NBA

Top Quinto: cinco polêmicas da NBA resolvidas pelo Quinto Quarto

Depois de muito tempo, o Top Quinto volta para aparições regulares, sendo postada todos os sábados. Na primeira falamos sobre cinco cidades americanas e suas equipes esportivas amaldiçoadas por forças divinas. E como toda volta tem que ser causando impacto, decidi me posicionar em cinco temas polêmicos que todo fã da NBA discute. Para mim, se estou discutindo a liga com alguém, eu sempre vou querer saber o que esse alguém acha desses cinco tópicos. Se você está se perguntando “quem é Miguel Amado para dizer se Bird ou Magic é melhor”, eu respondo: apenas um pobre redator que tem isto aqui como diversão.

Veja bem, torcedor, não fique bravo com o Quinto Quarto e não ache que a próxima nota sobre Celtics ou Lakers virá cheia de veneno porque odiamos uma ou outra franquia. Então lembre-se disso antes de preparar a ameaça de morte.

Isiah Thomas ou John Stockton no Dream Team?

A história é conhecida: Michael Jordan odiava o Detroit Pistons do fim dos anos 80 e começo dos anos 90, que liderados por Isiah Thomas, derrotaram seus Bulls em três playoffs seguidos. Parte da estratégia usada era famosa: descer o cacete no camisa 23 e em quem mais aparecesse pela frente. A história que Jordan teria dito “ou ele ou eu” no momento da convocação do Team USA é uma lenda que ronda desde a época e mesmo com Chuck Daly, treinador de Thomas nos Pistons, sendo o comandante do futuro Dream Team, o armador foi deixado de fora.

Ok, vamos imaginar que Thomas tivesse sido convocado. Quem sairia? Já digo que Christian Laettner não vale. Eles iam levar um jogador universitário de qualquer jeito e Laettner em Duke naquela época era a mesma coisa que o Papa Francisco é hoje para a Igreja Católica. Não vale tirar Magic Johnson também, que apesar de passado o auge, foi para Barcelona pelo seu legado e como homenagem por ser um dos nomes que resgatou a NBA, uma liga com imagem negativa nos anos 70, para um produto global com ídolos a serem seguidos.

Quem era o outro armador? John Stockton. Agora sim temos a discussão: Thomas ou Stockton? E essa discussão é velha também. Não pense o que era necessário, se um armador tradicional ou um jogador explosivo e habilidoso. Não pense em química na equipe. Não pense em nada além de “estou em 1992 e tenho uma vaga de armador. Quem eu levo?”

Thomas até 1992: dois títulos da NBA sendo o franchise player, MVP das finais de 1990, 11x All-Star, três vezes All-NBA First Team e o líder da equipe que destronou os Celtics de Bird, os Lakers de Magic e ainda destruiu os sonhos do Jordan nos primeiros passos na NBA. Thomas teve 18,5 pontos e 7,2 assistências de média na temporada 1991/92.

John Stockton: 15,8 pontos e 13,2 assistências de média, 4x All Star, cinco vezes (seguidas) líder de assistências da liga

Veredicto: Stockton era mais armador, mas Thomas foi mais jogador. A verdade é que sacanearam Thomas absurdamente. E mesmo ele sendo o líder dos Bad Boys, queridos apenas em uma cidade dos Estados Unidos, curiosamente a mesma onde eles jogavam, merecia a homenagem de ser convocado pelo grande jogador que foi e ainda era na época. Duro seria dizer para John Stockton que ele não iria para Barcelona.

Magic ou Bird?

Sim, é verdade, eu estou pedindo a morte com este post. Mas vamos lá, quem foi melhor, Magic ou Bird? A rivalidade começou ainda na faculdade, quando Indiana State de Bird e Michigan State de Magic se encontraram na final da NCAA. Quis o bom Deus do basquete que um fosse para Boston, outro para Los Angeles e a rivalidade que já tinha produzido seis finais nos anos 60 fosse revista nos 80.

