Top Quinto

Top Quinto: cidades esportivas amaldiçoadas

Como todo fã de esporte – não estou roubando o lema de uma emissora de TV, prometo – um dos passatempos preferidos de nós do Quinto Quarto é fazer listas. Polêmicas, engraçadas, ridículas, tanto faz, rankear besteiras sempre é divertido. Por isso a partir deste texto aqui começamos o Top Quinto. Sim, um trocadilho infame. Como o nome indica, vamos fazer listas com cinco posições e de todos os assuntos possíveis com as 4 ligas que tanto amamos. Como gostamos de ouvir vocês, seja qual for o modo que você se expressa – o canal que criamos para o pombo-correio descer perfeitamente na janela da redação está sem movimento, pessoal – mande ideias e sugestões e tentaremos tirar uma lista delas.

Para começar o Top Quinto em alto estilo, vamos mandar uma lista das cidades americanas onde a grama não cresce, a cesta está fechada para negócios, o puck tem 10 quilos e os bastões parecem cotonetes. Nelas as franquias não vão para a frente, astros só jogam no time adversário e contratos ridículos são distribuídos aos montes. E pobre dos torcedores. Vamos cair em depressão.

5º San Diego

Aposto que você não imaginava ver San Diego aqui. É uma cidade gostosa, que não ofende ninguém. Mas a verdade é que a cidade californiana tem uma zica macabra e que agora com o fim da maldição de Oakland, depois do título dos Warriors, vai receber as nuvens da desgraça vindas da Bay Area no seu céu esportivo.

Ainda não está convencido? Então me fale quando foi o último título do San Diego Chargers? Aliás teve título?

E o do San Diego Padres?

Pois é, tanto Chargers como Padres nunca ganharam um troféu. E se somarmos todas as temporadas sem caneco das franquias – a NBA passou por pouco tempo em San Diego, antes dos Braves irem para LA e virarem os Clippers – são 112 temporadas sem gritar é campeão. Só uma cidade do Ohio tem mais.

Pelo menos é quente. Já o top 3 nem isso.

4º Miami

Miami está nessa lista não por causa de seu sucesso (ou falta de) nos campos e quadras. Miami está bem. Vamos ao retrospecto.

O Heat teve LeBron James por quatro temporadas e lucrou dois títulos da NBA com isso. E seu maior ídolo na história da franquia, Dwyane Wade, deu mais um para a franquia em 2006. Para uma franquia com menos de três décadas de existência, está bom.

Os Marlins não estão em sua melhor fase, longe disso, mas pelo menos tem um jogador muito acima da média em Giancarlo Stanton. E duas World Series não tem nem 20 anos (2003 e 1997), uma delas batendo os estrelados Yankees. Nada mal.

E os Dolphins também não estão no seu auge, mas há indícios de melhora, ainda mais com a chegada agora de Ndamukong Suh. E apesar de todas as frustrações com a era infrutífera de Dan Marino, a franquia ainda tem duas conquistas de Super Bowl e a única temporada perfeita da era do Super Bowl. Tudo certo.

Por que Miami está na lista então? Por uma razão muito simples. Porque não importa o que seus times façam em campo ou quadra ou qualquer coisa que seja, a torcida não vai estar ligando na arquibancada. Alias nem na arquibancada estará provavelmente.

Não sou daqueles que chora ao ver papel picado voando no estádio e torcedor cantando e chorando ao mesmo tempo, muito pelo contrário, mas a torcida de Miami beira o ridículo. Teve gente que pagou ingresso no jogo 6 da final da NBA em 2013 e não viu a bola de Ray Allen porque desistiu da equipe e da série antes da partida terminar.

Miami merece estar aqui, vai.

3º Minneapolis

Muitas franquias, mas nem tantos títulos. Minneapolis além de ter um frio de rachar tem equipes que partem os corações dos seus torcedores.

Vamos começar pelos Vikings. A franquia tem um campeonato da NFL em 1969. Você deve estar pensando: ué, mas 1969 já tinha Super Bowl, cadê ele? Naquela época, NFL e AFL estavam terminando a fusão mas ainda tinham seus campeões. Em 69 os Vikings tiveram o grande jogo contra o campeão da AFL, o Kansas City Chiefs. Os Vikings eram favoritos.

