NFL

Redzone: treinadores da NFL também podem ser burros e não espere jogos de qualidade agora

Bill O'Brien, técnico do Houston Texans

Primeira Redzone da temporada regular 2017 da NFL, meus amigos e semirrivais! É com tanta alegria que escrevo isto, similar à de Ezekiel Elliott ao receber a última informação do tribunal. Ou a da defesa do Dallas Cowboys ao saber que Eli Manning não terá a única razão dele para ainda existir, que é Odell Beckham Jr. E assim eu começo esta bagaça para falar de futebol americano de baixa qualidade como visto na semana 1 desta temporada.

Caso você esteja meio deprimido nesta segunda-feira, pense que você não é Scott Tolzien ou Tom Savage. Ou Bill O’Brien.

O que me leva ao primeiro assunto.

Treinadores da NFL também podem ser burros. E Bill O’Brien o é.

Caso os torcedores dos Texans soubessem o que significa gritar “burro” em um estádio brasileiro, eles fariam isso logo no início do jogo contra o Jacksonville Jaguars. Porque Bill O’Brien é burro.

Sim, pode ser muita empáfia minha chamar um treinador da NFL, que trabalhou para Bill Belichick e com Tom Brady e como head coach tem três temporadas com nove vitórias e duas idas aos playoffs. Mas ele é MUITO BURRO.

Explique para mim – sem usar esse adjetivo acima para classificá-lo – como você vê o seu time nos seus três anos de trabalho não ter um quarterback, passando de um para o outro como um ser humano limpo e não-francês troca de cueca, ai a direção faz uma troca no Draft e uma escolha ousada por um quarterback que é campeão nacional universitário, esmiuçando uma defesa soberana no College e mesmo assim se mantém fiel a um QB que nunca mostrou nada e no intervalo do primeiro jogo já ver que fez cagad&%$ e coloca o calouro finalmente.

Sim, sem pontos no período acima, até dá dor de cabeça de ler. Minha intenção é essa mesma: fazer você perceber a estupidez do homem. O’Brien disse e redisse que Savage seria seu titular desde o começo do training camp e sua certeza durou meio jogo.

E sabe o que é pior? A culpa do atropelamento do Jacksonville Jaguars nem foi tão culpa de Savage porque ele simplesmente foi aniquilado pela defesa dos Jags e a péssima atuação da linha ofensiva de seu time.

Isso é o comum para O’Brien, que já tinha colocado seu quarterback titular no banco na semana 1 outra vez (2015), usando quatro quarterbacks naquela temporada, também por causa de lesões. E isso é péssimo porque o quarterback titular no training camp e na pré-temporada tem a chance de mostrar seu valor com os titulares do ataque e assim ganhar entrosamento. Nos treinos, eles jogam a maioria dos snaps, enquanto os reservas assistem. E nos jogos de pré-temporada, eles atuam com o wide receiver número um, o melhor tight end, etc… enquanto os QBs reservas jogam com os tackles reservas, wide receivers que podem nem integrar o elenco e por aí vai.

E quão importante é para um calouro (Deshaun Watson), que todos sabem que terá que passar por uma adaptação para dar certo na NFL – melhor pontaria em passes longos, permanência no pocket, rotas mais complexas – poder treinar com os titulares e ter o máximo possível de snaps? Você já acertou se pensou “PRA CARAL&%$”.

Todo mundo sabe que Tom Savage não vai ser Kurt Warner. E a tragédia aqui é que o Houston Texans não é o Chicago Bears, que independente de ter uma competição entre um veterano que no máximo pode ser ok em Mike Glennon e um calouro que pode ser algo em Mitch Trubisky (mesma dinâmica de Savage-Watson), o time vencerá menos de seis jogos esse ano. A defesa dos Texans pode ser top 5 da liga, apesar do vareio de ontem. E o ataque tem excelentes peças, especialmente o wide receiver DeAndre Hopkins. E a divisão é perfeitamente conquistável.

Calma aí, tenho o argumento final. Notícia do Quinto Quarto de junho de 2016.

“Até agora, ele tem sido exatamente o que nós esperávamos”, disse O’Brien, segundo o Houston Chronicle. “Ele trabalha muito duro. Ele é um cara muito inteligente. Ele é um bom comunicador com seus companheiros. Ele é muito duro consigo mesmo”.