Magic ganhou um título primeiro, logo em sua temporada de calouro, jogando como pivô na partida decisiva contra os 76ers de Julius Erving (só isso) e terminou a partida 6, decisiva, com 42 pontos, 15 rebotes e sete assistências. Um calouro. No jogo seis. Das finais. Contra Dr. J. Em Philadelphia. Armador começando como pivô. Substituindo Kareem Abdul-Jabbar. Para o mundo que quero descer.

Só que Bird não ia ficar para trás e no ano seguinte já tratou de ganhar o seu anel. Ai já ficou claro que a década seria deles. Com 2 a 1 pro Lakers em títulos, eles se encontraram pela primeira vez nas finais em 1984. Deu Celtics em sete jogos, com Bird MVP. Os Lakers se vingariam na temporada seguinte, vencendo o sexto jogo no Garden e levando o caneco em pleno Garden. Na temporada seguinte Bird e os Celtics estavam no seu auge e venceram o terceiro e último título dessa era. Os Lakers ainda venceriam mais dois, uma reedição contra os Celtics e o quinto e final troféu contra os Pistons. Esses dois últimos, seguidos.

Muito bem: em anéis, 5 a 3 para Magic. Em finais diretas, 2 a 1 para Magic. Mas obviamente não podemos só olhar para isso. Bird é um monstro porque ele fisicamente não tinha a benção de Deus como Magic tinha, mas ele compensava com uma técnica espetacular e trabalho mais do que duro em treinamentos. E esse trabalho fez seu corpo quebrar nos anos finais de carreira, quando suas costas estavam mais retorcidas que um ponto de interrogação. E mesmo assim sua técnica fazia ele ser um jogador acima da média apesar de parecer um ancião em quadra.

Só que na comparação, Magic tinha mesmo uma benção divina: o cara era um armador de 2,06m, entregava lances maravilhosos diariamente, ganhou cinco títulos e ao mesmo tempo que era um armador pontuador como temos hoje (19,5 pontos de média na carreira!!), ainda satisfaz quem acha que armador tem que dar assistência (11,2 assistências de média na carreira!!). !!!!!!

Veredicto: Magic. Aliás, eu não tenho tão definido assim que Jordan é o G.O.A.T (Greatest Of All Time) por causa do número 32.

Jordan ou LeBron James?

Quem viu MJ ao vivo e está no seu canto do ringue para sempre, acha essa comparação descabida. Mas essa comparação existe. E como existe. Tanto que vários ex-jogadores se pronunciaram e inclusive Scottie Pippen, o homem que mais deveria amar Michael Jordan na face da terra, disse que “Jordan foi o melhor jogador ofensivamente, mas arrisco em dizer que LeBron é o melhor que já jogou o jogo”.

Pippen na verdade vai e volta com suas declarações. Recentemente ele também disse que a verdadeira comparação de LeBron deveria ser com ele mesmo, Pippen, e não com Jordan.

Então vamos por partes. Aqui um joguinho divertido: adivinhe quem é A e quem é B.

Jogador A: 27,3 pontos por jogo, 7,1 rebotes e 6,9 assistências. 49,6% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 34,2% de três.

Jogador B: 30,1 pontos por jogo, 6,2 rebotes por jogo e 5,3 assistências. 49,7% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 32,7% de três

O jogador A é mais completo que o B nos números. Portanto, LeBron é mais completo que Jordan nos números. Só que LeBron é um ala, normal que tenha número maior de rebotes. Porém tem também mais assistências. Jordan era um arremessador (shooter) e todos sabemos disso. Mas LeBron tem número melhor, por exemplo, de arremessos de três (tentando muito mais, até porque o jogo moderno valoriza mais isso, mas considero o aproveitamento). Só que se você pegar os números dos playoffs, Jordan sobe a média dele de pontos para quase cinco de vantagem por jogo em relação a LeBron.