Vitória dos Chiefs.

A equipe voltou ao grande jogo na oitava decisão, contra Miami.

Vitória dos Dolphins.

No ano seguinte lá estavam os Vikes de novo. Vitória dos Steelers.

Ok, tudo bem, três derrotas, da quarta não passa. Super Bowl XI, contra o Oakland Raiders.

Você sabe como isso termina.

Os Vikings, junto com os Bills, são os dois times que chegaram em quatro Super Bowls e saíram de mãos vaziam em todas. E a desgraça não ficou só nos anos 70: em 1998, com um ataque sensacional com Randall Cunningham, Randy Moss e Cris Carter, a franquia só perdeu um jogo na temporada regular. Na final da NFC o duelo foi contra o Atlanta Falcons. Com menos de dois minutos faltando e jogo empatado, Gary Anderson, que tinha uma temporada perfeita, sem errar um mísero field goal ou extra point, errou um FG de 38 jardas. Vitória dos Falcons na prorrogação.

Mais recentemente, os Vikings também perderam um jogo que poderiam ter perfeitamente ganho contra os Saints também na final da NFC, em 2009/10. Mas a equipe novamente falhou nos momentos decisivos e perdeu na prorrogação. Favre que o diga: veja o vídeo, a reação do narrador é genial.

No baseball, a cidade pode comemorar títulos pelo menos com seus Twins, mas o último deles foi em 1991. De lá para cá foram 23 temporadas, 17 delas sem playoffs e muitos times horrendos.

Títulos também há no basquete. A franquia da NBA – não vou falar o nome para criar suspense – se juntou à liga em 1949 e o nome do time homenageava o fato de o estado de Minnesota ser o estado dos 10.000 lagos. No período em Minneapolis foram cinco títulos e muito sucesso e festa.

Mas como Minneapolis é amaldiçoada, os Lakers se mudaram no começo dos anos 60 para Los Angeles. Imagine Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar e o Showtime rolando em Minneapolis. E Kobe e Shaq entregando mais troféus para a coleção da 2ª franquia mais vitoriosa da NBA, fazendo a passeata dos campeões em Minnesota. Mas nada disso foi possível. E o pior: a equipe nem tirou o Lakers do nome, mesmo não fazendo sentido com a cidade de Los Angeles. Isso só deixa tudo mais doloroso.

Ai o prêmio de consolação veio em 1989 com o Minnesota Timberwolves. O problema é que essa franquia fede a fracasso. Christian Laettner, possivelmente o maior jogador universitário da história, fracassou na Sibéria americana. Kevin Garnett, o Big Ticket, por anos carregou a franquia, mas sempre sem sucesso na pós-temporada, onde só chegaram até a final da conferência. Até Kevin Love, empilhando duplos-duplos e sendo um dos melhores jogadores da NBA, em seis anos não conseguiu nem chegar aos playoffs.

Ei, pelo menos tem os Twins.

2º Buffalo

Buffalo tem neve, os Bills e os Sabres. A cidade é pequena em um estado que fede a competitividade, títulos da NBA (não tantos, mas ok), World Series e conquistas do Super Bowl, todos eles na cidade grande que dá nome ao estado.

Começando pelos Sabres, em 1974/75 a equipe teve o segundo melhor retrospecto da NHL e chegou na Stanley Cup para enfrentar o Philadelphia Flyers, composto só de jogadores canadenses, de cabo a rabo. No jogo 3, disputado em casa, a partida não foi vista pela maioria dos torcedores presentes por causa da neblina. Dentro do ginásio. Só em Buffalo mesmo. A série terminou 4 a 2 para Philadelphia. A equipe só voltaria a Stanley Cup 24 anos depois, indo de 7º na sua conferência a representante do Leste contra o Dallas Stars. Depois de vencer o primeiro jogo em Dallas, a equipe só venceu mais um novamente perdeu por 4 a 2.

“Tudo bem, perdeu duas Stanley Cup, qual o problema, é só hockey”, diz o fã de NFL e NBA.

