NBA

Opinião: o Cleveland Cavaliers não pode chegar nas finais da NBA (e Pavement)

LeBron James Cavaliers

Eu tinha dito que voltaria a escrever textos mais opinativos, para quem não quiser ouvir minha horrorosa voz no Quinto Quarto Expresso. Estou aqui nesta segunda-feira para começar a cumprir minha promessa. Las Vegas já estabeleceu a linha de semanas que eu postarei um texto na segunda-feira sobre as ligas americanas e referências a absolutamente todo o resto de coisas que existe no mundo. Você pode apostar que eu furo antes da 3ª semana ou entre a 4ª e a 7ª semana. É sua escolha.

Enfim, este é meu primeiro texto desta coluna, que na verdade não quis chamar de coluna para não confundir com a Redzone (RIP) e a Lance Livre, que teve apenas algumas edições antes de ter uma morte semelhante à de Antoni Gaudí: atropelado por um bonde. Aliás, imagina ser atropelado por um bonde. Não tem nem a possibilidade de pular sobre o para-brisas e tentar ter melhores chances. E ainda por cima o negócio é lento. Enfim..

Pois bem, sem mais delongas, vou começar o assunto, porque sinto que tenho que gastar de quatro a seis parágrafos explicando o título antes que o Cleveland Cavaliers Brasil ataque a minha casa com pneus da Goodyear, perucas antigas de Anderson Varejão, bolas de neve e bandanas de LeBron James.

Estou dizendo que os Cavaliers não vão chegar à quarta final seguida? Óbvio que não. O time atropelou os Celtics neste domingo e a narrativa está toda pronta: LeBron liga o turbo, os reforços se inspiram com o 23 e se cria a ilusão que toda a falta de empenho e defesa foi em razão das ervas daninhas que saíram.

Não venha para cima de mim à la Tony Montana no fim de Scarface. Me entenda antes.

O Cleveland Cavaliers não pode ganhar (e nem chegar) às finais

Para mim isso é bastante claro. Para começar, nem adianta vir falar que sou anti-Cavs porque no dia seguinte à conquista do Golden State Warriors eu disse que foi bom ver esse time, mas que a concorrência precisava aparecer. Algo fundamental que os americanos sabem sobre suas ligas esportivas que ingleses, espanhóis, brasileiros e basicamente o resto do mundo não aprenderam é que a liga é tão forte quanto seu time mais fraco.

O Atlético-GO da NBA precisa ser bom. O Avaí na NFL precisa ser competitivo. A era atual de tanking descarado que o Philadelphia 76ers fez de propósito e o Cleveland Browns faz por brutal incompetência é algo péssimo para ambas as ligas. Mas tão ruim quanto isso é uma temporada começar e você já basicamente saber quem estará no fim disputando o troféu.

Sim, dinastias fazem parte da NBA desde que ela existe. Mas desde que a era LeBron começou, seja em Miami ou em Cleveland, com sete finais seguidas, que times do Leste estavam nesse caminho? O maior desafio nos anos de Heat foi o Indiana Pacers. Nestes três anos em Cleveland, os rivais na final de Conferência foram o Atlanta Hawks, Toronto Raptors e Boston Celtics.

É demérito? Claro que não! LeBron foi lá e atropelou todas essas equipes, fez o que devia com sobras. Só que se pegarmos outra dinastia, por exemplo, os Celtics dos anos 80, Larry Bird e companhia tinham que passar pelo Philadelphia 76ers com estrelas atrás de estrelas – Julius Erving, Maurice Cheeks, Moses Malone em uma das temporadas, Andrew Toney – o esquecido pela história Milwaukee Bucks dos anos 80 – Sidney Moncrief e Terry Cummings – e mais para o final, o Detroit Pistons dos Bad Boys e o Chicago Bulls do jovem Michael Jordan.

Quantos jogadores de Hall da Fama há no parágrafo acima? E quantos jogadores de Hall da Fama vimos chegando longe no Leste nos últimos anos? Pode ter certeza que nos Hawks de 2014/15 não tinha nenhum. Até no Chicago Bulls do começo da década de 2010, Derrick Rose teve sua campanha rumo ao Hall sabotada por seus joelhos.

Enfim, faltou paridade nos últimos anos de Conferência Leste, pela incompetência de vários outros times e a grandiosidade de LeBron James, que quando se aposentar só estará fora do top 10 de todos os tempos na lista de alguma pessoa se ela tiver sérios problemas cognitivos.

Chegou a hora da mudança.

Não é LeBron, é todo o resto

LeBron merece chegar às finais de novo, com certeza. Mas o Cleveland Cavaliers não pode ser de novo premiado. A offseason que o time fez foi uma das piores que eu vi um time de basquete com possibilidade de título fazer. Eles fizeram o seu segundo melhor jogador, autor do maior arremesso da história da franquia, ir embora por quase nada. Danny Ainge arquitetou um roubo, deixando em troca um bom jogador mas com uma lesão séria, querendo um contrato absurdo e cujo jogo envelhece pior que as piadas do Eddie Murphy nos anos 80 sobre gays. Ainda teve Jae Crowder, que estava com peitinhos quando a temporada começou e dava para ver mesmo com a regata por cima, um croata de 20 anos e a escolha do Brooklyn Nets de 1ª rodada.

E não adianta falar que depois da repercussão é fácil falar. Eu disse logo de cara.