“Ele é um cara divertido para estar perto, um cara divertido com o treinador e muito competitivo em campo”, continuou O’Brien. “Ele tem sido exatamente o que esperávamos a esse ponto. Nós todos sabemos a natureza do negócio. Nós todos temos que sair, treinar bem e jogar bem quando a temporada começar. Essa é a chave. Isso é o que estamos construindo”.

Ele = Brock Osweiler.

Bill O’Brien é burro. Tão burro que os texanos deviam ver o que as arquibancadas do Brasil gritam para um treinador e fazer igual.

O começo de temporada será ruim em qualidade

Eu já falei na Redzone sobre a queda na classe média na NFL. Para resumir, pela regras ao fazer um contrato com um jogador hoje, os times tem muito incentivo para assinar jogadores saindo da universidade, porque o contrato deles tem valores fixos dependendo em que rodada eles são draftados e esses números são relativamente baixos. Dak Prescott, por exemplo, vai receber nesta temporada US$ 540 mil e só poderá receber o dinheiro de um contrato nível “traz o caminhão de dinheiro” em 2020. Já Sam Bradford, o eterno quarterback medíocre, tem um salário anual de US$ 14 milhões jogando 28x menos bola.

E isso se aplica para todas as posições. E como você já deve ter notado, o futebol americano é um esporte de contato, o que vai minando seu físico, fazendo jogadores com seis, sete, oito anos de NFL poderem perder sua capacidade de jogar no nível exigido da noite para o dia.

Sim, esse foi o resumo. Agora o resuminho: vale mais a pena cortar o veterano que recebe um contrato médio e draftar um jovem para assumir sua vaga, com sangue novo e salário controlado (e baixo).

Só que isso traz uma consequência que para mim é muito clara: o jogo nas primeiras semanas de temporada tem uma qualidade inferior que em anos anteriores. O calouro, segundo anista, jovem de maneira geral, não tem a mesma experiência do veterano e tem tendência a errar mais. São mais fumbles, mais interceptações, mais drops, rotas erradas, tackles perdidos. Soma-se a isso também a aclimatação ao jogo de verdade depois de um mês de pré-temporada. Você viu que os jogos foram de baixa qualidade, especialmente Seahawks x Packers e Cowboys x Giants, que foi horroroso.

E o especial: os jogadores de linha ofensiva do College não são os mesmos de anos atrás. De forma geral, as universidades adotam esquemas mais simplificados (spread) em seus ataques, mas na NFL, além de você encarar pass rushers e jogadores de linha defensiva mais fortes, rápidos e inteligentes, o grandão das OLs ainda precisa aprender mecânica, jogo de pés, bloqueios mais difíceis e se adaptar ao ritmo da NFL.

Não é a toa que nos últimos anos, nós vimos jogadores de linha ofensiva que foram escolhidos na primeira rodada sendo completos busts ou perto disso. Luke Joeckel, escolhido pelos Jaguars, hoje visto cedendo pancadas em Russell Wilson em Seattle. Greg Robinson, ex-Rams, hoje no Detroit Lions também. Peter King, do ‘MMQB’, j+a tinha notado como selecionar tackles no Draft passou de escolha certeira para duvidosa.

E mais um fator para vermos essa queda de qualidade nas primeiras semanas: não faz muito tempo, os treinos no training camp eram ilimitados e beirando as táticas de guerrilha. Hoje os treinos são limitados por acordo entre o sindicato de jogadores e os times. Ou seja, é mais gente nova e menos tempo para treinar. A curva de crescimento fica prejudicada e vemos isso nos jogos. Você ainda tem dúvidas sobre tudo que falei acima? Veja Ereck Flowers, tackle selecionado pelos Giants em 9º em 2015, no Sunday Night Football de ontem contra os Cowboys.

Minha opinião sobre os Patriots

Uma derrota para o Kansas City Chiefs em 2015 fez muita gente derrubar os Patriots de seu pedestal. Dessa vez, vejo mais recato dos jornalistas e formadores de opinião. É a primeira semana, temos que ter calma. O único que acho que vale salientar é que posso ter subestimado a perda de Julian Edelman e que a chegada de Stephon Gilmore pode exigir um tempo de ajuste e o torcedor do Buffalo Bills sabe que ele é bom, mas também adepto de panes mentais.

E outra coisa: 40 anos são 40 anos, mesmo que você seja um gênio. Tom Brady agora é um desafiante de sua idade e ela pode levar a melhor em alguns momentos. Na quinta, ele teve uns dos piores jogos que já vi, errando recebedores livres e parecendo enferrujado mesmo.

Mas paro por ai: a dinastia ainda continua.

Comments
To Top