Ou seja, a disputa é muito mais próxima, ANALISANDO NÚMEROS E INDIVÍDUOS, que eu pensava e que provavelmente muitos da torcida organizada “Your Airness” também pensavam. Jordan foi o rei da cocada preta, mas assim como “Pelé, o maior de todos os tempos pode ser discutido”, “Jordan G.O.A.T.” também.

Mas seis contra dois, sendo que os dois disputaram as mesmas seis finais, ainda pesa muito. Ainda mais porque Jordan tem jogos e lances históricos nos momentos decisivos, e por mais que LeBron não seja pipoqueiro, como se “suspeitava” há alguns anos, ele não chega nem perto de Jordan no clutch.

Veredicto: saudosismo algumas vezes é uma merd&(%$%, mas aqui ainda dá Jordan.

Onde está posicionado Kobe Bryant na história?

Kobe Bryant é um personagem bastante controverso na história recente da NBA. No Brasil nem tanto, mas nos Estados Unidos ainda há muita discussão onde Kobe se posiciona entre os grandes na história. Entre os pontos positivos estão seus cinco títulos, seu MVP, arremessos decisivos, o jogo de 81 pontos e outros feitos.

Mas entre os negativos estão o fato dele ser fominha, tentar arremessos demais, ter sido coadjuvante de O’Neal em três dos cinco títulos (ei, eu não concordo, estou só apresentando argumentos usados por terceiros) e o fato de ser um companheiro de equipe difícil, com seus Lakers tendo passado muitos anos mal das pernas com ele na liderança do barco.

Então, onde Kobe se posiciona? Ele é um Top 5? 10? 20? Melhor Laker de todos os tempos, como Shaquille O’Neal, agora em paz com Bryant, recentemente disse?

Vamos aos números:

Kobe realmente é fominha e todos nós já vimos ele tentar arremessos completamente despropositados e ter noites onde ele amassou o aro de forma gloriosa. Mas sabe quem tentava, em média, dois arremessos a mais por jogo que Kobe? O dono histórico da camisa 23, o senhor Jordan. Sabe que ala-armador não é lembrado como um fominha tijoleiro e mesmo assim tem apenas 0,2 assistências a mais em média (por 36 minutos) que o tijoleiro fominha? Você entendeu.

Kobe de fato tinha um belo companheiro de equipe em Shaq, um dos atletas mais dominantes fisicamente na história do esporte. Mas é injusto descredenciar o ala-armador dizendo que aqueles times (e consequentemente o mérito maior) eram de O’Neal, sendo que Kobe teve 29,4 pontos de média nos playoffs de 2000/01, com apenas 22 anos.

Veredicto: ele é o melhor laker de todos os tempos? Sacanagem dizer isso em uma franquia que teve Magic, Kareem Abdul-Jabbar e Jerry West. Então digo que não. Top 5 da história da liga com certeza não e acho que Top 10 também não. Mas Top 15 pode ser discutido e Top 20 com certeza. Mas sua carreira merecia um final melhor que o atual.

Lakers ou Celtics

Não sou louco de decidir isso. Se há uma franquia na NBA que eu torço é o Boston Celtics e acho os Lakers uma franquia de história maravilhosa. Os Lakers souberam dividir melhor sua relevância, enquanto os Celtics, especialmente nos 90 e boa parte dos 2000 foram horríveis. Um título só de diferença é pouco para colocar na balança, mas em finais um contra o outro, os verdes dominam de uma forma impiedosa. Os Lakers tiveram jogadores mais brilhantes (Chamberlain, West, Abdul-Jabbar, Magic, Shaq, Kobe) mas os Celtics tiveram verdadeiros guerreiros vitoriosos (Russell, Havlicek, Bird, McHale e até Pierce, por que não, o cara foi esfaqueado 11 vezes e jogou a temporada seguinte sem perder um jogo).

Decide essa ai porque eu já decidi várias e causei polêmica demais.

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