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Lance Livre: Kyrie Irving, Neymar e como “egoísmo” será bom nesses casos

Irving e Neymar

Antes de falar de Kyrie Irving e Neymar, quero dizer que tinha duas ideias para Lance Livre nesta semana. A primeira era lançar uma escala de trairagem, que tinha como ponto 0 a fidelidade imensa e o ponto 10 a trairagem insana, aquela feita com gosto. Depois de explicar isso, dando exemplos, colocaria Kyrie Irving hoje, LeBron James indo para Miami e Kevin Durant indo para Golden State.

Fica para a próxima.

Outra ideia é algo que já venho regurgitando há tempos. Eu queria fazer uma coluna sobre que jogadores que ainda estão em atividade, tanto na NFL como na NBA, já garantiram seus lugares no Hall da Fama. Eu gosto bastante de pensar “se o Messi quebrar as duas pernas hoje e nunca mais jogar, em que posição eu colocaria ele entre os melhores da história?” A resposta é segundo. Mas obviamente, faria isso com jogadores das ligas que este site fala.

Fica para a próxima também.

A coluna de hoje é inspirada em um texto que eu li no trono às 2h da manhã de uma segunda-feira. O jornal Sport, de Barcelona, fez uma enquete com os torcedores do Barcelona sobre Neymar e 91% deles acha que o jogador e seu pai estão faltando com o respeito com o clube. O mundo dá voltas e em Santos, os 35 torcedores que o time tem, incluindo meu pai e avô, estão chorando de rir dos catalães.

O caso de Neymar é óbvio que é uma falta de respeito, mas já sabemos o histórico dele e especialmente de seu pai, então não dá para ficar surpreso ao saber que o leão que você tentou colocar dentro de sua casa acabou matando a família inteira.

Kyrie Irving não tem esse histórico. E na NBA não tem essa de outro time vir, pagar a multa e levar sua estrela. Mas ele fez o similar em sua situação e pediu para ser trocado para o Cleveland Cavaliers.

Semelhanças entre Kyrie Irving e Neymar

A situação é tão igual que até dá calafrios. Kyrie Irving é de março de 1992. Neymar de fevereiro de 1992. Os dois ganharam títulos pelas suas equipes atuais sendo decisivos: Irving fez a bola do título para os Cavs contra os Warriors. Neymar o gol que definiu a conquista do Barça contra a Juventus em 2015. Os dois são jovens, habilidosos, queridos pelas crianças, contratos multimilionários com a Nike e mais diversas empresas.

E os dois não têm um time para chamar de seu. O Cleveland Cavaliers é de LeBron James. O Barcelona é de Lionel Messi.

É egoísta eles quererem ser os líderes de seus respectivos times? Sim, claro que é. Até pode ser uma ideia tão antiga quanto o esporte coletivo em si: o craque que quer liderar, que quer o holofote, ser o cara que decide, o centro das atenções. Mas não deixa de ser egoísmo, ainda mais porque os dois estão em excelentes situações oferecidas pelos times que pagam seus salários: o Barcelona disputa todos os títulos todos os anos. O Cleveland Cavaliers foi a três finais seguidas.

Mas quem disse que esse egoísmo não é bom para o futebol europeu e para a NBA?

Neymar no PSG faz o time francês subir um escalão na Champions, de time que pode ser chato mas que não mete o mesmo medo que Barcelona, Bayern, Real Madrid, para botar “pqp, temos que ir para Paris?” na cabeça de todos os rivais. O Barcelona segue sendo um candidato até Messi ter um AVC. Mas o PSG, que entrava em uma briga de AK 47 com uma peixeira, agora tem sua metralhadora.

E Kyrie Irving não está fazendo justamente o contrário que LeBron James e Kevin Durant fizeram e todos criticaram? Nessa Guerra Fria entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers, Kyrie pode ser o segundo ato de tentativa de volta à multipolarização. O primeiro foi a troca de Chris Paul para o Houston Rockets. Eu torço para que ele vá para o Phoenix Suns ou até o New York Knicks para tentar construir algo do chão.

Onde Kyrie Irving pode ir?

Esse é um ponto interessante de se discutir até: que time Kyrie Irving poderia chegar e colocar já no patamar de desafiante ao título, como Neymar fará no PSG? O San Antonio Spurs seria um ótimo destino e Irving, segundo relatos, teria colocado o time de Gregg Popovich na sua lista de quatro times que ele gostaria de ir. O problema é que os Spurs não tem o que oferecer para os Cavs (LaMarcus Aldridge e…).

O Minnesota Timberwolves tem Andrew Wiggins, mas depois também… Os outros dois times são os citados Knicks, que poderiam colocar Carmelo mas também não tem um pacote mágico e o Miami Heat, que não tem nem um All-Star para começar a conversa.

Um time que pode ter as peças é o sempre citado nessas horas Boston Celtics. O time pode dar Isaiah Thomas, entrando em seu último ano de contrato, um de seus 38 jogadores de perímetro e a última escolha de Draft na troca com os Nets para tentar seduzir os Cavs a fazer negócio.

Os Suns podem fazer um pacote similar de jogador All-Star ou próximo disso (Eric Bledsoe é representado pelo mesmo agente de LeBron), mais alguma peça jovem (nos Suns dá para escolher, menos Devin Booker) e uma escolha alta em 2018, por exemplo.

Infelizmente, ainda acho que ele fica em Cleveland porque os outros times não vão oferecer o que os Cavs querem.

Conclusão da minha coluna Irving e Neymar

A ganância de ambos – no caso de Neymar de dinheiro pura e simplesmente – e na de Irving a vontade de não ter a sombra gigante de LeBron, será algo positivo para os fãs de futebol e basquete, caso eles decidam sair mesmo. Outra questão é o torcedor do Barcelona, que está vendo o potencial ídolo dos próximos 10 anos mandar um “au revoir” e o torcedor dos Cavs começar a chorar por 2018 em um cenário sem Irving e muito possivelmente sem LeBron.

Aí não tem jeito mesmo. Só resta vaiar quando eles voltarem para a cidade com a camisa adversária.

 

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