Mas calma que tem os Bills. Você consegue imaginar a dor de ver um time de um mercado pequeno formar um belo time, com um ataque matador, um quarterback lendário, chegar em 4 Super Bowls seguidos e terminar essa sequência com o mesmo número de títulos que o Houston Texans e o Corinthians Steamrollers? Pois é.

E os Bills perderam de todo jeito: por um ponto com um field goal errado no fim (vídeo abaixo de toda campanha até o FG errado por Scott Norwood) ou levando uma sova de 35 pontos. Perderam para um time do mesmo estado e para um time a mais de 1000 km de distância. Perderam na Flórida e Atlanta (sul), na Califórnia (oeste) e em Minnesota (Norte).

 

E mais umas cerejas no topo do bolo: um dos maiores jogadores da história da equipe é lembrado mundialmente por fugir da polícia em rede nacional, ser inocentado em um julgamento que todos achavam que ele era culpado (e ele provavelmente era) e depois preso por outra coisa completamente diferente. E hoje os Bills são a franquia que há mais tempo não disputa um jogo de pós-temporada na NFL.

E ah, o último jogo de playoffs foi este.

Buffalo nunca teve Beisebol a sério, mas teve basquete por um tempo, oito anos para ser mais exato, com o Buffalo Braves. E nesse período eles contaram com o genial Bob McAdoo, uma máquina de pontuar e que foi MVP da liga em 1974/75. Ele ganhou dois títulos da NBA, mas obviamente não foi em Buffalo, onde chegou a três semifinais de conferência e só. Ele ganhou em Los Angeles pelos Lakers. Aliás Los Angeles foi onde os Braves foram parar depois de uma paradinha em San Diego. Na cidade de Hollywood, a nova franquia conserva a maldição de Buffalo: eles hoje são conhecidos como o Los Angeles Clippers.

Tinha Buffalo em quinto. Depois de escrever isto fui no psicólogo, ouvi muito Alice In Chains, cortei um pouco meus pulsos e decidiu mudar para segundo.

1º Cleveland  

Cleveland tem os Browns. Tem os Cavaliers. Tem os Indians. E tem 147 temporadas sem um mísero titulo dessas franquias, o último deles sendo o campeonato da NFL dos Browns em 1964. E não é só não ganhar. É perder de forma trágica. Em um período de três anos a cidade levou três socos no estômago dignos de dó.

1987: os Browns disputam a final da AFC. Vencem por sete pontos. Faltam cinco minutos e o Denver Broncos está na linha de dois do próprio campo. Em cinco minutos, John Elway faz os visitantes avançarem por 98 jardas e empatar o jogo faltando 37 segundos. Na prorrogação, field goal certo e vitória dos Broncos no que ficou conhecido como “The Drive”. Detalhe: em Cleveland tudo isso.

1988: perdendo por sete, os Browns avançaram até a linha de oito jardas do campo de ataque faltando um minuto. O running back Earnest Byner pegou a bola e avançou até a linha de dois, quando com o contato da defesa soltou a bola e a chance de pontuar. O lance ficou conhecido como “The Fumble”.

1989: Jogo 5 de uma série melhor de 5. O Cleveland Cavaliers pela primeira vez na história fracassada da franquia tinha um time sensacional. Do outro lado o Bulls de Michael Jordan. Faltando três segundos, em uma bandeja, Craig Ehlo deixou os Cavs um ponto na frente em casa. Mas ai Jordan pegou a bola, arremessou da linha de lance livre e teve um de seus momentos mais clutch da carreira. Óbvio que seria contra Cleveland.

Só esses três anos já são suficientes para dizer que Cleveland é amaldiçoada, mas ainda tem a mudança dos Browns para Baltimore fazendo uma das torcidas mais fanáticas da NFL ficar sem franquia por três anos, a draga dos Browns atuais, LeBron James não conseguir dar um título da NBA e a derrota dos Indians na World Series para o Florida Marlins que na época tinha só cinco anos de existência.

Detalhe: os Indians ganhavam a partida entrando na nona entrada do jogo 7.

 

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