na linha.

Curiosamente o Cleveland Browns já draftou um jogador similar na primeira rodada no Draft de 2017 em Jabrill Peppers, que também foi sabotado pela temporada horrorosa do time, mas mostrou evolução nas semanas finais da temporada.

Landry pode não ser o que ele acha que é. Mas caso Josh Gordon tenha ajeitado os 37 parafusos que tinha a menos no cérebro, o ex-jogador dos Dolphins não precisa ser o WR#1. O time ainda pode ir atrás de algum wide receiver na free agency. Que tal uma volta de Terrelle Pryor?

E por fim, Taylor não é o quarterback dos sonhos. Mas ele é melhor que basicamente todos os quarterbacks que vi nos Browns. E ele terá uma boa linha ofensiva, ainda mais caso Joe Thomas decida jogar mais um ano. E se o time draftar Saquon Barkley com a primeira escolha, ele terá mais armas que em seus melhores momentos nos Bills. Aqui estamos falando da maior variável, já que se os Browns quiserem um QB com as escolhas 1 ou 4, não dará para trazer Barkley e Fitzpatrick também.

Efeito Cubs

No fim, o efeito Cubs terá total paralelo com o Cleveland Browns. Também estamos falando de uma franquia muito tradicional de uma cidade importante para os esportes americanos, que fez papel de ridículo por anos mas finalmente constrói algo que dá para gerar interesse e expectativa. O mundo da NFL olha para Cleveland como não fazia há tempos.

A offseason dos Browns mal começou na verdade e o time já reforçou bastante seu elenco. A história de Cinderela já está pronta em todos os veículos jornalísticos. É claro que há outros times que também despertam minha curiosidade – 49ers com Sherman? – mas nenhum deles como o Cleveland Browns versão 2018. Nessas horas que a saudade da NFL rolando no domingo bate forte.

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