Outro problema é que os Nets têm um bom treinador, um bom general manager e não são mais horrorosos, mas apenas péssimos. E eles não têm motivação nenhuma para deixar de disputar vitórias neste fim de temporada: a pick não é deles. Já o Orlando Magic, Phoenix Suns, Dallas Mavericks, Memphis Grizzlies, Atlanta Hawks e Sacramento Kings não tem uma razão sequer para ganhar um mísero quarto, quanto mais uma partida.

Além da troca de Kyrie, o time ainda trouxe o bonde da saudade: Derrick Rose pode até tentar, mas infelizmente não dá mais. Dwyane Wade tinha escrito nas estrelas que Miami é seu lugar. Jeff Green até que deu certo, não vou ser injusto. Mas ainda precisamos observar que os contratos de J.R. Smith e Tristan Thompson são completamente inflacionados.

Ou seja, os Cavs estão fazendo tudo errado faz tempo. As trocas desta janela são interessantes e como disse no podcast (clique no link abaixo, vai), acho que o time vai melhorar em quadra. Mas falando de contratos, a troca não foi boa: Hill tem um acordo caro, Clarkson não é jogador de US$ 12 milhões ao ano.

E Tyronn Lue não é um bom treinador, muito longe disso. O seu anel de campeão precisa ter um asterisco grande que diga: este anel é um presente de LeBron e Kyrie e um oferecimento de “suspensão de Draymond Green + lesão de Andrew Bogut + o fato que Harrison Barnes não acertou alguns arremessos livres que até minha mãe faria (com chuá ainda).”

Sim, é um asterisco bastante grande.

Tudo isso não pode ser passado a limpo só porque LeBron James é incrível. Não desta vez.

Vamos premiar alguns bons trabalhos

Toronto Raptors e Boston Celtics quando chegaram nas finais do Leste em 2016 e 2017 não estavam prontos. DeRozan ainda não tinha um tiro de 3 e o banco era ruim para os canadenses. Os Celtics não tinham uma estrela (Isaiah estava completamente baleado).

Brad Stevens merece estar nas finais da NBA. Seu trabalho pelos Celtics é inacreditável. Já falamos de Thomas e Crowder que com ele jogaram 300% a mais. E poderia passar aqui mais dois parágrafos falando de jogadores que devem sua vida e muito dinheiro ao nerd de Indiana. E o que dizer de Danny Ainge? Depois da troca com os Nets, os Celtics estavam na me%&*. Sem seus dois grandes nomes pós-Bird, Rajon Rondo ainda estoura o ligamento, Doc Rivers vaza porque não queria fazer parte de uma reconstrução… E essa reconstrução, que era para durar dois anos, mal tirou as fraldas e o time já estava nos playoffs de volta. O Orlando Magic está reconstruindo desde que Dwight Howard era apreciado pelo mundo dos basqueteiros.

E Toronto? Outro time que parecia que ia destruir sua base e fazer tudo de novo, trouxe Rudy Gay só para trocar ele como se o cara fosse o responsável por levar o vírus da Ébola para o Canadá. Kyle Lowry emagrece e vira um dos melhores armadores da NBA, DeMar DeRozan dá certo com seu jogo mais fora de moda que calça jeans com jaqueta jeans e All-Star com estampa jeans. E Masai Ujiri, um dos melhores dirigentes da liga, continua trazendo peças interessantes e draftando bem para complementar seu elenco. Até Dwane Casey está de parabéns desta vez, modernizando seu time.

Esses caras precisam ser premiados. Não são times inacreditáveis. Mas são times que foram punidos por LeBron James ano após ano. Ao mesmo tempo, LeBron James faz bem e faz mal para a NBA. Bem por escrever seu nome nos livros de história e me dar alguma inspiração para explicar por que eu gosto dessa liga para meus futuros netos. Mal porque ele premia um dos donos mais instáveis da liga e o trabalho ruim do front office, treinador e alguns companheiros de time.

Vou torcer contra? 

Não, não vou. Querer que LeBron James quebre a perna? Claro que não. Mas vou ficar feliz com mais uma vitória dos Cavaliers no Leste? Não. E no Oeste com o Golden State Warriors? O trabalho de Steve Kerr e Bob Myers é fenomenal. Mas vou ficar feliz se o trabalho sensacional de Mike D’Antoni e Daryl Morey tiver seu teste no maior palco da NBA.

Nós precisamos de competitividade. O Philadelphia Eagles ser campeão após começar a temporada com Las Vegas pagando 55 para 1 por essa possibilidade faz bem para o esporte e a liga.

Pavement

Ainda de luto por não poder colocar música no Quinto Quarto Expresso, preciso de um lugar para desopilar. Por que não aqui, não é mesmo? O vídeo para estrear esta algazarra é um do Pavement no programa do Jimmy Fallon antes de ele destruir o Tonight Show. O que mais quero destacar neste vídeo é que depois deles tocarem “Unfair” e serem os patifes que 1% da população de Aparecidinha conhece, a câmera corta para John Legend. E ele parece ter visto uma assombração. Ou cinco caras brancos de meia idade fazendo uma música completamente desconexa que basicamente levanta o teto de qualquer lugar.

John Legend Pavement

Se você está lendo esta coluna e gosta de Pavement, por favor escreva na nossa seção de comentários ou então mande um e-mail para [email protected] . Ou então um WhatsApp para (11) 9 7323 9109. Uma pessoa vai responder e é com ela que eu vou casar. Caso duas pessoas respondam, não tem problemas,  acabei de descobrir que há a possibilidade de formar um trisal.

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